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02/12/2014 00:18 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

PT e Aécio Neves vão brigar na Justiça após tucano afirmar que perdeu as eleições para uma 'organização criminosa'

Montagem/Estadão Conteúdo

Ao contrário da receita de oposição light do PSDB logo após as três primeiras eleições presidenciais que consagraram o PT, a ordem dos tucanos no pós-reeleição de Dilma Rousseff (PT) é alimentar as tensões no Congresso Nacional.

Candidato derrotado nesse pleito, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) desponta como o astro político que fará o possível para diminuir o brilho da estrela rival. Em entrevista à Globo News exibida no fim de semana, ele carregou nas tintas para mostrar a envergadura de sua postura combativa ao atual governo.

"Na verdade, eu não perdi a eleição para um partido político. Eu perdi a eleição para uma organização criminosa que se instalou no seio de algumas empresas brasileiras patrocinadas por esse grupo político que aí está. (...) Essa campanha passará para a História: a sordidez, as calúnias, as ofensas, o aparelhamento da máquina pública e a chantagem para com os mais pobres, dizendo que nós terminaríamos com todos os programas sociais."

A acusação de que "uma organização criminosa" venceu as eleições provocou uma revolta no PT. Nesta segunda-feira (1º), o presidente da legenda, Rui Falcão, prometeu processar Aécio.

Parlamentares petistas argumentam que o tucano é um "mau perdedor" e, por isso, ainda estaria mantendo o clima de disputa eleitoral.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), subiu na tribuna do plenário ontem (1º) para repudiar a declaração de Aécio, dizendo que "a derrota subiu à cabeça" dele.

“O candidato derrotado, que tem se sentido cada vez mais à vontade na sofrível interpretação do papel de vítima do processo eleitoral, quer agora reinventar a História ao negar que tenha perdido a disputa para a presidenta Dilma. É um caso inusitado em que a derrota subiu à cabeça, o fracasso subiu à cabeça. É uma infame ópera-bufa, essa protagonizada pelo que chamo de candidato derrotado em exercício.”

Prontamente, Aécio respondeu à decisão de Falcão de processá-lo, sugerindo que o PT peca pela omissão em investigar e punir os quadros do partido envolvidos em denúncias:

"O PT tem esse vício. Ao invés de interpelar os seus membros que cometeram crimes, como, por exemplo, na época no mensalão, os tratou como heróis nacionais. Agora, ao invés de interpelar, por exemplo, o tesoureiro do seu partido, acusado por um dos membros da quadrilha de ser uma parte desse processo, o PT quer processar o acusador, como, aliás, vão fazer com a própria Polícia Federal."

O senador se refere à acusação de que o tesoureiro do PT, José Vaccari Neto, seja o operador do PT no esquema de arrecadação de recursos da Petrobras para partidos políticos. O depoimento consta da delação de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal, preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato.

A última denúncia envolvendo o nome de Vaccari relaciona o endereço de uma cunhada dele como destinatário de dinheiro dos desvios na Petrobras.

Documentos da Lava Jato, obtidos pela TV Globo, mostram que a casa de Marice Correa de Lima era o destino de dinheiro de uma negociação entre o doleiro Alberto Youssef e um funcionário da construtora OAS.