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02/12/2014 18:39 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Fernando Haddad exalta IPTU, critica oposição e desconversa sobre reeleição e aumento da tarifa do transporte público

JOSÉ PATRÍCIO/ESTADÃO CONTEÚDO

O prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) esclareceu dúvidas, teceu suas críticas e abordou alguns temas do noticiário e uma entrevista de aproximadamente uma hora, na tarde desta terça-feira (2), à TV Estadão. Ele também lançou algumas novidades até então desconhecidas do grande público, como o fato de voltar a lecionar em 2015.

A reportagem do Brasil Post dividiu os principais tópicos abordados por Haddad. Confira.

IPTU

O prefeito de SP voltou a afirmar que uma liminar, que vigorava desde o ano passado, foi prejudicial porque cobrou mais imposto de gente que deveria ter redução. “A nossa obrigação é devolver para aqueles que pagaram mais (cerca de 160 mil, segundo ele), a maioria pessoas de baixa renda”, disse. “Aos que não pagaram, nós vamos perdoar o débito”, emendou.

Para Haddad, toda a polêmica é responsabilidade da oposição. “Quando era governo, essa oposição fez o reajuste em 2009 e obrigou o prefeito eleito em 2012 a fazer uma revisão no seu primeiro ano de mandato. Essa mesma oposição foi à Justiça. Me parece uma contradição grande”, alfinetou.

Haddad rebateu as críticas de que o aumento do IPTU possa gerar crise em setores não residenciais, como indústrias e restaurantes. “Jânio, Erundina, Maluf, Pitta, Kassab... Com exceção do Serra (atual senador eleito pelo PSDB de São Paulo), que ficou só um ano, todos os prefeitos depois da redemocratização reajustaram o IPTU. O porcentual do Kassab (presidente do PSD, Gilberto Kassab) foi mais alto do que o meu”, argumentou.

Vale lembrar que a Câmara Municipal discute a previsão orçamentária de devolução de cerca de R$ 180 milhões para cidadãos que pagaram neste ano um valor a mais de IPTU em 2014. Se a promessa de ‘perdão’ da dívida, feita por Haddad, não sair do papel, o município arrecadará R$ 800 milhões a mais, de acordo com o relator do orçamento, vereador Ricardo Nunes (PMDB).

O prefeito, contudo, não vê como o perdão não avançar. “Não vejo porque um vereador seria contra. O imposto não foi pago não por culpa do contribuinte, mas por um desentendimento judicial”, afirmou.

AUMENTO DA TARIFA

O provável aumento da tarifa do transporte público na capital foi outro ponto abordado por Haddad. O prefeito disse que vai aguardar o resultado da auditoria independente que está sendo realizada e apenas depois irá decidir sobre o assunto, o que deve acontecer entre os dias 10 e 15 de dezembro. Sobre as ameaças levantadas por coletivos como o Movimento Passe Livre (MPL), sobre uma volta aos protestos em caso de aumento, ele afirmou não temer discordâncias.

“Nenhum debate era possível no ano passado. As pessoas estavam revoltadas também por causa da violência sofrida por policiais e manifestantes. Estamos em um ambiente de debate hoje que não se assemelha ao que aconteceu no ano passado. Acho que a tarifa possa ter sido o estopim, mas o que aconteceu se deu por conta da violência nas ruas”, disse.

Questionado se aprovaria uma tarifa metropolitana unificada, ele se disse favorável, mas argumentou que a pauta precisa ser capitaneada pelo governo do Estado, o que não ocorreu de maneira concreta até o momento.

REELEIÇÃO E MARTA SUPLICY

O tema relativo às eleições municipais de 2016 também foi abordado pelo prefeito de SP. Haddad afirmou que “não pensou ainda” se sairá candidato à reeleição daqui a dois anos. “Ao contrário dos políticos que vocês conhecem, alguns com 21 anos, eu fui apenas aos 50 anos, e a convite (...). Acho incrível ser prefeito e estou dando o melhor de mim. Gosto dessa cidade”, explicou.

O petista comentou ainda que “tem muito candidato na praça” e que “acha errado a pessoa se mover por isso”. Naturalmente, o nome da senadora e ex-prefeita da capital paulista, Marta Suplicy (PT), foi colocado em discussão, uma vez que ela indicou que quer ser candidata em 2016. Mas Haddad procurou tecer apenas elogios à companheira de partido, até por ter integrado o governo dela na Prefeitura da cidade.

“Ela é ótima e eu espero que ela fique no PT. O PT quer que Marta fique no partido, trabalhei com muito orgulho no governo dela”, opinou.

CÂMARA

Haddad falou também da sua relação com o Legislativo municipal. Ele fez questão de ponderar que “não possui maioria” na Casa. “Todos os projetos do Executivo na minha gestão são aprovados com base na negociação, no argumento, como o Plano Diretor, que coloca ordem na cidade nos próximos 16 anos”, comentou.

Segundo o prefeito, é importante respeitar o trabalho dos vereadores. “Nunca barrei uma CPI na Câmara Municipal, instala-se a CPI e eu nunca me meti em assuntos internos, porque não tenho nada a temer com relação à transparência (de sua gestão)”, argumentou.

Sobre o novo comando da Câmara em 2015, ele vê com naturalidade a permanência do PT no comando, pela questão da proporcionalidade (o partido tem 11 vereadores, a maior bancada). Ele acredita que “todos” os petistas têm condições de assumir a Casa, incluindo Antonio Donato, vereador que foi secretário de Haddad e acabou deixando o governo municipal em meio ao escândalo da Máfia do ISS.

VOLTA ÀS AULAS

Haddad relembrou que possui 20 anos de vida acadêmica, cumpridos antes de aderir à vida política. A novidade foi ele anunciar que voltará a dar aulas em 2015, mais uma vez na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. “Eu depurei os livros”, encerrou, em tom de brincadeira. Ele não deu mais detalhes sobre como se dará esse retorno à universidade.

CRÍTICOS E CRÍTICAS

O prefeito petista não poupou críticas aos que acreditam que a sua taxa de rejeição, que já chegou a ultrapassar os 50%, tenha tido influência nas candidaturas de Alexandre Padilha (governo de São Paulo) e Dilma Rousseff (Presidência da República). Haddad afirmou que vem “dando o máximo” de si e que “não faz esse tipo de discussão” quando o tema é um suposto antipetismo vasto na capital e no Estado.

“Foi a demagogia que quebrou São Paulo. Meu compromisso é a longo prazo, tenho que estruturar SP para o futuro. Vou criar meus filhos e netos aqui. Não governo olhando para indicadores. Cortei R$ 800 milhões em contratos terceirizados e ninguém divulga isso, mas não é para fazer propaganda”, disse.

Ainda no âmbito eleitoral, ele relembrou que passou por uma “eleição dificílima”, concorrendo com “dois pesos pesados”. “Concorri com candidato à presidente, que tinha sido e prefeito (José Serra, do PSDB), e uma pessoa que tem programa de televisão com altos índices de audiência (Celso Russomanno, do PRB)”, comentou.

Ele ainda criticou a perda de votos que Padilha e o PT sofreram em São Paulo na última semana das eleições, tanto no primeiro turno quanto no segundo turno, a fatores externos. Ele chegou a confundir Alberto Youssef, doleiro envolvido na Operação Lava Jato, com Hussein Aref Saab, ex-funcionário da Secretaria Municipal de Habitação na gestão de Gilberto Kassab.

“Teve a distribuição de uma revista semanal, que o Aref morreu... não foram poucas coisas”.

OBRAS E PROGRAMAS

Ele ainda falou sobre o Programa Braços Abertos, iniciativa da Prefeitura na região da Cracolândia, e procurou explicar as suas críticas à falta de policiamento na área, o que teria prejudicado o próprio programa.

“Se faz confusão entre dependente e traficante. O dependente é um problema de saúde pública, uma pessoa por vezes doente, com outros problemas associados ou não com a droga. Esse é um problema da Prefeitura. A segurança é da polícia, impedindo a entrada do traficante no fluxo. Baixou o policiamento (neste ano), basta você visitar a região e verificar, e agora estamos retomando. Foi dito isso em reunião com a PM e eles nos disseram que, por aumento de roubos, foi preciso remanejar policiamento”.

Por fim, Haddad manteve a promessa dos 150 km de corredores de ônibus até 2016, exaltou os 358 km de faixas exclusivas de ônibus (prometeu na campanha 150 km) e disse não temer cortes de recursos por parte da nova equipe econômica de Dilma. Ele reforçou a iniciativa por sustentabilidade, passando pela maior política de reciclagem na cidade, a troca de lâmpadas comuns pelas de LED em andamento, e o aumento das ciclofaixas. Isso rendeu um comentário.

“Daqui a pouco vão falar que o Bloomberg (Michael Bloomberg, prefeito de Nova York) é comunista por ter feito ciclofaixa vermelha. Tive de responder a isso na Justiça, gastei dinheiro público nisso”, revelou, de maneira irônica. O prefeito reservou ainda espaço para se mostrar favorável a uma intervenção no Elevado Costa e Silva, o Minhocão, para desativá-lo, mas que é preciso buscar alternativas antes de uma decisão mais conclusiva, seja por um parque ou pela demolição.

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