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02/12/2014 14:36 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

'A esquerda é desonesta e vagabunda', afirma Roger, do Ultraje a Rigor, em entrevista à revista Playboy

O site da VIP disponibilizou, no último dia 28, a íntegra da entrevista de Roger Rocha Moreira, da banda Ultraje a Rigor, à revista Playboy. Em mais de oito horas de conversa com o redator-chefe Jardel Sebba, o músico falou sobre sexo com Chacretes, drogas, brigas com petistas, a discussão pública com Marcelo Rubens Paiva, entre outros assuntos.

O Brasil Post selecionou alguns trechos:

Vida sexual e Chacretes

Quais são suas outras lembranças do programa do Chacrinha?

Tinha muita lenda em volta dele, das Chacretes também, de quem comeu, não comeu. A gente foi no começo, com um compacto, e não ficamos famosos de um dia para o outro por causa disso. Fomos dois anos depois, com outro compacto. Só depois do disco, com o Fantástico, a gente notou a diferença de ser reconhecido na rua, praticamente da noite pro dia. Mas a gente adorava o Chacrinha, a gente se sentia totalmente à vontade no programa. Ele tinha um controle muito rígido sobre as Chacretes. [Risos.]

Mas você comeu alguma Chacrete?

Todos nós! [Risos.] Uma para cada um. Mas tinha que sair escondido, tinha que ser em segredo, mas rolava. Era mais um fetiche, aquela coisa machista de troféu.

Mas você não foi casado por 27 anos, entre 1981 e 2008, durante tudo isso?

Durante esses 27 anos a gente teve períodos de separar e voltar. Mas a Solange fazia vista grossa para muita coisa. Tinha um certo acordo tácito para muita coisa porque ela imaginava o que acontecia, e uma vez ou outra ela até pegou. Não é nada de que eu me orgulhe, mas a oferta era muito grande.

Você comeu muita gente?

Comi muita gente. [Risos.] E tem também o imaginário das histórias do rock’n’roll. Uma vez, a gente chegou em Ilhéus, eu ainda viajava de avião, e veio uma mulherada berrando. Tinha tanta mulher que os caras do aeroporto tiveram de ajudar a gente a sair de lá.

Num caso desse, tinha algum critério de seleção?

A gente pegava a mais bonitinha. [Risos.] Em alguns lugares até tinha o lance de subir uma e descer a outra no quarto. Normalmente a gente atendia todo mundo depois do show, dava autógrafo, tirava foto, e aí a gente via as que estavam mais fáceis ali. A gente não se esforçava muito. Ou então a gente via alguma e falava para alguém “separar”. É meio canalha, mas é parte do rock’n’roll.

A oportunidade de poder comer cinco mulheres toda noite deve mexer com a cabeça de um homem, não?

Sim. Eu já tive cinco mulheres no quarto, três, mas nada muito exagerado. Eu não comia as cinco, a gente ficava ali brincando. E antes da Solange, por causa da minha educação, eu tinha uma vida sexual meio oprimida. Com uns 14, meu pai deu um livrinho pra cada um e falou: aprende aí. Ensinava desde a concepção, o pênis, a vagina, e eu pensava: “O quê? Você fez isso com minha mãe?” [Risos.] Eu aprendi com puta.

Relação com drogas

Você falou sobre como parou de fumar maconha por associar à crise de síndrome do pânico. Como havia sido sua rotina com drogas?

Minha educação era muito rígida, tinha medo de ser preso ou fazer merda, mas comecei com bolinha, inibidor de apetite, aos 18 anos. Depois veio a maconha, e de ácido eu gostava também. Tomei remédio para dormir. Experimentei cocaína, mas não gostei, tentei umas quatro ou cinco vezes, mas é uma droga muito antissocial, o barato dura muito pouco e o revertério dura a noite inteira. Pico eu nunca tomei. Nos Estados Unidos, experimentei haxixe, ópio. Foi isso, depois veio o pânico, e a maconha, que era a que eu mais gostava, começou a detonar um estado ruim, e decidi que não queria mais em 1983. O próprio Ultraje era uma droga [risos], a banda me ocupava, era o que eu tinha interesse.

Desde então teve alguma recaída?

Tive em 1990, mas logo de cara foi a mesma coisa. Como fazia tempo que não fumava, fiquei alegre, mas logo depois já vieram os sintomas de pânico e depressão. Eu já tinha parado de beber, porque também detonava o pânico.

Quer dizer, em 1985, quando saiu Nós Vamos Invadir Sua Praia, você não usava droga, não bebia e morava com a sua mãe?

E usava cabelo curto. [Risos.]

Você gostaria que sua filha crescesse num mundo em que a maconha é legalizada?

Acho que sim. Se ela quiser experimentar, que experimente logo de cara para ver qual é o barato. E agora posso informá-la com conhecimento de causa.

As outras drogas também?

Acho que sim. A legalização traria controle, e não faz sentido legalizar uma e não legalizar a outra. Mas é uma questão de cabeça, sou o filho mais velho e sempre tive essa coisa de ser o mais responsável e cuidar dos outros. Eu tinha de não ser pego nem pela polícia, nem pelos meus pais. E tinha mais medo do meu pai.

Religião e homossexualidade

Você ainda se considera católico, reza, pede a Deus?

Peço, rezo. Mas tem o conflito constante do “vai que eu não peço e ele existe”. E o medo do ridículo do “vai que eu peço e ele não existe”. Fui criado dentro dos valores cristãos, que acredito que também sejam bons. São valores para a vida em sociedade. Não roubar, não matar, não cobiçar a mulher do próximo. Eu morreria de vergonha de roubar e matar. Já até roubei umas coisinhas de supermercado, mas era muito jovem.

Mas já cobiçou a mulher do próximo, né?

Já cobicei a mulher do próximo, e não quer dizer que sou perfeito. Agora, não posso assumir minha posição sem ser xingado e de maneira injusta? Posso falar o que eu quiser, como o pastor [Silas] Malafaia pode falar o que quiser, como o comunista pode falar o que ele quiser.

Então você é contra o casamento gay?

Na verdade sou contra o casamento hetero também. [Risos.] Você diz união civil gay? Sou totalmente a favor.

Muitos cristãos dizem que não gostariam que a filha fosse ao shopping e visse dois caras se beijando. Você teria problema com isso?

Não teria, e, de maneira geral, as pessoas devem se comportar em público de acordo com o ambiente. Mesmo um casal heterossexual se pegando no shopping, não acho apropriado. Mas não teria problema nenhum minha filha ver isso, porque você não pode esconder o mundo real da pessoa. Isso acontece, existe.

Mas, por exemplo, ter uma filha gay é uma coisa que o assusta como pai?

Claro que eu preferiria que ela fosse hetero, mas porque sei que a vida do gay é mais complicada, como é complicada a vida de todos que estão fora da maioria. Eu mesmo tenho uma vida fora da maioria, e sinto que é mais complicado. Faço parte de uma minoria, um cara que se formou, que é branco e que tem dinheiro.

Não é uma questão moral, é uma questão de sofrimento?

Sim, do mesmo jeito que eu não gostaria que ela se tatuasse, porque não acho bonito, mas eu não sei o que ela vai virar.

Conservadorismo e anti-petismo

Você já falou em conservadorismo, mas hoje, quando anda na rua, ouve coisas como “reacionário” e “decadente”, que dizem de você na internet?

Isso não acontece, é mais no Twitter mesmo, que é uma coisa orquestrada. De repente eu estava falando mal do governo e sendo xingado. Aí se nota que é uma militância em ambiente virtual, perfis que são criados para xingar. Quer dizer, é um processo mesmo, um plano de poder.

Você votou no PT em algum momento?

Sim, votei nos dois pais do Supla. [Risos.]

Votaria de novo?

Não. Eu também fiz um show numa casa, isso muito no começo do Ultraje, para arrecadar fundos para o PT. Eu não compartilhava da ideologia do PT. Dou graças a Deus por estar um pouco acima do governo. Tenho meu plano de saúde, não dependo de escola pública, enfim, o governo só tira 40% do que ganho para sustentar a corte. E aqui no Brasil o pessoal tem essa ideia de corte. O cara quer ser amigo da corte ou estar na corte. Eu não estou nesse ramo, eu ganho “uma mesada”…

De direito autoral?

De direito autoral, show, do meu trabalho. O que digo é que não estou inserido nisso porque um empresário faz para mim. É por isso que praticamente ganho uma mesada. No pouco que trabalhei nos Estados Unidos fazendo donuts, vi que você entra e já tem um plano de carreira. E aqui isso não existe. O cara quer amarrar o burro na sombra, prestar concurso e ficar ali grudado no governo.

Mas isso é uma mentalidade do governo do PT ou do poder em geral?

É uma mentalidade do povo brasileiro. O que começou a me pegar no PT é que eles fazem patrulha, apontam o dedo para quem não os apoia. Além de ter o direito de pensar o que quiser numa democracia, eles usam muito a falácia de espantalho, pegar uma imagem distorcida minha ou uma frase fora de contexto e descer a lenha. Isso vem sendo colocado na cabeça das pessoas desde os anos 60, e as pessoas começam a achar que é verdade, que aqueles caras são heróis que lutaram por elas. E não, eles lutaram para instalar uma nova ditadura de esquerda.

Estamos falando de José Genoino e José Dirceu?

Deles, da Dilma, do Lula. Estamos falando de um partido que faz parte de uma associação criminosa, o Foro de São Paulo, criada pelo Fidel e pelo Lula, para instalar na América Latina o que existia na União Soviética. Isso não é uma viagem minha, está documentado.

Ditadura e briga com Marcelo Rubens Paiva

Falar em ditadura do proletariado na década de 60 era recorrente. Hoje isso faz sentido?

Hoje é que faz mais sentido. Não estou inventando essas coisas, José Dirceu foi treinar em Cuba. E isso foi infiltrado aos pouquinhos, porque viram que a revolução armada não ia dar certo, então foram pela revolução cultural. Hoje a coisa já está quase instalada aqui. Aí vem o babaca do filho do cara [Marcelo Rubens Paiva] dar pitaco, falar que o pai lutou. O pai dele foi um jornalista muito bom, mas falar que lutou por mim? Não lutou. Sou contra esse comunismo que está sendo instaurado no Brasil, e acho um absurdo que fiquem fazendo campanha contra mim. As mentiras são as mesmas que inventam contra qualquer um que não apoia PT: ele não gosta de pobre, ele é filhote da ditadura. São coisas que agridem e não são verdade.

Quais são os planos deles hoje?

Esse decreto 8423 instala no Brasil os sovietes, que seriam grupos como o MST, que teoricamente representam a população. Acontece que já temos quem represente a população, mal, que é o Congresso, mas temos. Cada pessoa tem voto, isso é democracia. De repente você tem um grupo de pessoas, e quem é esse grupo? Eu, que estou trabalhando? Não, é o desocupado, é gente com essa mentalidade. E essas pessoas vão passar a ter dois ou três votos.

Isso é um plano para acabar com o Congresso Nacional?

Muito provavelmente. É uma coisa que está na nossa cara, e quem não vai contra é quem tem uma boquinha no governo, que está ganhando Bolsa Família. É o negócio de fazer o voto de cabresto, como a Dilma faz. Então, a pessoa, coitada – às vezes nem coitada, é vagabunda mesmo –, pensa que está ganhando 200 reais e não percebe que isso é esmola. Ela poderia ganhar muito mais trabalhando. Não é que sou um herói, eu sou parte do povo, sou a favor de que o Brasil melhore para nós todos. Agora, sou um reacionário? Não, reacionários são eles, que estão apoiando o governo.

Você acredita mesmo que esse governo pode suprimir a democracia, fechar Congresso, estatizar banco?

Acredito. Mas não que consigam fazer totalmente, porque eles nem precisam mais por causa do marxismo cultural. Eles não precisam mais ir fechar o Congresso, eles dão uma mesada pro Congresso, dão um mensalão para o cara. Eu votei em tal pessoa, mas ela não me representa mais porque faz parte de uma coligação com trocentos partidos teoricamente não compatíveis e que recebem uma grana. Já está tudo feito certinho, e eles podem continuar fingindo que são uma democracia.

Mas corrupção no Congresso também não é uma coisa muito anterior ao PT?

Eu não estou falando de corrupção, só, estou falando de ideologia.

Receber uma mesada para votar com o governo é corrupção.

No comunismo, os fins justificam os meios. “Atirei em militar, joguei bomba, sequestrei, mas tudo isso é justificável porque estava lutando por um bem maior.” Esse bem maior vem de cima para baixo, como se eles soubessem o que é melhor para mim. Não sabem. Eles tentam me colocar como defensor da ditadura por ser contra o comunismo. Posso ser contra os dois. Contra ditadura de esquerda e de direita.

Quando você entra em uma discussão pública com o Marcelo Rubens Paiva e diz a ele que sua família não foi perseguida na ditadura porque “não estava fazendo merda”, não perde o limite do bom senso?

Minha família não foi perseguida, ponto. E isso é um fato. Segundo, com “não estava fazendo merda” quis ser agressivo, quis machucar. Você não pode mexer com um cara cadeirante, com um cara que o pai morreu na ditadura, com um cara que o pai é gordo, que é negro…

Mas o Rubens Paiva estava “fazendo merda”?

Um cara que tem família e resolve entrar numa luta armada para instalar o comunismo no Brasil, não acho que está fazendo o que devia. Estava apoiando guerrilheiros armados que tacavam bomba, sequestravam, porque achava que era bom para o Brasil. Ninguém deu a ele o salvo-conduto de que o que ele estava fazendo era o certo.

Ele era um congressista.

Ele era deputado e estava apoiando essas pessoas, escondia, ele já tinha sido exilado. Um cara que tinha filhos pequenos, uma mulher, você acha que ele estava fazendo uma coisa sensata? Aí é que está. Quando eu falei que estava fazendo merda, deram o sentido que quiseram. E, principalmente, deram esse sentido: de que ele estava lutando por mim. Não, não estava, porque minha família não foi perseguida, minha família não precisava de ajuda nenhuma.

"A esquerda é desonesta e vagabunda"

Você se sente um homem de direita?

Eu tenho coisas de direita e tenho coisas de esquerda. Sou a favor da legalização da maconha, não sou a favor do aborto, mas sou a favor da legalização do aborto. Isso são pontos de esquerda. Os pontos de direita, de coxinha, são que sou um cara honesto, trabalhador, que acha que o dinheiro faz bem para todo mundo.

Você está dizendo que a esquerda é desonesta e vagabunda?

Sim, e é. A esquerda é desonesta e vagabunda a maior parte das vezes. E eu tenho coisas de esquerda. Jovem é de esquerda quase que 100%. Por quê? Porque o pai sustenta. Marx viveu a vida inteira de favor, a vida inteira chupou dinheiro de um e de outro. O cara era assim.

Você leu Marx quando era jovem?

Li vários pensadores, filósofos, eu gostava disso. Marx, na juventude, eu não lembro se li, mas li vários trechos e resumos mais tarde. Mas li sobre o Marx, e isso que estou falando você sabe que é verdade. Eu realmente não tinha por que ler coisas que não me interessavam. Mas li várias biografias, resumos de biografias. O cara que tem menos, menos beleza ou dinheiro, menos o que for, acha que o mundo deve para ele. E não tem justiça no mundo. Então a gente tenta diminuir as diferenças, e o capitalismo é o que faz isso melhor em todos os sistemas. Mas sempre vai ter um que vai querer trabalhar pra cacete porque quer ser milionário. Se o cara quiser ser milionário nos Estados Unidos, ele vai ser. Se ele quiser ser pobre, ainda assim vai ter casa, comida e saúde. Aqui, não.

Em quem você vota para presidente?

Voto no Aécio, ele é o mais preparado. A Marina é uma incógnita, ela é o Lula de saia. O PT está fora de qualquer hipótese, por saber que é um partido de canalhas, apoiado por canalhas, gente que quer criar o caos de propósito para depois dizer “deixa que eu tomo conta”.

Leia a entrevista na íntegra no site da VIP.