NOTÍCIAS
05/12/2014 23:10 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Aécio Neves reproduz discurso 'nós contra eles', de Lula, e convoca indignados para protesto contra a corrupção em São Paulo

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) está se empenhando em uma oposição contundente e sistemática ao governo de Dilma Rousseff, que o derrotou na campanha eleitoral deste ano.

O tucano fez nesta semana críticas permanentes ao projeto de lei que mudou a meta fiscal do governo e detonou o decreto de Dilma que condicionava liberação de emendas parlamentares a essa votação.

Agora, Aécio está adotando o discurso "nós contra eles" — o mesmo que ele criticou na campanha, que foi encampado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na propaganda, ele falava em unir o País e não "dividir", tática do bunker de Dilma, que colocou em lados opostos "elite" e "povo", empresários e trabalhadores, banqueiros e contribuintes.

No vídeo acima, postado no Facebook, Aécio diz que é hora de usar as armas que "nós temos, e eles não têm": "a capacidade de nos mobilizarmos e sobretudo a capacidade de continuarmos lutando para mudar o Brasil".

Na gravação, Aécio convoca os brasileiros indignados com a corrupção para um grande protesto em São Paulo neste sábado (6).

É, segundo ele, uma nova edição do "Vem pra Rua", que começou com as jornadas de junho.

O senador argumenta que o escândalo da Petrobras é o maior caso de corrupção do País: "não para de crescer; não era apenas na Petrobras".

Nesta sexta-feira (5), o Jornal Nacional mostrou que a Justiça Federal encontrou indícios de crimes de propina em outras empresas públicas.

O alerta é feito com base em uma planilha com mais de 700 obras públicas, encontrada com o doleiro Alberto Youssef, uma das principais figuras do esquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos descoberto pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Aécio aproveita para capitalizar seu potencial de opositor número 1 de Dilma, ao longo dos próximos quatro anos, e convoca os descontentes:

"Vamos portanto pacificamente, respeitando os limites da democracia, para as ruas", insta, sugerindo que manifestação pode, mas sem pedir impeachment, como vêm fazendo

Os manifestantes vão se encontrar em frente ao Masp (Museu de São Paulo), às 15h, no sábado (6).

Mais de oito mil pessoas já confirmaram presença no evento pelo Facebook.

LEIA MAIS:

- Senador Cristovam Buarque ataca 'irresponsabilidade' de Dilma e do Congresso Nacional por mudança na meta fiscal do governo

- Polícia Federal indicia 33 por cartel de trens em São Paulo, o 'trensalão'