NOTÍCIAS
14/12/2014 15:09 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Em meio a denúncias de corrupção, PT busca guinada ética para pavimentar candidatura de Lula em 2018

JOEL RODRIGUES/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

O Partido dos Trabalhadores é um partido velho, engolido por dirigentes sem qualificação e pela máquina eleitoral. E esta não é uma afirmação feita pela oposição: muitos dos dirigentes petistas veem a sigla desta maneira. Na última sexta-feira (12), durante a reunião da chapa majoritária Partido que Muda o Brasil (PMB) — que detém mais de 70% dos cargos de direção —, frases como esta foram proferidas e denotaram o descontamento dos filiados.

Esta opinião também ficou clara duas semanas atrás, quando foi aprovado o Programa de Reorganização do PT 2015/2016. Dirigentes descrevem o documento como a maior mudança de rumo no partido desde 2001. Naquela ocasião, durante o 22.º Encontro Nacional do PT, foi aprovada a política de alianças ampla que levou à primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.

A intenção agora é fazer o partido voltar às raízes e, assim, resgatar a imagem ética do PT, hoje desgastada com escândalos como o mensalão e a corrupção na Petrobras, alicerces do antipetismo manifestado durante as eleições de 2014. Em suma, "é preciso passar o PT a limpo", como disse Jorge Coelho, um dos vice-presidentes do partido.

Expurgo de corruptos e abertura à "nova esquerda"

Além do Programa de Reorganização, foi aprovada uma resolução proposta por integrantes da Mensagem, segunda maior corrente petista, que determina a expulsão dos filiados envolvidos em casos de corrupção. Esta foi uma das condições impostas por Lula para carregar pela sexta vez a bandeira petista em uma eleição presidencial.

A caça aos petistas corruptos pelo próprio PT já começou. Na última semana, a bancada do partido na Câmara recebeu orientação para votar a favor da cassação do ex-petista André Vargas. "Quando o PT pede a cassação do André, dá um exemplo concreto", disse o presidente nacional do partido, Rui Falcão.

Também estão nos planos petistas a abertura a segmentos da sociedade que, apesar do alinhamento ideológico com o PT, não encontram seu lugar nas engrenagens do partido — hoje, esses espaços são tomado pelos grupos que fazem a disputa interna.

Tal abertura se estende à juventude, que terá uma agenda renovada, com propostas para cultura, ocupação das cidades e questões comportamentais, e à "nova esquerda", com efetiva reaproximação de movimentos historicamente ligados ao partido. Na avaliação do deputado José Guimarães (CE), outro vice-presidente petista, "o PT tem uma estrutura velha para este novo momento." Por esse motivo, Lula orientou os senadores Lindbergh Farias (RJ), Humberto Costa (PE) e Jorge Viana (AC) a percorrer o País atrás de líderes que participaram dos protestos de junho de 2013 e que se mostraram resistentes a se filiar a partidos.

Outra mudança significativa é a forma de financiamento de campanha. Hoje, existe uma dependência excessiva do dinheiro vindo de empresas — inclusive esta é uma das críticas de Lula. Uma das opções ao fim das doações privadas é a realização de campanhas para incentivar doações de pessoas físicas.

Lula, o candidato de 2018

As mudanças propostas pelos petistas insatisfeitos é essencial para engatilhar a candidatura de Lula na disputa pelo Palácio do Planalto em 2018. Mesmo antes do resultado da eleição presidencial de 2014, Lula disse a pessoas próximas que tinha certeza de que seria lançado candidato à sucessão de Dilma Rousseff. Assim, o ex-presidente já foi escalado pelo PT e, a partir de agora, deve intervir cada vez mais — mas em doses homeopáticas — no governo Dilma Rousseff.

A economia, que não apresenta bons índices há algum tempo, é uma das arenas de atuação. Lula insistiu para que Dilma trouxesse um nome do mercado para a equipe econômica, assim como ele trouxe Henrique Meirelles, então deputado eleito pelo PSDB, para o Banco Central. Dilma, por sua vez, nomeou Joaquim Levy, funcionário graduado do Bradesco, como ministro da Fazenda.

Aos poucos, Lula pavimenta seu nome para 2018. Mas um obstáculo pode atrapalhar os planos: a esposa. De acordo com assessores próximos, Marisa Letícia tem dito que aceita qualquer coisa, menos a volta à condição de primeira-dama.

(Com Estadão Conteúdo)