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05/01/2015 20:48 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Coronel da PM que se comparava a Adolf Hitler é exonerado pelo secretário de Segurança do Rio

Montagem/AP e Divulgação

Perder cargos e se envolver em polêmicas parecem ser uma rotina na carreira do coronel Fábio Almeida de Souza, até então comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Nesta segunda-feira (5), ele foi exonerado pelo secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, após reportagem da revista Veja divulgar conversas nas quais Souza e outros PMs incitavam a violência e mostravam ‘admiração’ pelo nazismo.

“Quando soube da notícia, consultei o inquérito para ver se isso efetivamente existia. Exonerei o coronel Fábio e o deixei sem função. Fiquei horrorizado com o que consta no inquérito. Será aberto um procedimento disciplinar para que o coronel Fábio esclareça a situação e possamos fazer a devida punição”, afirmou Beltrame, em declarações reproduzidas pela Agência Brasil.

A matéria da Veja, publicada na edição do último fim de semana, apresentou mensagens trocadas pelo coronel da PM e outros policiais da corporação pelo aplicativo WhatsApp. Nelas, Souza defendeu o uso de armas letais contra manifestantes durante os protestos de 2013 e 2014.

“Tonfa (bastão) é o c...! 7.62. Mata eles tudo... Para com isso, Adriano. No Bope tem um cara f... que quase ninguém sabe. Tiro em todo mundo. Faz que nem o Senhor Rufino. Baleou 10. Pratica estrangulamento e tiro em multidões (...). Porrada, paulada, tonfada, fuzilzada, mãozada. Abril de 2015. O Chanceler assume o poder. O Partido”, escreveu o coronel sobre os manifestantes, e na parte final fazendo alusão ao regime nazista de Adolf Hitler.

Souza ainda afirmava que ‘tomaria o controle’ da PM fluminense a partir de abril deste ano. A troca de mensagens no grupo – que se define como “raça pura e sem defeitos” – consta em um inquérito que investiga um atentado contra o prédio do tenente-coronel Márcio Rocha, que substituiu o coronel no comando do Batalhão de Choque, em agosto de 2013. Aliás, Rocha é um dos policiais ironizados por Souza e seu grupo nas conversas.

Confira os trechos dos diálogos obtidos pela revista Veja

O coronel Fábio Almeida de Souza afirma, em janeiro de 2014, que em 2015 seu grupo voltaria a comandar a PM do Rio de Janeiro – como de fato ocorreu. E promete massacrar os inimigos, a que chama de ‘peito de ladrilho’, ou seja, policiais sem os cursos especiais, dizendo que sua vingança será dura, ‘Padrão Alemanha de 1930’:

Coronel Fábio - Em abril de 2015 assumirei o controle da PMERJ. Está nas escrituras. Serão quatro anos de inverno nuclear para os peitos de ladrilho. Só cursado terá vez. Choque, Caveira, Cachorreiro ou piloto. O resto será escorraçado

Nascimento - Velho, tenho fé que estamos passando por uma aceitação doutrinária, junto com uma construção de mística que o Bope, por exemplo, já passou. Nós temos que pagar esse preço pra que no futuro não questionem quase nada relacionado às técnicas (...) Como diz o coronel Fábio, somos os problemáticos, xiitas, talibãs etc. Rs

Coronel Fábio - Aí vocês verão o que é revanchismo combinado com vingança.

Major Adriano - Banco de instrutores estão sendo criados em 2014. O golpe está sendo preparado para 2015. E o Obtuso (tenente-coronel Márcio Rocha) nem percebeu isso

Coronel Fábio - Padrão Alemanha de 1930

Coronel Fábio - Vai ter virada e vingança. 2014, a virada. 2015 a caça aos infiéis insurgentes ladrilhos malditos indignos.

Um novo inquérito foi aberto, a pedido de Beltrame, para apurar especificamente a troca de mensagens entre os PMs. Apesar de dizer que não tinha conhecimento, o secretário de Segurança foi parcialmente desmentido pelo coronel Luís Castro, que era comandante da PM à época. À revista Veja, ele disse ter informado Beltrame sobre a troca de mensagens. A ordem, em março de 2014, foi então para tirá-lo do Bope e colocá-lo na equipe de segurança do secretário.

Outra investigação será pedida pelo procurador de Justiça Marcio Mothé, coordenador de Direitos Humanos do Ministério Público Estadual, de acordo com o jornal Extra. “É lamentável, em pleno século 21, se deparar com tamanha violação ao estado democrático de direito. É preciso impor limites à PM”, comentou o procurador.

Em nota, a PM do Rio informou que o coronel Wilman Rene Gonçalves Alonso, chefe do Comando de Operações Especiais (COE), assumirá interinamente o comando do Choque.

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