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28/11/2014 18:25 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:53 -02

Vendedora de 20 anos é expulsa por PM de parque público de Teresina, no Piauí, e denuncia que foi vítima de homofobia

Montagem/Facebook

Uma jovem lésbica foi expulsa de um parque público em Teresina (PI) no último domingo (23), após ser abordada por um policial militar à paisana. Eryka Alexya Moraes, de 20 anos, denuncia que ele a agrediu fisicamente.

Um vídeo que circula na internet mostra que a vendedora pode ter sido vítima de homofobia, ao ser discriminada pela forma de se vestir.

Na gravação, Eryka pede para o PM parar de bater nela. A resposta dele é clara: "Se você é mulher, você se vista como uma".

O incidente aconteceu no parque Potycabana, por volta das 20h, quando Eryka estava com a namorada e amigos.

O PM fazia ronda de segurança no local e foi em direção à vendedora, que estava encostada em uma mesa — comportamento que viola o regimento do parque.

Eryka diz que se antecipou ao policial, ao notar que estava errada, e sentou em uma cadeira antes da aproximação dele.

O segurança a puxou pelo braço e ordenou que ela se retirasse do local, segundo ela relata.

Em entrevista ao Brasil Post, Eryka relembrou o momento da discriminação:

"Ele [o PM] queria mostrar para todo mundo do parque que tava me botando pra fora porque eu tava fazendo algo errado. Ele segurou forte no meu braço. Estava machucando. Eu disse: 'me solte, por favor'. Ele respondia: 'saia, meu filho, saia do parque'. Ele me confundiu com homem. Eu fiquei indignada e respondi: 'você não pode me abordar dessa forma; eu sou mulher'. Quando disse isso, eu bati no peito. Foi aí que ele falou: 'Se você é uma mulher, se vista como uma'."

Para Eryka, o discurso do PM é homofóbico.

"Ele não sabia que eu era lésbica. Ele pensava que eu era homem. Mas quando eu disse a ele que era mulher, ele disse que eu tinha que me vestir como uma. Mesmo que eu não fosse lésbica, eu me vestiria da forma como eu quisesse. Foi homofobia e preconceito."

Ela também acusa o PM de abuso de poder.

A Corregedoria da Polícia Militar abriu uma sindicância para apurar o caso.

O corregedor-adjunto da PM do Piauí, Ricardo Ferreira Lima, explica os próximos passos:

"Já determinamos a instalação de uma sindicância para apurar a ocorrência. Todas essas dúvidas [se houve homofobia por parte do PM] serão apuradas. Daremos respostas às partes. O militar já está intimado. E a própria Eryka já foi ouvida."

A história de Eryka repercutiu no Facebook e no WhatsApp.

Um beijaço está sendo organizado em Teresina "em apoio a todas as formas de amor". É uma resposta à discriminação de Eryka.

Será no sábado (6), às 16h, no parque Potycabana, local do constrangimento sofrido pela vendedora.

Mais de 1,1 mil pessoas já confirmaram que irão ao ato.

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