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12/01/2015 17:41 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Bola de Ouro: Cristiano Ronaldo é eleito o melhor jogador de 2014

A Fifa entregou nesta segunda-feira (12) a Bola de Ouro a Cristiano Ronaldo, do Real Madrid. O português recebeu 37,66% dos votos contra 15,76% de Messi e 15,72% de Neuer, e sagrou-se o melhor jogador de 2014.

Este é o terceiro prêmio de Cristiano Ronaldo, que se aproximou mais do argentino Lionel Messi, do Barcelona, com quatro. A primeira, em 2008, ainda pelo Manchester United. Cinco anos depois, Cristiano Ronaldo voltou a ser o melhor do mundo — 2013 foi o ano em que Messi sofreu com lesão e, por isso, a vitória do português deixou o gosto de dúvida. Agora, porém, não resta incerteza alguma: Cristiano Ronaldo foi melhor do que o argentino, vice-campeão na Copa.

O prêmio entregue ao português, entretanto, consagra uma temporada que só não foi perfeita para Cristiano Ronaldo por causa do fraco desempenho de Portugal na Copa do Mundo. O craque finalmente conseguiu consagrar o seu estilo de jogo, combinando força e explosão físicas fora do normal com uma habilidade ímpar. Se há quem argumente que Messi é mais genial, não há como negar que o português mostrou-se completo no último ano: sabe driblar, chutar, passar, cabecear e bater faltas.

Só no Campeonato Espanhol foram 38 gols em 2014, exatamente um para cada rodada do torneio. Na atual temporada, os números são incontestáveis: 26 bolas na rede em apenas 16 partidas pela competição. Só na primeira temporada pelo Real Madrid (2009/2010) não teve média de pelo menos um gol por jogo no Espanhol.

Muitos dos gols foram decisivos. Na Copa do Rei, fez os dois da vitória por 2 a 0 sobre o Atlético de Madrid, na casa do adversário, no jogo de ida da semifinal. Machucado, não participou da final, quando o Real venceu o Barcelona.

Na Liga dos Campeões, foram incríveis 17 gols, sendo um nas quartas de final (sobre o Borussia), dois na semifinal (diante do Bayern) e o último gol do torneio, na decisão contra o Atlético de Madrid. Na ocasião, já não estava no auge da forma. Por isso, jogou a Copa do Mundo baleado, com lesão no joelho esquerdo.

Com seu principal jogador impossibilitado de resolver sozinho, Portugal foi eliminada na primeira fase. Menos mal que ele voltou a tempo de salvar a equipe nas Eliminatórias da Euro/2016 com dois gols decisivos, para garantir vitórias magras sobre Armênia e Dinamarca.

Marta bate na trave de novo e alemã é a melhor do mundo em 2014

Juntas no palco, as três jogadoras que disputavam o prêmio: a brasileira Marta, a norte-americana Abby Wambach e a alemã Nadine Kessler

Marta voltou a bater na trave na disputa pelo prêmio de melhor jogadora do ano pela Fifa. A brasileira, que ganhou por cinco vezes consecutivas entre 2006 e 2010, foi a segunda mais votada como destaque de 2014. Nesta segunda-feira, quem acabou consagrada foi a meio-campista alemã Nadine Kessler, de 26 anos, destaque do Wolfsburg no bicampeonato europeu e no tricampeonato alemão.

Marta, de qualquer forma, chegou pela 11ª vez consecutiva como finalista da Bola de Ouro. Terceira colocada em 2004 e segunda em 2005, Marta venceu de forma consecutiva entre 2006 e 2010, foi a segunda melhor de 2011 e 2012 e terceira de 2013. Na disputa pela Bola de Ouro de 2014, recebeu 14,16% dos votos, contra 17,52% de Kessler e 13.33% da norte-americana Abby Wambach, que vencera em 2012.

Neste ano, Marta voltou à Suécia para jogar pelo Tyresö e ajudou a equipe a chegar pela primeira vez à final da Liga dos Campeões da Europa, tendo marcado sete gols no torneio. Na decisão, balançou a rede duas vezes, mas o Wolfsburg, da Alemanha, garantiu o título.

Em julho, porém, Marta trocou de clube na Suécia e conquistou o título do campeonato nacional pelo Rosengard — o Tyresö encerrou as atividades por falta de dinheiro, no meio do torneio. O time está nas quartas de final da Liga dos Campeões e a brasileira vai reencontrar o Wolfsburg.

Homenagem à Charlie Hebdo e prêmio de melhor treinador a Löw

O alemão Joachim Löw faz discurso depois de receber o prêmio de melhor treinador de futebol masculino

A Fifa não ignorou o assunto do momento em todo o mundo. Em determinado momento do evento, o telão ao fundo do palco apresentou a inscrição "Je suis Charlie", frase também dita pelo presidente da entidade, Joseph Blatter, em memória às vítimas dos atentados terroristas à revista Charlie Hebdo, em Paris, na semana passada.

Passado o momento de homenagem, saíram os vencedores de melhores técnicos. Ralf Kellermann, técnico do Wolfsburg, venceu como melhor treinador de futebol feminino apesar de ter recebido apenas 17% dos votos totais.

No masculino, a escolha também foi por um técnico da Alemanha: Joachim Löw, que levou a seleção do seu país ao título da Copa do Mundo do Brasil. Com 36,2% dos votos, ele venceu dois treinadores de renome: Diego Simeone (19%), que apresentou uma revolução tática no comando do Atlético de Madrid, e Carlo Ancelotti (22%), campeão da Liga dos Campeões com o Real Madrid.

"Sei que este prêmio não é só para mim. Estou levando por todos aqueles que me ajudaram. É consequência de muitos anos de trabalho duro. Gostaria de agradecer a todos os técnicos alemães que fazem tanto com os jovens jogadores todo dia", disse Löw, ao receber a taça.

O prêmio de Fair Play da Fifa, entregue no ano passado ao Afeganistão, desta vez foi para os voluntários que participaram da Copa do Mundo no Brasil. Já o jornalista japonês Hiroshi Kagawa, o mais velho a cobrir o Mundial do ano passado, recebeu o "prêmio do presidente", entregue por Blatter.

(Com Estadão Conteúdo)