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01/12/2014 18:47 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Ciente da rejeição, secretário de Fernando Haddad prega ‘diálogo', mas diz que subsídio ao ônibus não ficará nas costas da cidade

Luis H Blanco/AE/Estadão Conteúdo

A Prefeitura de São Paulo parece estar preparada para a rejeição que o possível aumento do transporte público na capital deve causar na população. Em entrevista concedida na tarde desta segunda-feira (1), durante evento intitulado #GabineteAberto, o secretário executivo de comunicação do prefeito Fernando Haddad, Nunzio Briguglio Filho, falou sobre a possibilidade de novos protestos, caso se confirme a subida da tarifa.

“A Prefeitura está aberta, como sempre, ao diálogo com aqueles movimentos que queiram dialogar”, comentou. “Mas o subsídio de R$ 2 bilhões (previsto para manter o aumento da tarifa, hoje de R$ 3,00) não pode recair exclusivamente sobre o município”, emendou em seguida, quando questionado se temia o retorno das manifestações capitaneada pelo Movimento Passe Livre (MPL).

O Brasil Post noticiou no último dia 20 de novembro que o MPL promete trazer de volta as chamadas Jornadas de Junho, como ficaram conhecidas as manifestações contra o aumento de R$ 0,20, oficializados em maio de 2013. Após semanas de protestos intensos, que ganharam adesão e foram reprimidos de maneira violenta pela Polícia Militar, a Prefeitura e o governo estadual retomaram o valor anterior – e atual – de R$ 3,00, que vigora desde então.

Na última sexta-feira (28), o MPL voltou a carga mais uma vez, afirmando que “o preço da passagem é uma questão política”, e criticando abertamente o Bilhete Único Mensal, que custaria R$ 400 milhões aos cofres públicos e teria uma adesão de apenas 1% dos 6 milhões de usuários do transporte público da cidade.

“Por que não se fala em tirar os lucros das empresas, ao invés de cobrar mais por um direito de todos? Desde junho de 2013, o subsídio das empresas só aumentou, sem qualquer diminuição nos seus lucros, ou mudança na forma de remuneração”, diz um dos trechos da mais recente mensagem do coletivo, que também já se mobiliza em outros municípios do País que acenam com aumentos no transporte público.

Oficialmente, Fernando Haddad aguarda a conclusão dos relatórios da consultoria Ernst&Young, contratada para fazer um levantamento independente acerca do transporte público na cidade. Com esses números em mãos é que o prefeito então deverá anunciar ou não a subida no preço da passagem, medida já esperada com base em estudos da SPTrans, empresa responsável pela administração do setor na capital.

Em postagem do fim da tarde desta segunda-feira, o MPL sugeriu que a Prefeitura " consultasse diretamente a população, quem mais entende de transporte" e que usasse os R$ 5,4 milhões pagos à consultoria independente "num fundo de custeio da Tarifa Zero", bandeira principal do coletivo que prevê transporte gratuito para todos.