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24/11/2014 21:15 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Presidente da Turquia diz que mulheres são ‘delicadas' e não são iguais aos homens em encontro feminista em Istambul

Montagem/AP Photo

Chegado em uma boa polêmica, o presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan aproveitou um encontro sobre os direitos das mulheres, realizado nesta segunda-feira (24) em Istambul, para destilar mais uma vez os seus preceitos pouco progressistas e muito enraizados na ideologia islâmica, da qual ele faz parte. Para começar, homens e mulheres não são iguais, segundo ele.

“Você não pode colocar uma mulher em qualquer trabalho que um homem faz, como faziam nos regimes comunistas no passado. Você não pode colocar uma picareta e uma pá em sua mão e fazê-la trabalhar. Não é assim que se faz”, afirmou Erdogan, durante a reunião da Associação Mulheres e Democracia.

Erdogan, cuja ideologia islâmica conservadora frequentemente causa repúdio em segmentos mais liberais da sociedade turca, disse que a natureza mais “delicada” das mulheres faz com que seja impossível colocá-las em pé de igualdade com os homens. O presidente turco afirmou que as mulheres devem ser tratadas igualmente aos olhos da lei, mas que seu papel diferente na sociedade tem que ser reconhecido.

“Nossa religião concedeu um lugar à mulher. Que lugar é esse? O lugar da maternidade... a maternidade é algo diferente e é o lugar mais inalcançável, o mais alto”, comentou. Sobrou até para as feministas. “Há aqueles que entendem isso, há aqueles que não. Não se pode dizer isso às feministas, porque elas não aceitam a maternidade. Não têm tais preocupações”, emendou Erdogan.

Entretanto, nem todos concordam com o presidente. A visão dele foi altamente criticada pela presidente do grupo de direitos da mulher KA.DER, Gonul Karahanoglu. “Sabemos que as mulheres não são fisiologicamente iguais. Mas a igualdade trata de direitos iguais, estatuto igual e oportunidades iguais. Ele (Erdogan) só define as mulheres como mães. É uma discriminação contra todas as mulheres que não têm filhos. Ele sempre diz as mesmas coisas”.

Os críticos de Erdogan na Turquia, majoritariamente muçulmana, mas constitucionalmente secular, o acusam regularmente de praticar uma intrusão puritana em suas vidas íntimas, que vai de seus conselhos a respeito do número de filhos que as mulheres deveriam ter até sua visão sobre o aborto.

Mas sua retórica, embora divida opiniões, conquistou o apoio da população religiosa da Anatólia, o que ajudou a garantir sua vitória na primeira eleição popular a chefe de Estado em agosto, depois de mais de uma década como primeiro-ministro.

Economistas citam o baixo número de mulheres no mercado de trabalho como um obstáculo para o desenvolvimento turco, e a União Europeia, à qual a Turquia tenta se filiar há mais de uma década, exortou o país a fazer mais para aprimorar a igualdade de gêneros.

(Com Reuters)

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