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27/11/2014 16:12 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Joaquim Levy e Nelson Barbosa assumem ministérios da Fazenda e do Planejamento; Alexandre Tombini segue no Banco Central

Montagem/Estadão Conteúdo

O Palácio do Planalto confirmou por volta das 15h40 desta quinta-feira (27) os novos ministros da presidente Dilma Rousseff (PT). Joaquim Levy foi confirmado como o novo ministro da Fazenda, enquanto Nelson Barbosa é o novo titular para o Planejamento. Alexandre Tombini foi convidado a permanecer no comando do Banco Central.

Segundo comunicado lido em Brasília pelo ministro-chefe da secretária de Comunicação Social do Palácio do Planalto, Thomas Traumann, Levy substitui Guido Mantega, “o mais longevo ministro da Fazenda do período democrático”. “Em seus doze anos de governo, Mantega teve papel fundamental no enfrentamento da crise econômica internacional, priorizando a geração de empregos e a melhoria da renda da população”, disse a nota divulgada pelo governo federal.

Levy foi questionado sobre como se daria o ajuste fiscal anunciado em sua primeira coletiva de imprensa após a indicação oficial. "A gente tem prazo para certas coisas. Temos que definir até o final do ano o instrumento legal para se definir tanto a meta (de superávit primário) que se vai perseguir no ano que vem, quanto também o esboço do Orçamento", afirmou. Prometendo não haver "precipitações", Levy argumentou que as providências cabíveis para alcançar as metas propostas serão tomadas. "A gente vai estar cumprindo esse calendário e tomando as medidas sem precipitações".

De acordo com Levy, o setor público perseguirá em 2015 uma meta de superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), e a partir daí não menor do que 2%, num primeiro sinal de mudança para uma política mais austera no segundo mandato de Dilma. "O objetivo imediato do governo e do Ministério da Fazenda do Brasil é estabelecer uma meta de superávit primário para os três próximos anos, compatível com a estabilização e declínio da relação dívida bruta do governo geral com o percentual do PIB como apurada, considerando o nível de reservas externas estável".

Questionado sobre quem assumirá a secretaria do Tesouro, hoje liderada por Arno Augustin, o futuro ministro afirmou que nenhum nome será divulgado agora, sob o argumento de que é muito importante manter todo o processo "no rito". "Temos desafios, mas estamos aqui sem nenhuma agonia", encerrou.

Planejamento e BC

Já Barbosa entra na vaga até então ocupada por Miriam Belchior. “A ministra Miriam Belchior conduziu com competência o andamento das obras do PAC e a gestão do Orçamento federal”, comentou a nota do Palácio do Planalto. A nota não informa o nome do secretário do Tesouro e de outros integrantes da futura equipe econômica. Tanto Miriam quanto Mantega “permanecerão em seus cargos até que se conclua a transição e a formação das novas equipes de seus sucessores”.

Em seu primeiro pronunciamento após a indicação de Dilma, que vai trabalhar em conjunto com a equipe econômica, Barbosa falou em um trabalho para "o crescimento da economia brasileira, o controle rigoroso da inflação, a estabilidade fiscal e a geração de emprego". O novo ministro disse que terá como "desafio mais imediato" a adequação do projeto orçamentário de 2015 a "um novo cenário macroeconômico".

De acordo com Barbosa, isso implicará a "elevação gradual do resultado primário", meta já apontada por Levy antes. "No Orçamento, darei continuidade ao processo de melhoria da eficiência do gasto público, da modernização da gestão e da avaliação do custo beneficio dos diversos programas de governo", disse Barbosa. "Trabalharei em iniciativas para aumentar taxa de investimento e de produtividade", acrescentou.

Já Tombini reafirmou que a política monetária deve se manter especialmente vigilante e tem trabalhado para a inflação voltar à trajetória da meta do governo. Ele afirmou também que o atual estoque de swaps cambiais "já atende" à demanda por proteção cambial da economia e deve continuar a ser renovado no futuro, observadas as condições de demanda.

Perfis

O ex-secretário do Tesouro Nacional e executivo do Bradesco, Joaquim Levy foi escolhido para assumir o Ministério da Fazenda, em uma sinalização de que a presidente Dilma Rousseff quer mudanças na atual política econômica em seu segundo mandato e injetar ânimo numa economia desaquecida. Embora Levy não estivesse inicialmente no radar dos investidores, ele é respeitado tanto no mercado como entre os integrantes do governo Dilma, por causa de seu estilo objetivo e pragmático.

Doutor em economia pela Universidade de Chicago, Levy é atualmente o diretor-superintendente da Bradesco Asset Management, braço de gestão de recursos do Bradesco, e volta ao governo após ter sido secretário do Tesouro Nacional durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa de nomeação de Levy e de distanciamento em relação a políticas intervencionistas vinha repercutindo positivamente nos mercados financeiros domésticos desde a semana passada, quando seu nome foi vinculado à nova equipe de Dilma.

O economista Nelson Barbosa assume o Ministério do Planejamento com a difícil missão de levar os agentes econômicos e a população a acreditarem que mudanças na condução da política econômica serão feitas no segundo mandato da presidente Dilma. Barbosa tem ainda a possibilidade de levar a pasta a um nível mais alto em termos políticos e decisórios, ao formar o núcleo duro da nova equipe econômica com Levy e Alexandre Tombini, novo ministro da Fazenda e presidente do Banco Central, respectivamente.

Barbosa tem como bônus as afirmações feitas desde o ano passado, quando deixou a secretaria-executiva do Ministério da Fazenda por não concordar com o rumo que estava sendo dado à política econômica, com críticas destacadas ao lado fiscal. O ex-secretário-executivo, com perfil informal e constante interesse em aprender, traz a marca de quem busca aliar maior responsabilidade fiscal e política social. Com forte currículo acadêmico, o novo ministro do Planejamento é elogiado por quem já trabalhou com ele e considerado um "líder nato", contaram pessoas que convivem ou conviveram com ele.

Alguns podem dizer que a manutenção de Alexandre Tombini à frente do Banco Central pode indicar que o combate à inflação continuará sem muita convicção, mas não deve ser assim. De poucas palavras, o gaúcho de Porto Alegre preside o BC desde o início de 2011 e, mais recentemente, fez questão de sinalizar que não estava contente com o rumo da atual política fiscal. Em documentos e discursos oficiais, o BC já afirmou que o cenário fiscal tendia para a neutralidade em termos inflacionários sob o ponto de vista estrutural, um conceito mais complicado e que leva em consideração ciclos econômicos. Olhando-se pelo outro lado, aí de maneira mais simples, a situação fiscal pressionava os preços na visão do BC.

Um dos movimentos mais emblemáticos também neste sentido foi dado há mais de um ano, quando o BC passou a divulgar projeções sobre a dívida tomando como base cenários distintos para o superávit primário: um com a meta do governo e, outro, com a expectativa do mercado, sempre abaixo do objetivo estabelecido. Mas esses sinais não serão suficientes para que Tombini já tenha reconquistado a confiança completa dos agentes econômicos. A maior crítica que recebe é não ter conseguido domar a inflação que, nos últimos anos, tem ficado bem próxima ou acima do teto da meta oficial - de 4,5% pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Tombini também tem amplo conhecimento técnico, com PhD em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, período no qual também jogava pólo aquático. Ele ajudou a criar o Departamento de Pesquisas do BC e foi um dos formuladores do regime de meta de inflação adotado desde 1999, considerado um dos principais pilares da economia brasileira.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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