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13/01/2015 11:57 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

PM que matou estudante em perseguição no Rio é denunciado pelo Ministério Público

O policial militar Márcio José Watterlor Alves, que matou a tiros a atendente de telemarketing Haíssa Vargas Motta, em agosto do ano passado, em Nilópolis, na Baixada Fluminense, será denunciado nesta terça-feira (13) pelo Ministério Público do Rio por homicídio doloso (quando há intenção de matar).

Neste final de semana o site da revista Veja divulgou as imagens gravadas pela câmera da viatura onde estavam Márcio e seu colega Delviro Moreira Ferreira. Eles faziam ronda de rotina durante a madrugada e haviam sido alertados sobre um veículo cujos ocupantes estariam praticando roubos na região.

Ao identificarem um carro Hyundai HB20 com um rapaz e três mulheres, ordenaram que o veículo parasse, mas o motorista seguiu. Por 30 segundos os policiais perseguiram o carro, e em seguida Márcio usou seu fuzil para atirar dez vezes contra o veículo.

Haíssa foi atingida nas costas e chegou a ser levada ao hospital, mas morreu. A Polícia Civil já havia indiciado Márcio por homicídio doloso. A PM ainda não concluiu a investigação.

Em entrevista à Agência Brasil, a mãe de Haíssa, Sônia Vargas Motta, pediu por Justiça.

“Soltaram o nosso grito de dor com esse vídeo. Se eu cometesse um crime, eu seria presa, mas ele, não. A nossa vida parou. A gente não consegue trabalhar. Os policiais atiraram primeiro para depois perguntar. Não é possível que isso continue a acontecer, não quero acreditar que tenha sido esse ensinamento que esse cidadão desobedeceu. Nego-me a acreditar que ele tenha sido treinado para atirar e depois perguntar. O procedimento foi totalmente errado. Isso só redobra e aumenta a dor”, desabafou.

O pai da jovem, Ironildo Motta da Silva, também criticou o fato do caso ter ficado “esquecido” durante cinco meses, desde a morte de Haíssa.

“Durante cinco meses, o nosso governo, nosso estado, não se pronunciou sobre o caso. E esse vídeo, nesse sentido, foi um presente para a gente. Até então, minha filha era como um bicho jogado no lixo, mas a minha filha não é nem bicho, nem lixo. Minha filha, uma menina que ia cursar a faculdade, foi tratada como eles tratam bandidos”, disse.

(Com Estadão Conteúdo)