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19/12/2014 10:53 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Ex-diretor Paulo Roberto Costa citou 28 políticos beneficiários do esquema de corrupcão na Petrobras. Veja a lista

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Primeiro delator da Lava Jato, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa citou em 80 depoimentos que se estenderam por duas semanas, entre agosto e setembro, uma lista de 28 políticos - que inclui ministro e ex-ministros do governo Dilma Rousseff (PT), deputados, senadores, governador e ex-governadores.

A reportagem do jornal O Estado de S.Paulo obteve a lista completa dos citados, que reflete o consórcio partidário que mantinha Costa no cargo e contratos bilionários da estatal sob sua tutela - são 8 políticos do PMDB, 10 do PP, 8 do PT, 1 do PSB e 1 do PSDB.

Foram citados os ex-governadores do Rio Sérgio Cabral (PMDB), do Maranhão Roseana Sarney (PMDB) e de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) - que morreu em um acidente aéreo em 13 de agosto, durante campanha presidencial.

A lista inclui também o ex-ministro Antonio Palocci (PT), que ocupou a Esplanada nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma; o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o atual ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, e ex-ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Mário Negromonte (Cidades).

O ex-senador Sérgio Guerra, que foi presidente nacional do PSDB e morreu em março de 2014, também foi citado.

Há nomes que até aqui ainda não haviam sido revelados, como o governador do Acre, Tião Viana (PT), reeleito em 2014, além dos deputados Vander Luiz dos Santos Loubet (PT-MS), Alexandre José dos Santos (PMDB-RJ), Luiz Fernando Faria (PP-MG) e José Otávio Germano (PP-RS). Entre os congressistas, ao todo foram mencionados sete senadores e onze deputados federais.

Alguns, segundo o ex-diretor de Abastecimento, recebiam repasses com frequência ou valores que chegaram a superar R$ 1 milhão - dinheiro que teria sido usado em campanhas eleitorais. Outros receberam esporadicamente - caso, segundo ele, do ex-senador Sérgio Guerra.

Sobre vários políticos, o ex-diretor da estatal apenas mencionou o nome. Não revelou valores que teriam sido distribuídos a eles ou a suas agremiações.

Veja os principais nomes e as acusações:

Políticos do PT

Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda (governo Lula) e da Casa Civil (Dilma) - Segundo Paulo Roberto Costa, Palloci teria pedido R$ 2 milhões para a campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010. Palocci nega "veementemente".

Gleisi Hoffman, senadora pelo Paraná e ex-ministra da Casa Civil (governo Dilma) - Teria repassado R$ 1 milhão para a campanha ao Senado em 2010. Gleisi diz que "não conhece e jamais manteve qualquer contato com Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef."

Humberto Costa, senador por Pernambuco e líder do PT no Senado - Teria repassado R$ 1 milhão para a campanha ao Senado em 2010. Humberto Costa nega e diz que já abriu seu sigilo bancário.

Lindbergh Farias, senador pelo Rio - Costa disse que trabalhou para Lindbergh para levantar recursos para a campanha ao Governo do Rio em 2014 (o petista perdeu a eleição). Lindbergh confirma reunião com Costa, mas afirma que ele não obteve nenhuma doação para sua campanha. "Garanto que não recebi nenhuma propina", afirmou Lindbergh.

Do PMDB

Renan Calheiros, presidente do Senado - Segundo Costa, Renan teria feito um acerto com o doleiro Alberto Youssef para que um fundo de pensão dos Correios, controlado por PMDB e PT, comprasse R$ 50 milhões em debêntures emitidos por uma agência de viagens que tem Youssef como um dos investidores. Renan disse que suas relações com ex-diretores da Petrobras "nunca ultrapassaram os limites constitucionais".

Henrique Alves, presidente da Câmara - Citado por Costa, sem mais detalhes. Henrique Alves nega.

Sérgio Cabral, ex-governador do Rio - Citada por Costa, sem mais detalhes. Cabral diz "repudiar" a menção de seu nome.

Roseana Sarney, ex-governadora do Maranhão (renunciou há alguns dias, antes do final de seu mandato) - Citada por Costa, sem mais detalhes. Por seu advogado, Roseana negou "qualquer relação com a Petrobras e Paulo Roberto Costa".

DO PSB

Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco - Costa diz ter intermediado o pagamento de R$ 20 milhões para o caixa 2 da campanha de Eduardo Campos à reeleição para o Governo de Pernambuco em 2010. Campos foi candidato à Presidência pelo PSB em 2010 e morreu em um acidente de avião em agosto deste ano, no meio da campanha eleitora. O PSB nega, diz ter "extrema confiança" em Campos e "que ele não está mais aqui para se defender".

Do PSDB

Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB - Teria cobrado R$ 10 milhões para que uma CPI da Petrobras, aberta em 2009 no Senado, fosse encerrada. Segundo Costa, o dinheiro seria usado para a campanha de 2010, quando José Serra foi candidato do PSDB à Presidência. O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, candidato derrotado do partido à Presidêncai, defendeu o legado de Guerra (morto em 2014) durante a campanha, mas disse que tudo deve ser investigado.

Veja a lista completa.

Outros políticos ainda podem entrar na roda

Os 28 nomes são exclusivamente de políticos que teriam sido beneficiários dos negócios da diretoria de Costa. A Polícia Federal e a Procuradoria da República trabalham com outros nomes de políticos que se relacionavam com os ex-diretores da estatal Renato Duque (Serviços) e Internacional (Nestor Cerveró).

As revelações foram feitas em depoimentos prestados por Costa à força tarefa da Lava Jato e fazem parte do acordo de delação premiada firmado pelo ex-diretor com o Ministério Público Federal em troca de redução da pena. Desde que sua delação foi aceita pelo Supremo Tribunal Federal, ele cumpre prisão em regime domiciliar, no Rio.

Alguns nomes dessa lista também aparecem na relação fornecida pelo doleiro Alberto Youssef, que firmou acordo semelhante - ainda não homologado pelo ministro Teori Zavascki, do STF (o que pode acontecer nesta sexta, 19).

Denúncia contra políticos só em fevereiro

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve denunciar os políticos envolvidos no esquema de desvios da estatal em fevereiro, após o recesso das festas de final de ano e janeiro.

Janot já teve acesso à delação de Paulo Roberto Costa desde novembro, mas aguarda o teor do depoimento do doleiro Alberto Youssef para cruzar os nomes citados, o que deverá ser realizado até o início da próxima legislatura.

A lista de 28 nomes foi revelada por Costa exclusivamente no âmbito da delação premiada. Como são citados políticos com foro privilegiado, o caso vai parar no STF.

A Lava Jato foi desencadeada em março e identificou a parceria de Costa com o doleiro Youssef. Na última fase da operação, deflagrada em 14 de novembro, foram presos os principais executivos e dirigentes das maiores empreiteiras do País, todos réus em ações penais por corrupção ativa, lavagem de dinheiro, crimes de cartel e fraudes a licitações.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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