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07/12/2014 04:45 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Natal 2014: Comércio prevê o menor crescimento de vendas para a época em três anos por causa de inflação e juros altos

CRIS FAGA/FOX PRESS PHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

O movimento começa a ficar mais intenso nos shoppings das grandes capitais e no comércio de rua neste primeiro fim de semana de dezembro. Em regiões populares como a rua 25 de Março, no centro de São Paulo, milhares de pessoas tomaram conta das lojas e galerias neste sábado (6), atrás de presentes.

Apesar da movimentação crescente, típica de fim de ano, este será um Natal mais modesto para as famílias brasileiras. O varejo estima um crescimento de 2,3% nas vendas, em relação ao mesmo período do ano passado.

É um índice muito inferior ao registrado nos anos anteriores, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

2014: + 2,3% (expectativa)

2013: + 5,1%

2012: + 8,1%

Neste semestre, a CNC já reviu duas vezes para baixo a projeção de aumento nas vendas.

"É uma desaceleração expressiva [do comércio], principalmente por causa do encarecimento do crédito e da inflação alta", afirma ao Brasil Post o economista Fabio Bentes, da CNC.

Os juros reais das instituições financeiras, impactados pelas sucessivas altas da taxa Selic, acabam interferindo no planejamento dos consumidores que compram a prazo.

"Juro alto pega em cheio produtos que são bastante consumidos no Natal e comprados em prestações, como eletro-eletrônicos, móveis e eletrodomésticos", explica Bentes.

Com juro mais alto, fica mais difícil tomar empréstimo ou conseguir pagar o custo do crédito.

Por isso, os brasileiros estarão mais cautelosos na hora de comprar presentes. A meta é encontrar produtos mais em conta e pagar em menos prestações.

E, claro, o jeito vai ser procurar muito antes de "mandar embrulhar". A busca por descontos será incessante na internet e no comércio popular.

"O consumidor está receoso de assumir novas dívidas, até porque no passado recente fez muitas", observa Bentes. "Então, tem que honrar a prestação do crédito imobiliário, a parcela do carro; tudo isso compromete o orçamento das famílias."

Este é o dado favorável de projeção da CNC: o nível de inadimplência não sobe. Atualmente, está em 6,6%.

Faturamento

O comércio vai movimentar R$ 31,5 bilhões neste Natal.

O segmento de vestuário e o de hiper e supermercados respondem, juntos, por mais de 60% do faturamento do setor.

De acordo com projeções da CNC, gastos com roupas e calçados ficarão na ordem dos 33% e com alimentos e produtos de mercados, quase 30%.

O terceiro segmento com maior volume de compras será o de eletro-eletrônicos, brinquedos e materiais esportivos, que representa 15% das compras de Natal.

A maior alta nas vendas é esperada pelos donos de farmácias e perfumarias: um incremento de 9,3% em relação ao Natal de 2013.

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