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24/11/2014 22:51 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Diretores recusam convite para audiência e reitor da USP minimiza casos de estupro na Faculdade de Medicina

Casos como em qualquer lugar da sociedade. Foi assim que o reitor da Universidade de São Paulo (USP), Marco Antonio Zago, definiu os casos de estupros relatados na Faculdade de Medicina da instituição (FMUSP). Ele minimizou a polêmica, afirmando nesta segunda-feira (24) que a universidade tem tomado todas as medidas necessárias para investigar as denúncias.

Segundo ele, a violência acontece dentro da USP como em qualquer outro local da sociedade. Para Zago, as denúncias “devem ser tratadas com a devida atenção, tanto pela universidade, por seus aspectos educativos, quanto pelo Ministério Público, no que diz respeito a crimes”.

Após a repercussão negativa dos relatos de estudantes, a condução da crise tem ficado a cargo da direção da FMUSP. A reitoria diz respeitar a autonomia da unidade e evita se manifestar sobre o caso.

Ainda de acordo com o reitor, a reitoria não está “absolutamente” sendo omissa na apuração dos casos e “tudo que a universidade pode fazer, ela deve fazer e está fazendo”. O dirigente não detalhou, porém, quais foram as providências tomadas.

Na semana passada, o relatório final produzido por comissão interna da FMUSP apontou que a violência sexual "ocorre de forma repetida" no espaço da instituição.

Zago disse que os episódios refletem a insegurança que há fora dos muros da USP. “A Universidade de São Paulo, por sua enorme extensão e tamanho, tem ocorrências como em qualquer local da sociedade”, afirmou, após um seminário sobre os 80 anos da instituição.

Apuração e audiência na Alesp

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) realiza nesta terça-feira (25), às 14h, a segunda audiência pública sobre denúncias de violência sexual na FMUSP. O diretor da unidade, José Otávio Costa Auler Junior, convidado novamente a comparecer, já informou que não vai.

Auler Junior quer esperar a reunião da congregação, órgão máximo da faculdade, para se manifestar. Foi a mesma justificativa dada pelo presidente da Comissão de Graduação, professor-doutor Edmund Chada Baracat, para não comparecer.

Na semana retrasada, duas alunas relataram, na primeira audiência pública, terem sido estupradas em festas da faculdade. O Ministério Público investiga pelo menos oito casos de estupro ocorridos na unidade. Um homem já identificado foi indiciado pela polícia na semana passada, mas responde ao processo em liberdade.

Na audiência da Alesp, são esperados os responsáveis pela realização da festa Show Medicina, da FMUSP, e da Bateria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (Batesão)esta envolvida em um caso de racismo. Ex-presidentes e atuais presidentes da Associação Atlética de ambas as faculdades e do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (SP) também foram convidados pelos deputados.

Até o momento, a faculdade apenas proibiu a realização de festas e o consumo de álcool dentro da instituição. Dirigida pelo deputado estadual Adriano Diogo (PT), a comissão colhe assinaturas para uma possível Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apurará, se instalada, os abusos cometidos em universidades públicas e privadas do Estado, conforme informou a Ponte.

(Com Estadão Conteúdo)

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