ENTRETENIMENTO
30/11/2014 13:08 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:53 -02

Vincent van Gogh: 8 coisas que você (talvez) não saiba sobre o pintor

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A obra do pintor pós-impressionista Vincent van Gogh foi amplamente celebrada desde a época de sua morte, aos 37 anos, em 1890. Nos últimos anos, dois filmes premiados com o Oscar retrataram sua obra – “Sede de Viver” e “Meia-noite em Paris”—embora o artista holandês tenha morrido pensando que a pintura mais importante de sua vida era um fracasso. Diz a lenda que o artista vendeu apenas um único quadro quando vivo, e que van Gogh não era nenhuma estrela no mundo da arte. Ele passou a vida atormentado pelas dúvidas, limitado por vários distúrbios comportamentais.

Quando van Gogh terminou “Noite Estrelada”, sem dúvida uma de suas mais belas obras, o artista nem sequer a considerou boa – um sentimento que a resposta inicial do mundo parecia confirmar. No entanto, em 1941, o quadro passou a fazer parte da coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York; em 1973, um museu em Amsterdã foi inaugurado com o principal compromisso de abrigar as obras de van Gogh.

Um artigo recente da revista Vanity Fair chamou a atenção para os detalhes em torno dos últimos anos de vida de van Gogh e sua prematura morte. Da mesma forma, o The Huffington Post investigou mais sobre o desconhecido. Aqui estão oito coisas que você não sabia sobre van Gogh:

1. Vincent van Gogh aparentemente colocava velas acesas no chapéu para poder pintar à noite.

Não é totalmente certo que van Gogh tenha pintado com velas alinhadas na aba de seu chapéu de palha – em uma carta para o irmão, Theo, van Gogh menciona que “Noite Estrelada sobre o Ródano” foi pintada “na verdade sob um queimador de gás” — mas a história é repetida com frequência.

Em outra carta para o irmão, van Gogh afirmou: “Para mim parece que frequentemente a noite é muito mais viva e ricamente colorida do que o dia”. Se as histórias forem verdade, van Gogh teria buscado cafés à noite para pintar, usando seu chapéu de palha iluminado por velas ao lado de outros frequentadores. Em uma carta para o amigo e artista Anthon van Rappard, van Gogh escreveu uma fábula na qual uma vela representa uma mulher e uma mariposa um homem:

Visto apenas assim, os homens não desempenham um papel muito nobre – bem, mas isso é de fato o caso. Não se aplica em geral, no entanto, porque (...) a vela queima por causa da mariposa? Se alguém soubesse a resposta – bem, então – poderia valer a pena cometer suicídio dessa forma.

Imagem: Flickr user Asia Datnova

2. Apesar de se acreditar que Vincent van Gogh cometeu suicídio, ele pode ter sido assassinado.

Os biógrafos Steven Naifeh e Gregory White Smith, vencedores do Prêmio Pulitzer, lançaram em 2011 o livro Van Gogh – A Vida (Companhia das Letras), onde argumentam que van Gogh não teria se suicidado, mas sido assassinado por um adolescente valentão da cidade. Especialistas em história da arte não estão completamente convencidos dessa teoria – o Museu Van Gogh em Amsterdã ainda descreve a morte do pintor como um suicídio confirmado –, mas a revista Vanity Fair publicou um artigo em novembro deste ano com a opinião de um cientista forense, que vê com ceticismo a possibilidade de que van Gogh tenha se matado com um tiro, devido à incapacidade do artista em segurar a arma tão próxima ao corpo e a ausência de queimaduras em suas mãos.

Como destacado no livro de Naifeh e Smith, a arma nunca foi encontrada; o cavalete que van Gogh disse estar utilizando para suas pinturas nunca foi recuperado; e a caminhada que van Gogh afirma ter feito de um campo de trigo até uma pousada onde estava hospedado é inacreditavelmente longa para alguém com um ferimento mortal (cerca de 1,6 quilômetro). Apesar de baseados em especulações, os autores também argumentam que os quadros de van Gogh na época de sua morte eram muito alegres, e que o pintor deixou claro que era contra o suicídio em várias cartas.

Mesmo não sendo relevante, a ideia de que van Gogh se suicidou partiu dele mesmo, já que na pousada o artista alegou que queria morrer e recusou ajuda médica, dizendo para seu irmão, “A tristeza vai durar para sempre”.

Images: WikiCommons

3. Outra pessoa pode ter cortado a orelha de Vincent van Gogh.

Primeira coisa, a orelha de van Gogh não foi totalmente removida. Uma parte do lóbulo de sua orelha esquerda foi cortada. De acordo com uma reportagem do Le Petit Journal, apenas três dias após o incidente, van Gogh de fato ofereceu uma parte do lóbulo para uma prostituta, mas se ele mesmo cortou sua orelha é altamente questionável.

Van Gogh estava vivendo com o amigo e artista francês Paul Gauguin na época do ocorrido. Gauguin era um perito em esgrima. Os dois muitas vezes tinham brigas violentas, e a noite que o lóbulo da orelha de van Gogh foi cortado não foi uma exceção. Apesar de os dois alegarem que van Gogh teria cortado parte de sua orelha sozinho, isso pode ter sido uma história para encobrir a vergonha do artista holandês. Além disso, van Gogh teria a tendência de mentir. Van Gogh gostava de Gauguin mais do que Gauguin gostava dele e o irmão de van Gogh, Theo, teria até mesmo pago Gauguin para continuar morando na casa.

Por alguma razão, van Gogh alegou que não se lembrava de nada daquela noite, embora tivesse escrito para o irmão Theo: “Por sorte Gauguin (...) ainda não está armado com metralhadoras e outras armas de guerra perigosas”.

Image: Flickr user Herman Schouwenburg

4. Vincent van Gogh pintou “Noite Estrelada” olhando pela janela do asilo Saint-Paul onde estava internado, em Saint-Rémy.

Em janeiro de 1889, van Gogh recebeu alta do hospital em Arles depois do incidente que feriu sua orelha esquerda. No entanto, sentiu que seu estado mental não tinha se recuperado e meses depois, em maio, van Gogh se internou no asilo Saint-Paul. Como o Museu Van Gogh destaca, Theo van Gogh escreveu para o irmão logo depois:

Me dói saber que você ainda está em um estado de saúde incompleto. Embora nada em sua carta revele fragilidade mental, pelo contrário, o fato que você julgue necessário se internar em um asilo é muito grave em si mesmo. Vamos esperar que isso seja apenas uma medida preventiva. Como o conheço bem o suficiente para acreditar que você seja capaz de todos os sacrifícios imagináveis, pensei que existe a possibilidade de você ter pensado nessa solução para não sobrecarregar aqueles que o conhecem.

Enquanto estava no asilo, van Gogh pintou muitas de suas obras hoje consideradas clássicas, como “Lírios”, “As Oliveiras” e “Noite Estrelada”.

Van Gogh classificou “Noite Estrelada” como um fracasso. Ele escreveu para seu irmão comentando seus quadros, dizendo que iria enviar pelo correio vários deles. (Theo tentou sem sucesso vender as pinturas). Van Gogh destacou que a obra “não diz nada para mim”. Não era nem sequer “um pouco boa”, escreveu, como outros quadros mencionados na carta. Sem selos suficientes para enviar todos os quadros que pretendia, “Noite Estrelada” ficou fora do pacote.

5. Na infância, Vincent van Gogh passeava perto de uma lápide com seu próprio nome, devido à morte prematura do irmão.

Van Gogh nasceu e cresceu em Zunder, na Holanda. Seu pai, Theo van Gogh, se tornou pastor de uma igreja protestante holandesa em 1849. O irmão de van Gogh que tinha o mesmo nome, Vincent, morreu quando bebê e está enterrado na igreja, que ainda está de pé.

Zundert ainda comemora o fato de ser o local de nascimento de van Gogh. A cidade construiu a Praça Vincent van Gogh, estátuas comemorativas de van Gogh e seu irmão, Theo, e uma casa de Vincent van Gogh. A casa original na principal rua de Zundert, Markt 29, infelizmente foi demolida.

Imagem: Getty

6. Vincent van Gogh só começou a pintar quando tinha 27 ou 28 anos, mas sua obra incluía cerca de 900 quadros – uma média de 2 por semana – antes de sua morte aos 37.

Antes de começar a pintar, van Gogh tentou ser ministro leigo de igreja, professor e negociador de obras de arte, entre outras profissões. Então, como a Galeria Van Gogh destaca, escreveu para o irmão, Theo, no final de dezembro de 1881:

Theo, estou muito feliz com minha caixa de pintura, e acho que vou começar a usá-la agora, depois de ter desenhado quase que exclusivamente por pelo menos um ano, melhor do que se tivesse começado com ela imediatamente... Então, Theo, com a pintura começa minha verdadeira carreira. Você não acha que estou certo em pensar no caso?

Van Gogh pintou quase 900 quadros e criou mais de 1,1 mil obras em papel antes de sua morte. Prolífico, sim, mas van Gogh talvez tivesse um tipo de epilepsia (diagnóstico recebido em vida) e um distúrbio comportamental chamado hipergrafia, que faz com que as pessoas afetadas sintam uma necessidade intensa de escrever ou, no caso de van Gogh, pintar.

7. Os diferentes tons de amarelo que Vincent Van Gogh usou em suas pinturas desbotaram e escureceram com o tempo.

Van Gogh usou um amarelo característico em seus quadros graças à Revolução Industrial e a um novo pigmento chamado amarelo de cromo, um “cromato de chumbo tóxico e, como muitos pigmentos do período, era quimicamente instável”. Infelizmente, esses tons de amarelo, usados em pinturas como “Quarto em Arles”, desbotaram significativamente e escureceram ao longo dos anos, por isso atualmente não é possível ver exatamente a luminosidade das obras.

Essa mudança é permanente, segundo Koen Janssens, líder de um grupo de pesquisadores que testaram amostras da tinta escurecida. “Reverter essa reação química provavelmente causaria mais danos às pinturas”, disse.

Images: Getty

8. A pessoa mais velha do mundo conheceu Vincent van Gogh e lembrava dele como “sujo, malvestido e desagradável”.

Nascida em 1875, Jeanne Calment teve a vida mais longa confirmada entre os humanos: faleceu em 1997 aos 122 anos. Ela viveu em Arles, na França, onde van Gogh passou um tempo em 1888. Naquele ano, van Gogh comprou tintas em uma loja de um tio de Calment, que posteriormente o descreveu como “sujo, malvestido e desagradável”.

Calment tinha 12 ou 13 anos na época e, segundo o obituário do The New York Times, também disse que van Gogh era “muito feio, sem graça, mal-educado, doente – Eu o perdoo, o chamavam de louco”.

BÔNUS: Vincent van Gogh pintou mais de 30 autorretratos, mas podem existir fotografias do artista.

O retrato (à direita) é uma pintura a óleo de van Gogh, finalizada em 31 de dezembro de 1886; a fotografia (à esquerda) também foi tirada em 1886. Foi comprada em uma loja de antiguidades por US$ 1 no começo dos anos 1990. Cientistas forenses confirmaram em 2004 que era uma fotografia original de van Gogh.

O Museu Van Gogh não autenticou a fotografia na época e apenas algumas fotos de van Gogh bem mais jovem foram consideradas reais. O endereço abaixo da foto também foi questionado, já que marca uma localidade no Canadá, e van Gogh nunca viveu fora da Europa. Os olhos parecem um pouco diferentes, mas talvez seja preciso apenas a visão de um impressionista para enxergar completamente a semelhança.