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17/12/2014 11:53 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Por que você precisa aprender a programar neste exato momento?

Terminou no último domingo (14) a edição 2014 da Hora do Código, evento global com o objetivo de ensinar programação a crianças, jovens e adultos que nunca tiveram contato com código-fonte. Organizado pela Code.org, o projeto busca difundir o hábito da programação por meio de atividades, brincadeiras e tutoriais simples. Em 2013, 15 milhões de pessoas de 170 países tiveram noções básicas de programação; neste ano, foram mais de 75 milhões — 577 mil apenas no Brasil, de acordo com dados da Code.org.

O ensino de linguagens de programação — ou melhor, a ausência de ensino na grande de educação formal — tem estado em pauta nos últimos tempos. "Em algum momento nos anos 1990, perdemos nosso caminho. O sistema de educação ignorou de maneira ampla o explosivo crescimento da computação e da internet (...). Em vez de uma nação de construtores e empreendedores, ficamos satisfeitos com nossos filhos se tornando perdedores no cenário da tecnologia", afirmou o programador Dan Crow no artigo "Why every child should learn to code" ("Por que toda criança deveria aprender a criar códigos", em tradução livre), publicado no Guardian do dia 7 de fevereiro de 2014.

Crow não está sozinho. Douglas Rushkoff, autor de Program or Be Programmed ("Programe ou seja programado", em tradução livre) e evangelista do Codeacademy, argumenta que as escolas precisam adotar programação no currículo, "tratá-la da mesma forma que é ensinado o alfabeto ou aritmética".

Esta também é a opinião de David Ruiz, consultor da Telefônica e curador da Campus Party. "O ensino de programação deveria fazer parte de nossa grade de ensino fundamental, da mesma forma como aprendemos música ou um idioma estrangeiro", diz.

Mas afinal, por que aprender a escrever código-fonte? Por que o Tião do Bar do Duque, na minha saudosa cidade de Marília, precisa aprender a programar, se o trabalho dele consiste em encher o copo dos fiéis clientes de cerveja ou cachaça? Ou por que minha tia Vera, que é manicure — excelente, por sinal —, precisa saber Javascript? Enfim, por que alguém que não pretende trabalhar com tecnologia deveria saber?

Primeiro, porque aprimora o pensamento. Programação é um exercício do seu lado racional. Escrever e debugar um código são atividades de resolução de problemas. Você terá de estar atento às sintaxes para evitar erros — o que levaria a um comportamento inadequado do código ou até mesmo ao não funcionamento. E ao encontrar tais erros, terá de encontrar a melhor forma de resolvê-los. Em muitos casos, a solução é apenas uma, sem alternativas. E este trabalho todo — escrever, debugar, encontrar e corrigir erros — requer o seu lado mais racional. Assim, programar é uma forma de buscar equilíbrio nas ideias.

Em segundo lugar, há a questão do protagonismo. Se você olhar ao seu redor, verá coisas que foram construídas por outras pessoas. Coisas que, em algum momento do processo de sua fabricação, tiveram o suporte da tecnologia e, consequentemente, da programação. E nada dessas coisas foi criada por você! No Hour of Code de 2013, o presidente Barack Obama, ao convidar os jovens a participarem do evento, resumiu a questão do protagonismo: "Não compre um videogame, faça um. Não baixe um app, desenvolva o seu."

A criatividade é outro ponto. "Gosto de comparar programação com brinquedos de blocos de montar. A diferença é que ao programar, a sua liberdade criativa passa a ser infinita e você levará isso para toda sua vida, mudando sua forma de pensar e analisar o mundo a sua volta", aponta Ruiz.

Agora, que tal aproveitar o recesso de fim de ano para mergulhar numa linguagem de programação? Você pode começar pelo Code.org, que tem atividades simples e divertidas, e pelo Codeacademy, com exercícios mais elaborados. Também vale aprender com quem entende do assunto na Campus Party 2015, maior evento de conteúdo de tecnologia do mundo, que acontece entre os dias de 3 a 8 de fevereiro de 2015, em São Paulo.

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