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26/12/2014 18:05 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Geraldo Alckmin confirma aumento da tarifa do Metrô e CPTM em 2015, e deve ter a companhia de Fernando Haddad

FILIPE ARAUJO/ESTADÃO CONTEÚDO

Passados 18 meses dos primeiros protestos contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo, finalmente os governos municipal e estadual anunciaram – e criaram coragem – de reajustar a passagem, a partir de 2015. A notícia, ventilada há semanas, foi confirmada nesta sexta-feira (26) pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). O anúncio oficial, previsto para segunda (29) ou terça-feira (30), terá o aval do prefeito Fernando Haddad (PT).

“Ela (a tarifa) deve ser reajustada porque já não foi reajustada nesse ano, 2014, e nem em 2013. Então é natural que haja esse reajuste”, disse Alckmin. Falando especificamente sobre o Metrô e os trens da CPTM, que são responsabilidade do Estado, o tucano disse que a tarifa deve ficar abaixo da inflação do período, o que significa abaixo de R$ 3,75, que seria o valor corrigido pelo índice. Especula-se que a passagem ficará entre R$ 3,40 e R$ 3,50. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, na capital foi definido o valor de R$ 3,50, a valer a partir do dia 6 de janeiro.

Na semana passada, Alckmin se reuniu com Haddad para tratar, entre outros assuntos, da questão da tarifa do transporte. O governador afirmou que o reajuste poderá ser simultâneo, algo que já aconteceu em maio de 2012, quando os dois governos subiram a tarifa para R$ 3,20. Juntos ainda eles voltaram atrás, cerca de um mês depois, em razão dos protestos que ficaram conhecidos como Jornadas de Junho. A passagem está em R$ 3,00 desde então.

“Sempre conversamos. Você tem a parte de pneus, da Prefeitura, por causa dos ônibus, e a nossa parte de trilhos para trem e metrô. Não dá para fazer uma coisa descolada da outra, porque aí desequilibra o Bilhete Único”, comentou Alckmin. O tucano ainda explicou que existem estudos para que Metrô e CPTM também possuam um passe livre estudantil, como sugeriu recentemente Haddad, quando abordado sobre o eventual reajuste da tarifa na capital.

Segundo o G1, todos os detalhes devem ser divulgados no início da próxima semana justamente pelo fato de se tratar o período de férias – uma tentativa de evitar mobilizações. Na Prefeitura, segundo o secretário de Transporte Jilmar Tatto, todos os estudantes de escola pública terão gratuidade para utilizar ônibus e haverá um limite de renda para alunos de instituições privadas. Também não foram fornecidos detalhes sobre que tipo de remanejamento no orçamento será feito para tornar a gratuidade sustentável.

“(Os recursos) sempre vêm da tarifa e do tesouro. Nós assumimos a gratuidade. Quem hoje tem gratuidade? Os idosos, pessoas com deficiência. Estudante e professor têm meia entrada. Essa meia entrada o governo paga”, completou o governador.

E agora, MPL?

Já no fim de novembro, o Movimento Passe Livre (MPL) ressaltou, em postagens nas redes sociais, que não aceitaria qualquer tipo de aumento da tarifa. A ameaça de retomar as ruas em caso de reajuste da passagem foi feito há uma semana, no Facebook. A mesma postagem acabou compartilhada nesta sexta-feira (26), uma vez que os mesmos argumentos do coletivo endereçados a Haddad, ao que tudo indica, também valem para Alckmin.

O passe livre estudantil parece ser a oferta que os governos municipal e estadual estão dispostos a conceder para impedir mobilizações como as vistas em um passado recente acerca do tema. Ainda não se sabe de onde virá a verba para custear o benefício. O que é certo é que, segundo a Prefeitura, o subsídio em 2015 ao transporte teria de ser da ordem de R$ 2 bilhões para a tarifa permanecer em R$ 3,00. Mas o Orçamento aprovado pela Câmara Municipal não sugeriu qualquer emenda de R$ 400 milhões aos R$ 1,6 bilhão indicados para a pasta. Assim sendo, já se sabia que a probabilidade do reajuste era concreta.

Anunciado o aumento por Alckmin e Haddad, a bola passa para o MPL e demais coletivos. O desafio de mobilizar os mesmos setores que fizeram os governantes recuar em junho de 2013 está na mesa.

(Com Estadão Conteúdo)

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