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27/11/2014 20:52 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Por que 2/3 dos homens brasileiros não fazem exame de toque retal?

Está próximo do fim o mês de novembro, quando esbarramos em campanhas e ações em prol da saúde masculina. O Novembro Azul, como ficou conhecido o período, é uma oportunidade para que os homens cuidem de si mesmos — e este cuidado passa pelo exame de próstata.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que o câncer de próstata é o sexto mais comum e representa 10% do total de cânceres. Entre os homens, é o segundo mais comum, atrás apenas do câncer de pele. O instituto estima que 2014 termine com 68,8 mil novos casos da doença no País — ou seja, um caso é descoberto a cada 7,6 minutos.

Este número poderia ser menor se os homens fizessem dois exames preventivos: o toque retal e o exame de sangue chamado PSA (antígeno prostático específico, uma proteína produzida pela próstata e que apresenta níveis elevados nos casos de câncer). Eles são complementares — a realização de um exame não exclui a necessidade do outro. Isso acontece porque o PSA falha em 20% dos casos e o toque retal, em 35%; contudo, a realização de ambos reduz a probabilidade de falha para 8%.

Ou seja, não adianta fugir do toque, ainda que ele seja muito temido pelos homens: uma pesquisa de 2013 realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia revelou que apenas 32% dos entrevistados em idade de prevenção já tinham feito o exame de toque; 47%, o PSA.

"Os homens relutam em fazer o toque retal por dois motivos: primeiro, por preconceito cultural típico do machismo latino. Segundo, por medo de sentir dor. Eles são muito mais medrosos do que a mulher, que enfrenta melhor qualquer situação dolorosa", afirma o dr. Miguel Srougi, professor de Urologia na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e autor do livro Próstata: Isso É Com Você, em entrevista ao site de Drauzio Varella.

Em seu blog aqui no Brasil Post, Diego Semerene apontou como a mídia reforça este preconceito ao "celebrar" a recusa do homem em fazer o exame de toque:

No programa [de Fátima Bernardes] sobre toque anal, não se questionou a resistência do homem ir ao médico. Essa teimosia foi celebrada como uma característica intrinsecamente masculina e, logo, compreensível: Homem é assim mesmo. Alguns convidados sugeriram, inclusive, que cabia à mulher insistir com seu marido, marcar a consulta, e levá-lo ao consultório nem que puxado pelas orelhas — como uma criança. O humorista de plantão Marcos Veras advertiu, para as gargalhadas dos ali presentes, que apesar de novembro ser o mês de conscientização do exame anal, "tem muita gente por aí" que já "pratica" o ano todo...

Enquanto o preconceito é travestido de piada, pessoas estão morrendo — em 2012, ano do último levantamento do gênero, foram mais de 13 mil óbitos causados pelo câncer de próstata, de acordo com o G1.