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07/01/2015 18:16 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Favorito a assumir a Câmara, Eduardo Cunha nega acusações que o ligam a funcionário do doleiro Alberto Youssef

Montagem/Estadão Conteúdo

O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) usou a sua página no Twitter para negar qualquer ligação com o doleiro Alberto Youssef, peça-chave na Operação Lava Jato, que investiga os desvios de recursos na Petrobras. A denúncia, publicada na edição desta quarta-feira (7) do jornal Folha de S. Paulo, foi classificada por Cunha como uma “tentativa política de atacar” sua candidatura à presidência da Câmara dos Deputados.

Conforme publicou a Folha, o Ministério Público Federal vai pedir aval ao Supremo Tribunal Federal para investigar Cunha. O nome do deputado foi citado no depoimento do policial federal Jayme de Oliveira Filho, que fazia entregas de dinheiro pelo doleiro Alberto Youssef. O policial afirmou que teria levado valores ao parlamentar em sua casa no Rio.

Cunha afirmou que não conhece Jayme nem o doleiro Youssef, que o condomínio citado no depoimento pelo policial não é o dele e que o advogado do investigado na Lava Jato teria feito uma petição para esclarecer o endereço. Segundo Cunha, em depoimento, o policial fala que “ouviu dizer” que o endereço é do parlamentar, mas não pode afirmar que entregou o dinheiro a ele.

O deputado disse ainda que não conseguirão constrangê-lo com "a divulgação de fatos inexistentes" e reafirmou inocência. Cunha afirmou que vários de seus apoiadores foram procurados por defensores de “outra candidatura” para avisar que haveria uma “bomba” contra ele.

‘Desafeto’ do PT, Cunha é o favorito a vencer as eleições para a Câmara, marcadas para o início de fevereiro. Contra ele concorrem os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP), que, embora negue, seria o candidato preferido pelo Palácio do Planalto, e Júlio Delgado (PSB-MG), que tem os apoios de partidos de oposição como PSDB e DEM.

Eduardo Cunha ganhou destaque no primeiro semestre do ano passado, quando liderou o chamado ‘blocão’, grupo de parlamentares que reunia aqueles que estavam insatisfeitos com a distribuição de ministérios pela presidente Dilma Rousseff. Nem mesmo o vice-presidente Michel Temer, presidente licenciado do PMDB, conseguiu contê-lo na época. Matérias como o Marco Civil da Internet só passaram após negociações com o grupo de Cunha, que ganhou prestígio desde então.

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