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09/12/2014 11:50 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

7 maneiras comprovadas de evitar o esgotamento dos cuidadores de idosos

ASSOCIATED PRESS
Alzheimer's patient Dorothy Eckert and her husband John Eckert's hold hands at their home in Norristown Pa., Thursday, April 19, 2007. (AP Photo/Matt Rourke)

Existe algo mais estressante que cuidar de uma pessoa querida que está doente ou perto de morrer? É uma carga pesada, por mais que possa ser assumida de bom grado, e frequentemente leva o cuidador a abrir mão de sua qualidade de vida para atender às necessidades do outro. É uma fórmula para gerar estresse intenso, exaustão e até problemas de saúde. A seguir, algumas dicas para ajudar cuidadores a evitar a exaustão total.

Não encare a tarefa sozinho.

Peça ajuda. Existem algumas tarefas na vida que simplesmente não devem ser encaradas sozinho, e cuidar de um ente querido é uma delas. Se a pessoa que precisa ser cuidada é seu pai ou sua mãe, todos os irmãos precisam ajudar, independentemente de onde vivem ou de sua situação financeira. Contudo, uma dinâmica mais típica que frequentemente emerge entre irmãos adultos é que um deles acaba se tornando o cuidador principal, e os outros se acomodam, segundo o National Center on Caregiving (Centro Nacional de Cuidadores). E em 66% dos casos, quem o faz é mulher.

Quando os irmãos não dividem a carga, surgem ressentimentos entre eles, e as relações de família podem deteriorar rapidamente. Conflitos antigos voltam à tona, alegações de falta de condições financeiras são contestadas e ouvem-se frases do tipo “Mamãe sempre gostou mais de você mesmo”. Vale notar que apenas 10% dos cuidadores principais acham que a carga de cuidar de seus pais é distribuída de modo justo. E 50% deles dizem que nunca quiseram cuidar de seus pais –simplesmente acabaram se vendo na obrigação de encarar a tarefa.

Então qual é a solução quando um irmão mora a grande distância, outro alega não ter condições financeiras de ajudar e um terceiro tem sua carga própria de problemas de saúde e financeiros? A especialista em cuidado de idosos Barbara McVicker diz que é preciso ser firme: “Afirme sua posição com clareza. Convoque uma reunião de família e diga: ‘Há cinco tarefas que precisam ser feitas esta semana. Quais delas você vai fazer (ou vai pagar para que alguém faça)?’ Segundo a especialista, protagonista do especial da TV PBS “Stuck in the Middle: caring for Mom and Dad”, o lado negativo de não contribuir é que isso pode gerar desentendimentos de longo prazo entre os irmãos. O conselho dela: informe seus irmãos adultos do que está em risco – ou seja, a sobrevivência futura de toda a estrutura familiar.

Vale notar que, para um filho que more a mil quilômetros e queira contribuir com dinheiro, não há nada de errado em usar um pouco desse dinheiro para contratar um cuidador para ficar com Papai ou Mamãe enquanto o irmão cuidador principal tira algumas horinhas de folga. Se o filho morasse na mesma região, ele poderia vir cuidar de seus pais pessoalmente.

Lembre-se que seu trabalho tem valor.

Somos uma nação de pessoas que associam seu valor ao que ganham monetariamente, e cuidar de idosos com frequência é um trabalho que não é pago. De acordo com um estudo do Instituto de Políticas Públicas da AARP (Associação Americana de Aposentados), em 2009 os serviços de cuidadores foram avaliados em US$450 bilhões por ano. Quanto representa esse valor? É tanto quando as vendas conjuntas das três maiores montadoras de carros dos EUA (Toyota, Ford e Daimler: US$439 bilhões) e quase tanto quanto o PIB de 2009 da Bélgica, a vigésima maior economia do mundo.

Não abandone seu trabalho principal.

Um problema muito concreto enfrentado por cuidadores é que as empresas para as quais eles trabalham podem não ter ideia do que envolve cuidar de um pai ou mãe idoso. Você precisa de tempo para levar sua mãe ao médico e esperar enquanto ela faz uma ressonância magnética. Você usa o horário do almoço para buscar os remédios dela da farmácia. Durante o dia você precisa fazer ligações para saber como seu pai está indo, para conversar com o médico dele e discutir com o Medicare. Sem o apoio de uma empresa que lhe permita um horário de trabalho flexível, alguns profissionais não têm outra escolha senão abrir mão de seu emprego. De acordo com a Caring.com, três em cada quatro cuidadores ou não trabalham ou tiveram que mudar sua situação de emprego para cuidar de seus entes queridos.

A Aliança Nacional de Atendimento a Idosos e Doentes e o Centro de Envelhecimento Produtivo constataram que profissionais que estão lidando com o cuidado de idosos precisam tirar tempo substancial do trabalho para isso: 80% dos cuidadores usam parte de seu dia de trabalho para organizar o cuidado ou checar como andam as pessoas que eles cuidam, 70% tiram dias de trabalho para isso e 64% chegam tarde ou saem cedo do trabalho para dar conta de suas tarefas.

Mas McVicker aconselha as pessoas a pensar duas vezes antes de abrir mão de seu trabalho. “Ser um ‘bom filho’ pode não ser a escolha mais sábia”, ela disse, “e saiba que haverá consequências.” Ao deixar de trabalhar antes do previsto, você pode estar colocando sua própria aposentadoria em risco. De acordo com um estudo do Metlife Mature Market Group e da Aliança Nacional de Cuidadores, as mulheres que abandonam o trabalho precocemente para cuidar de outras pessoas perdem estimados US$324 mil em salários, pensões, aposentadorias e benefícios.

Quanto aos empregadores, os inteligentes percebem que perder profissionais experientes em função de uma crise pessoal deles não é a melhor opção. Algumas firmas permitem horários de trabalho mais flexíveis ou deixam seus profissionais trabalhar em casa quando preciso, para que possam cuidar de seu familiar idoso. E há a Lei de Licença Familiar e Médica, que prevê que os funcionários possam ter até 12 semanas de licença não remunerada por ano, sem perigo de perder seu emprego. Uma empresa conhecida pelos ótimos benefícios que oferece a seus funcionários em várias fases da vida é a firma de tecnologia SAS, que tem um assistente social em seu departamento de Trabalho e Vida dedicado exclusivamente a ajudar funcionários que estejam cuidando de familiares idosos. E os funcionários podem fazer uso gratuito de equipamentos do Setor de Cuidados da Empresa, que possui um estoque de cadeiras de rodas, muletas, assentos de chuveiro e andadores.

Ingresse numa rede de apoio – e procure um mentor.

Embora seja ótimo conseguir sair de casa e encontrar seus amigos, nem sempre é o caso de desabafar com eles. O tempo que você passa com eles deveria ser para você se divertir um pouco e pensar em outra coisa; falar sobre coisas tenebrosas pode fazer o clima pesar um pouco. Não estamos sugerindo que você não faça confidências a seus amigos ou os consulte para saber sua opinião, mas talvez seja melhor deixar para reclamar de seu irmão que não quer ajudar ou do Medicare, que o está deixando maluco, em um grupo de apoio. Quando você tem uma noite de folga, procure usá-la para se divertir. Não leve o estresse de carona.

Um grupo de apoio pode ser um ótimo lugar para encontrar incentivo e conselhos de outras pessoas que vivem a mesma situação que você. Procure um mentor, alguém que já percorreu esse caminho antes de você e conheça os atalhos. Estar preparado para o que está pela frente ajuda muito a impedir que as coisas saiam de seu controle emocional.

Informe-se sobre a realidade de cuidar de idosos e doentes.

Organizações como a Cruz Vermelha e a Alzheimer's Association oferecem aulas sobre o cuidado de idosos, e hospitais locais podem ter aulas específicas sobre a doença que seu ente querido está enfrentando. McVicker sugere que você procure um grupo de especialistas antes de ocorrer uma crise – pessoas cujas credenciais você verifica e com quem você já cria uma relação. Entre elas devem figurar profissionais financeiros, jurídicos e médicos, um administrador de atendimento geriátrico, um provedor de cuidados em casa e recursos locais de sua comunidade quem possam lhe dar ajuda com refeições, transporte e realização de tarefas.

Encontre modos de comunicação coletiva.

É claro que todo o mundo quer saber como foi a cirurgia da Mamãe e se ela está se recuperando bem. Mas você não tem tempo para fazer um relatório longo ao telefone com cada um dos irmãos e interessados. Além disso, repetir a mesma história várias vezes é altamente cansativo. Use um site como CaringBridge para comunicar-se com todos ao mesmo tempo. E leia os comentários e os votos de recuperação rápida quando for o melhor momento para você.

Encontre o lado positivo oculto no que você está fazendo.

A Caring.com diz que 75% dos cuidadores informam sentir orgulho por estarem fazendo uma diferença positiva na qualidade de vida de um ente querido. Curta os momentos que você tem na companhia de seu familiar idoso, procure maneiras para incluí-lo em suas rotinas diárias e em encontros com outras pessoas. Crie o maior número possível de memórias.

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