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08/12/2014 12:32 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Duas em cada três metas do prefeito Fernando Haddad estão abaixo dos 50% de execução

WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO

Prestes a completar dois anos na Prefeitura de São Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) está longe de cumprir as metas prometidas por ele durante a campanha eleitoral em 2012 e confirmadas ao tomar posse no início de 2013. Dos 123 compromissos anunciados, 81 - dois em cada três - estão abaixo dos 50% de execução. E, dessa lista, metade nem sequer atingiu o índice de 25% de realização. O levantamento foi publicado nesta segunda-feira (8) pelo jornal O Estado de S.Paulo.

O ritmo lento de investimentos afeta áreas prioritárias como Saúde, Educação, Mobilidade e Habitação. A combinação entre um plano de governo ambicioso, estimado em R$ 24 bilhões, e a tradicional lentidão da máquina pública, dá a Haddad a marca de 16 metas cumpridas até agora.

A Assistência Social tem cinco compromissos com realização abaixo de 25% e a Saúde está com todos na marca vermelha, com menos de 50% das medidas concluídas.

Entre as obras prometidas com dificuldade de sair do papel, estão 3 hospitais, 150 quilômetros de corredores de ônibus, 243 creches, 20 Centros Educacional Unificado (CEUs) e 55 mil moradias populares.

Com o sinal vermelho aceso, o prefeito determinou uma data máxima para assinar contratos e dar ordem de serviço de projetos considerados urgentes: junho de 2015. Restarão então 18 meses para o fim de seu mandato e, segundo Haddad, seria tempo suficiente para finalizar se não todas, pelo menos as obras mais importantes de seu plano de investimento, calculado em R$ 24 bilhões.

As 55 mil unidades habitacionais prometidas estão nessa lista. Por enquanto, a Prefeitura entregou 3,6 mil, ou somente 7%.

"Tem pessoas que estão há mais de dez anos na fila por uma casa. Entendo que habitação não é uma coisa que surge de um dia para o outro, mas não podem ficar em projetos, sem prazo de conclusão", diz Douglas Gomes, um dos líderes do Movimento Sem Teto de São Paulo (MSTS).

A construção de corredores de ônibus também está demorando a sair do papel. De acordo com Haddad, hoje estão em obras 37 dos 150 km prometidos. E o projeto já foi alterado, deixando de fora a obra anunciada na Avenida 23 de Maio. Os seis trechos que seguem em licitação, como o corredor da Radial Leste, são os projetos mais caros planejados pela administração. Juntos, eles custam R$ 2,4 bilhões.

Mas, apesar do ritmo, o engenheiro de trânsito Horácio Augusto Figueira afirma que, em dois anos de governo petista, houve avanços em pontos importantes que ajudaram a melhorar o trânsito da capital. "Se eu fosse comparar com as gestões anteriores, a nota do Haddad seria superior. Os antigos prefeitos ‘chutaram’ o transporte coletivo", analisa. Os 367 km de faixas de ônibus foram essenciais para essa melhora.

Cadê as creches?

Na semana em que a fila por uma vaga em creche bateu recorde histórico, somando 187 mil crianças, a Secretaria de Educação informou que há 9 creches em construção. Outras 49 estão em processo de licitação - Haddad prometeu entregar 243 até o fim da gestão.

"O prefeito se comprometeu a abrir 150 mil vagas em creches. Para isso, precisa de todas essas creches e mais ainda. Se medidas urgentes não forem tomadas, ele não vai chegar", diz Salomão Ximenes, da Ação Educativa.

"Não jogamos a toalha", diz Haddad.

"O que eu posso dizer é que nós não jogamos a toalha em relação a nenhuma das 123 metas. Pode ser que daqui a um ano eu fale que essa ou aquela (meta) está mais difícil", afirmou Haddad em entrevista à TV Estadão na semana passada.

Mas a intenção, segundo o prefeito, é tentar cumprir todas as metas ou o máximo possível da lista. "Veja a área de Habitação, que é uma das mais difíceis. Entregamos quase 4 mil, das 55 mil prometidas. Mas agora temos Minha Casa Minha Vida (programa federal) em São Paulo. Temos terreno para 70 mil unidades. Sei que 55 mil é um número audacioso, mas pode cobrar que, em junho de 2015, vamos ter todas as unidades em execução", afirmou.

Segundo Haddad, 150 km de corredores de ônibus estarão em obras até a metade do ano que vem. Ele também acredita que conseguirá inaugurar dois hospitais já licitados - Parelheiros, na zona sul, e Brasilândia, na zona norte - e o Hospital Santa Marina, também na zona sul, comprado por sua gestão. Já a unidade de Vila Nhocuné, na zona leste, só está em projeto.

Análise

"O resultado é aquém do esperado. Mas vale registrar que a Prefeitura de São Paulo enfrentou obstáculos que fugiram de seu controle", afirmou o cientista político Marco Antonio Teixeira, professor do curso de Administração Pública da FGV-SP. "Em relação aos corredores e às unidades habitacionais, por exemplo, tanto o Ministério Público Estadual como o Tribunal de Contas do Município questionaram parte dos planos e atrasaram suas ações. Todavia, esperava-se mais, especialmente na saúde, onde as filas por consultas e exames ainda é bastante longa."

Desde 2008, uma emenda à Lei Orgânica do Município exige que o prefeito eleito apresente um plano de trabalho que deve estar vinculado ao programa de governo escolhido nas urnas. Realizá-lo, no entanto, não é obrigação legal.

Na gestão passada, por exemplo, o então prefeito Gilberto Kassab (PSD) cumpriu só a metade do seu plano de metas.

Com Estadão Conteúdo.

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