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16/12/2014 21:47 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

O que o taleban paquistanês quer mostrar com os ataques à escola de Peshawar?

ASSOCIATED PRESS
Mourners and relatives of Pakistani teacher, Saeed Khan, a victim of a Taliban attack in a school, pray around his body, during his funeral procession in Peshawar, Pakistan, Tuesday, Dec. 16, 2014. Taliban gunmen stormed a military-run school in the northwestern Pakistani city of Peshawar on Tuesday, killing at least 100 people, mostly children, before Pakistani officials declared a military operation to clear the school over. (AP Photo/Mohammad Sajjad)

Os atiradores que invadiram uma escola na manhã desta terça-feira (16) em Peshawar, no Paquistão, perto da violenta região de fronteira com o Afeganistão, não tentaram fazer reféns. Eles caminharam de classe em classe, disparando contra as crianças. Um dos integrantes da missão suicida detonou seu colete imediatamente ao entrar na escola. No final, seis atiradores foram mortos pelas forças de segurança. Mas 142 pessoas já haviam morrido: a maioria, estudantes da escola administrada pelo exército.

O taleban paquistanês (Tehrik-e-Taliban Pakistan - TTP), que pouco depois assumiu a responsabilidade pelo ataque, não fez reivindicações. O objetivo parece ter sido espalhar o terror e chamar a atenção global.

Esse é o mesmo grupo que atirou no rosto da ativista Malala Yousafzai em 2012, por seu trabalho de promoção à educação de meninas. Malala ganhou o Nobel da Paz este ano. O ataque ocorre alguns dias depois da cerimônia de premiação em Oslo, Noruega.

Em junho deste ano, o exército paquistanês intensificou os ataques no Waziristão do Norte, no Waziristão do Sul e na Agência Khyber, enclaves tribais do taleban paquistanês. "Escolhemos a escola do exército para o ataque porque o governo está visando nossas famílias e mulheres", disse o porta-voz do taleban, Muhammad Umar Khorasani. "Queremos que eles sintam a dor."

Segundo o escritor Ahmed Rashid, especialista em política externa, três razões motivaram o ataque: a necessidade de desmoralizar o exército paquistanês, que efetuou uma série de ataques contra o taleban; o desejo de retaliar a premiação de Malala com o Nobel na semana passada e o fato de Peshawar ter se tornado "uma cidade ingovernável" para eles.

Analistas disseram que o exército paquistanês realizou ataques intensos e seletivos contra o taleban do Paquistão. "No processo da operação, quase um milhão de pessoas fugiram das ruas e não houve qualquer processo de reabilitação. O bombardeio resultou na morte de mulheres e crianças", disse Gopalapuram Parthasarathy, um ex-embaixador da Índia no Paquistão.

Parthasarathy também disse que a operação militar foi "feita sem aprovação política e, na verdade, diante de muita oposição. Foi uma operação muito seletiva, em que eles realmente permitiram que a rede afegã desaparecesse".

O TTP, formado em dezembro de 2007, é uma aliança entre grupos militantes que combatem os militares paquistaneses nas Áreas Tribais de Administração Federal e na Província Khyber Pakhtunkhwa (antiga Província da Fronteira Noroeste) do Paquistão.

Ele tem sido prejudicado por disputas internas e facções. Seus líderes foram mortos em ataques de tropas americanas. E os constantes esforços do Paquistão para envolver o grupo nas negociações de paz tem sido frustrados por surtos de violência. O recente aumento de popularidade do Estado Islâmico (ISIS) complicou as coisas para o TTP. Seu ex-porta-voz Shahidullah Shahid foi demitido por declarar fidelidade ao grupo islâmico radical.

No início deste mês houve relatos de que os EUA haviam entregado ao Paquistão um ex-comandante do TTP, Latif Mehsud. Ele era o vice de Hakimullah Mehsud, chefe do TTP morto em 2013 por um drone americano.

Agora, a principal questão é a repercussão da horrível chacina sobre a imagem taleban. Até agora, o governo do Paquistão fracassou em conter grupos extremistas desde o 11 de Setembro, mas uma escalada de revolta poderia ajudar a unir a opinião pública dividida no Paquistão.

Deixando de lado suas antigas disputas na terça-feira, os indianos e o governo da Índia transmitiram abertamente sua dor e condolência ao Paquistão e aos pais que perderam seus filhos.

O primeiro-ministro indiano Narendra Modi falou por telefone com seu Nawaz Sharif, governante do paquiestão, na noite de terça. Modi pediu que todas as escolas da Índia façam um minuto de silêncio nesta quarta-feira, em solidariedade.

Os indianos também aderiram ao luto na mídia social, usando o hashtag #IndiawithPakistan.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost India e traduzido do inglês.

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