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09/12/2014 22:24 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Após polêmica e pedidos de cassação, Jair Bolsonaro diz que colocou Maria do Rosário ‘na latrina' da história

BETO NOCITI/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Em um País em que o estupro é um dos carros-chefe da violência contra a mulher – mais de 50 mil estupros registrados, segundo o 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública –, qualquer apologia favorável a esse crime é digna de escrutínio. Mas foi exatamente isso que fez o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) contra a deputada petista Maria do Rosário (RS).

Após toda a polêmica que tomou conta do noticiário e das redes sociais - "eu disse que não ia estuprar você porque você não merece", disse o parlamentar do PP -, Bolsonaro se pronunciou sim, mas não com traços de arrependimento. Muito pelo contrário. O parlamentar, eleito por mais de 464 mil eleitores fluminenses, disse ter colocado a ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos “em seu devido lugar, ou seja, na latrina da história”.

Mais de 23 mil curtidas e outros 8,5 mil compartilhamentos até as 22h desta terça-feira (9) demonstram que há quem veja com bons olhos tal discurso de Bolsonaro. Entretanto, o repúdio ainda foi maioria, a começar pela própria deputada Maria do Rosário, que já havia sido alvo de Bolsonaro em outra oportunidade. E ela não deixou barato.

“Já fui agredida além da conta. Não aceitarei que talvez palavras que ele usava em algum lugar da tortura, porque essas ameaças são típicas de quem fala em tortura. Não aceito que isso seja dito contra mim ou contra qualquer mulher”, disse a petista.

Não foram poucos os parlamentares que se levantaram contra as palavras de Bolsonaro, a começar pelo líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, Vicentinho (SP). “Alguém que de certa forma estimula o estupro e desrespeita uma deputada - ele já ameaçou bater nela outra vez - agora fazer isso, requer da nossa bancada uma posição firme”, afirmou, apontando para a possibilidade do partido entrar com uma representação contra ele – o que se confirmou horas mais tarde.

Outro partido a entrar com uma representação foi o PCdoB. A líder da sigla, deputada Jandira Feghali (RJ), se mostrou indignada com as palavras do parlamentar. “Ele (Bolsonaro) já se reconhece como torturador e agora se auto-reconhece como estuprador”, comentou. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), também criticou Bolsonaro e disse que a Câmara “não pode ter esse tipo de comportamento”.

Repúdio também nas redes

A classe política, jornalistas e cidadãos não pouparam críticas ao discurso de Bolsonaro, como mostram algumas postagens, em quase a sua totalidade críticas à conduta dele. Já há até uma petição online pedindo que o deputado seja mandado para o Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar.

Até mesmo quem está acostumado a fazer piada com o noticiário político brasileiro resolveu se pronunciar sobre a postura do parlamentar do PP.