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02/12/2014 12:44 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Sangria continua: Alvo dos movimentos sociais, Kátia Abreu entra na mira do frigorífico JBS, o maior doador das eleições de 2014

Montagem/Estadão Conteúdo e Thinkstock

A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) conta os dias para ser anunciada oficialmente como a nova ministra da Agricultura. Até lá, a sangria deve continuar, e agora com um novo personagem: o frigorífico JBS, da marca Friboi, que foi o maior doador de campanhas nestas eleições. A senadora é desafeto antigo do empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo, e ele vem se movimentando contra a indicação da presidente Dilma Rousseff (PT).

Batista esteve na quarta-feira (26) com o chefe da Casa Civil do governo, Aloizio Mercadante, com quem tratou do tema em uma reunião reservada, fora da agenda oficial do ministro. Dono do maior frigorífico do mundo, o empresário tenta impedir que Kátia, presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), faça valer a sua liderança no setor a favor do frigorífico Minerva, concorrente do JBS, responsável por uma doação de R$ 100 mil para a senadora, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O valor é pequeno perto dos R$ 352 milhões gastos pelo JBS nestas eleições, com R$ 69,2 milhões foram destinados à campanha de Dilma à reeleição. Também desembolsou R$ 61,2 milhões aos postulantes a uma vaga na Câmara dos Deputados e R$ 10,7 milhões aos candidatos ao Senado. Segundo o site Contas Abertas, até o presidenciável tucano Aécio Neves recebeu R$ 50,8 milhões do frigorífico de Batista.

A rusga entre a senadora e o JBS é ainda mais antiga. Como representante dos pecuaristas, a senadora assumiu uma posição de ataque à empresa de Batista. Os criadores de gado temem a concentração de mercado que a empresa exerce cada vez mais, influenciando no valor da carne vendida por eles. O grupo JBS é responsável por cerca de 20% do abate bovino no País. O peso do frigorífico na formação de preço é uma das explicações para a acidez da senadora contra a empresa.

O clima entre Kátia e Batista ficou ruim principalmente depois que a senadora acusou de antiética a campanha publicitária do JBS sobre a segurança sanitária representada pela Friboi. Em discurso no Congresso, em agosto de 2013, a senadora protestou: “Vá e diga que a sua carne é boa, que tem boa qualidade, que é produzida em frigoríficos de primeira. Mas não diga que é a única que o povo brasileiro pode comer”, afirmou. O discurso você pode assistir abaixo:

Influência

Em um passado recente, o Ministério da Agricultura acumula uma série de decisões favoráveis ao JBS. Todas adotadas pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), cujo titular, Rodrigo Figueiredo, é apadrinhado do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). Um financiamento polêmico de R$ 7 bilhões do BNDES dado ao grupo JBS, duramente criticado pela senadora e presidente da CNA, também inflamou as relações entre ela e Batista.

Em nota enviada ao jornal Folha de S.Paulo, a assessoria do JBS negou qualquer mal-estar ou tentativa de influenciar na indicação de Kátia Abreu para a pasta agrícola.

A resistência do JBS vem se juntar às reclamações do PT e de movimentos sociais contra Kátia Abreu. Na lista de insatisfeitos reúne os mais diferentes campos ideológicos. A conservadora União Democrática Ruralista (UDR), por exemplo, também é contra a indicação. Já o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) chegou a invadir uma fazenda em protesto contra a indicação.

Segundo o jornal o Estado de S. Paulo, as resistências não farão Dilma mudar de ideia. Kátia Abreu vai ser anunciada oficialmente ministra da Agricultura – algo que já está decidido há algumas semanas por Dilma, segundo assessores do Planalto – logo após o dia 15 de dezembro. É que nessa data ela tomará posse como presidente reeleita da CNA – se fosse indicada ministra antes, não poderia assumir o cargo na entidade de classe.

(Com Estadão Conteúdo)

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