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26/11/2014 10:49 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Metrô de SP veta anúncio de livro sobre black blocs e é acusado de 'censura'

Victor Moriyama via Getty Images
SAO PAULO, BRAZIL - NOVEMBER 5: Black Bloc demonstrators protest against the lack of water that is affecting the entire state of Sao Paulo and against mismanagement of water resources by the current state government on November 5, 2014 in Sao Paulo, Brazil. The level of Cantareira System, which supplies water to a third of the population of Greater Sao Paulo, is at its lowest level in history, filled to just 11.8% of capacity. (Photo by: Victor Moriyama / Getty Images)

O Metrô de São Paulo vetou a publicidade de um livro sobre a tática Black Bloc. A publicidade, paga pela Geração Editorial, responsável pela publicação, ficaria em cartazes afixados nos vagões dos trens. Um dos autores de "Mascarados - A Verdadeira História dos Adeptos da Tática Black Bloc" (leia o primeiro capítulo), o jornalista e blogueiro Bruno Paes Manso, afirmou que a leitura a respeito do livro feita pelo Metrô, que é controlado pelo governo do Estado, é "equivocada".

"O livro não faz apologia dos black blocs. Ele procura mostrar o superdimensionamento dado a esses garotos, desmistificá-los e explicá-los para a sociedade", afirmou Paes Manso.

No auge dos protestos de junho de 2013, estações do Metrô foram alvo de quebra-quebra na região da Avenida Paulista.

Em sua página no Facebook, a Geração Editorial qualificou a decisão do Metrô como um ato de censura.

Já Luiz Fernando Emediato, diretor da Geração, foi mais político: "Para nossa surpresa, disseram que não veiculariam o anúncio porque ele incitaria a violência. Não vou chamar de censura. Foi um erro de avaliação", disse. Para ele, o livro é apenas uma reportagem sobre o tema em que todos os lados - incluindo a Polícia Militar - são ouvidos. O "excesso de zelo" e a "avaliação equivocada" teriam motivado a decisão do Metrô, disse o editor.

Em seu blog na Veja.com, o jornalista Reinaldo Azevedo aprovou o veto do Metrô: "Fez muito bem!", escreveu. Para Azevedo o Metrô "foi o aparelho público mais atacado por esses bandidos, que, não há por que dourar a pílula, recebem um tratamento adocicado, compassivo e compreensivo dos autores."

A Geração Editorial contrataria 20 sancas, como são chamadas as peças de publicidade, nos vagões das Linhas Vermelha e Verde - o dobro do mínimo exigido pelo Metrô. Cada uma delas mede 112 centímetros por 30 cm e custa R$ 266. A editora gastaria R$ 5.320 por um mês de exposição.

No dia 19, porém, a Geração recebeu um e-mail do Metrô dizendo que o layout não havia sido aprovado. A editora respondeu a mensagem e mais tarde recebeu a ligação de um funcionário do Metrô dizendo que não adiantaria mandar outra arte, já que o problema era com o tema do livro.

O Metrô informou, por meio de nota, que "reprovou única e exclusivamente o layout da peça publicitária da Geração Editorial por estar em desacordo com o artigo 20 de seu regulamento de mídia (Remídia)". O texto veta mensagens que "infrinjam a legislação vigente, atentem contra a moral e os bons costumes, tenham temas de cunho religioso ou político-partidário". O regulamento ainda proíbe anúncios "que possam suscitar comportamentos inadequados".

A empresa alegou que "é errado" acusá-la de "censura ou veto ao livro". Segundo a companhia, a avaliação feita pela área de negócios se restringe apenas à peça publicitária. O texto também informou que "os anunciantes dos espaços publicitários do Metrô têm pleno conhecimento do regulamento".

Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.

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- Ester Solano, uma das autoras, escreve sobre "Mascarados" (BLOG)