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11/12/2014 17:57 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Operação Lava Jato: Ministério Público denuncia 35 pessoas e promete pedir ressarcimento de R$ 1 bilhão na Justiça

Montagem/Estadão Conteúdo

O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) encarregada da Operação Lava Jato, afirmou nesta quinta-feira (11), em Curitiba, que se estima que o esquema denunciado desviou R$ 300 milhões. Segundo o MPF, o valor mínimo de ressarcimento é de R$ 1 bilhão.

Dallagnol afirmou que fazem parte da denúncia que está sendo oferecida pelo MPF à Justiça o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef. De acordo com o procurador da República, a lavagem de dinheiro era processada em dois momentos. No primeiro, os recursos iam das empreiteiras para os operadores financeiros. Depois, no segundo momento, os operadores os repassavam para os beneficiários finais.

As denúncias envolvem 35 pessoas, disse Dallognol, que ressaltou que as empresas simularam ambiente de competição em licitações da Petrobras e se reuniam de forma secreta para escolher os vencedores. As empresas com executivos denunciados são OAS, Camargo Corrêa, UTC Engenharia, Galvão Engenharia, Mendes Júnior, Engevix.

Segundo Dallagnol, primeiro o dinheiro circulava por meio de saques e entrega em espécie, pagamentos no exterior e contratos simulados com empresas de fachada controladas por operadores financeiros. Dos operadores financeiros, afirmou, era retirado de três formas: em espécie, remessas ao exterior e pagamento de bens. Ele disse que o principal esquema de lavagem de dinheiro que foi objeto das acusações foi a formulação e assinatura de contratos de fachada entre empreiteiras e empresas fictícias controladas por operadores financeiros.

“Os serviços prestados nunca existiram porque as empresas eram de fachada; três delas não tinham nenhum empregado ou tinham apenas um”, declarou. Conforme Dallagnol, os controladores dessas empresas reconheceram que os serviços jamais foram prestados. “Há um conjunto de evidências muito forte que mostram que esses serviços só existiam no papel”, reiterou.

Acusações

Dallagnol disse também que as investigações não param por aqui e novas acusações virão. “Posso garantir que mais acusações virão”, disse. “Inclusive de improbidade contra empresas cartelizadas”. Ele também afirmou que continuam a ser investigados crimes de cartel e fraude em licitação.

Segundo o procurador, outras empresas investigadas na Lava Jato podem ser incluídas em novas denúncias a serem oferecidas e não há hipótese de 'acordão'. “Empresas corruptores precisam ser punidas de forma firme para que não pratiquem corrupção novamente”, disse. Dallagnol reafirmou ainda que a Petrobras é vítima do esquema e está contribuindo com as investigações, fornecendo dados em tempo recorde, segundo ele.

Indagado sobre quando outras denúncias serão oferecidas, Dallagnol disse que o Ministério Público iria falar apenas sobre as denúncias já apresentadas e não sobre as que ainda serão oferecidas. Ele disse o MPF assinou um termo de confidencialidade sobre as investigações feitas na Suíça, com exceção à parte relacionada ao ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa.

O chefe da Coordenação de Pesquisa e Investigação da Receita Federal, Gerson Schaan, que também estava na coletiva, disse que há indícios também de crime contra a ordem tributária.

Veja a lista dos principais nomes denunciados:

Alberto Youssef

Paulo Roberto Costa

Waldomiro de Oliveira

Carlos Alberto Pereira da Costa

João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado

Enivaldo Quadrado

Sérgio Cunha Mendes

Rogério Cunha de Oliveira

Angelo Alves Mendes

Alberto Elísio Vilaça Gomes

José Humberto Cruvinel Resende

Antonio Carlos Fioravante Brasil Pieruccini

Mário Lúcio de Oliveira

Ricardo Ribeiro Pessoa

Jayme Alves de Oliveira Filho

Adarico Negromonte Filho

José Adelmário Pinheiro Filho, Leo Pinheiro

Agenor Franklin Magalhães Medeiros

José Ricardo Nogueira Breghirolli

Fernando Augusto Stremel Andrade

João Alberto Lazzari

Gerson de Mello Almada

Carlos Eduardo Strauch Albero

Newton Prado Junior

Luiz Roberto Pereira

Erton Medeiros Fonseca

Jean Alberto Luscher Castro

Dario de Queiroz Galvão Filho

Eduardo de Queiroz Galvão

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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