COMPORTAMENTO
22/11/2014 20:58 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Oito alimentos que têm fama de emagrecedores -- mas não são

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De tempos em tempos, as prateleiras de lojas naturais são inundadas por novos produtos com fama de emagrecedores. Alimentos e suplementos ganham popularidade, mas logo caem no ostracismo pela falta de comprovação científica e de resultados. Alguns modismos recentes foram o óleo de coco, a quitosana e a spirulina. A bola da vez é o goji berry — e logo virá outra. "As pessoas buscam uma maneira fácil e rápida de emagrecer. Mas nenhum alimento faz milagre", diz o endocrinologista Bruno Halpern, coordenador do Centro de Controle de Peso do Hospital 9 de Julho, em São Paulo.

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É claro que cortar drasticamente a ingestão de calorias e eleger um alimento como base da alimentação, qualquer que seja ele, levará ao emagrecimento. Perder peso demais em pouco tempo, porém, não é um processo considerado saudável. O organismo se acostuma a funcionar com pouca energia e entra em um estado parecido com a anorexia, em que tende a armazenar gordura. "A consequência é o efeito sanfona. Depois de emagrecer, a pessoa volta a engordar rapidamente", diz Claudia Cozer, endocrinologista e coordenadora do Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

De acordo com Andrea Bottoni, alguns produtos com fama de emagrecedores podem até fazer bem à saúde, a exemplo da linhaça, que é rica em fibras e melhora o funcionamento do intestino. "Mas eles devem ser encarados como coadjuvantes da dieta, jamais como protagonistas."

  • Goji berry
    Goji berry
    Thinkstock
    Fruto da planta "Lycium barbarum", o goji berry é utilizado na medicina tradicional chinesa no tratamento de doenças de fígado e rim. No Brasil, alçou fama como uma via de emagrecimento rápido. Trata-se, na realidade, de uma fruta calórica: duas colheres de sopa têm 100 calorias. O goji berry ainda não foi estudado profundamente. Pequenos estudos demonstraram que ele pode ser benéfico no controle do colesterol, mas nada foi provado sobre o emagrecimento", diz Bruno Halpern, endocrinologista e coordenador do Centro de Controle de Peso do Hospital 9 de Julho, em São Paulo. via Veja
  • Café verde
    Café verde
    Dan Bollinger/Wikimediacommons
    O grão de café verde, caracterizado como aquele que não passou pelo processo de torrefação, ganhou fama de aliado do emagrecimento por ter uma dose um pouco maior de cafeína do que o café preto. A cafeína acelera o metabolismo, eleva a temperatura corporal e aumenta os batimentos cardíacos — é o que se chama de ação termogênica. "Não há comprovação científica de que os produtos termogênicos emagreçam", diz Claudia Cozer, endocrinologista e coordenadora do Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Além disso, o alto consumo de cafeína prejudica a saúde. "Ele pode agravar a gastrite, a insônia e os quadros de hipertensão", diz Ana Dâmaso, nutricionista coordenadora do Grupo de Estudos da Obesidade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
  • Óleo de coco
    Óleo de coco
    Phú Thịnh Co/Flickr
    Os adeptos do óleo de coco acreditam que ingeri-lo em forma líquida ou em pílulas diminui a fome, acelera o metabolismo e ajuda a perder barriga. Bobagem. Seu alto índice de gordura saturada pode aumentar a porção ruim do colesterol, o LDL, e ocasionar problemas de saúde, como a arteriosclerose, doença que causa depósito de gordura na artéria. "O óleo de coco tem mais calorias do que a manteiga e o azeite e, como qualquer gordura, se consumido em excesso, causará aumento do peso e problemas de saúde", afirma Handyara Magalhães Reinicke, nutricionista do hospital TotalCor, em São Paulo.
  • Quitosana
    Quitosana
    Domínio público
    A quitosana é uma fibra natural derivada da quitina, composto que forma o exoesqueleto de crustáceos, como o camarão. Ela é vendida em cápsulas com a promessa de prolongar a saciedade, pelo seu alto teor de fibras (uma cápsula tem cerca de 1 grama de fibra), e de absorver e eliminar gordura. "É bobagem consumir quitosana. Comer gelatina antes de uma refeição promoveria a mesma sensação de saciedade. Além disso, o efeito do produto é sutil e imperceptível para várias pessoas", diz Claudia Cozer.
  • Spirulina
    Spirulina
    Domínio público
    Essa bactéria com aparência de alga é 60% composta de proteína. Ela é vendida em cápsulas com a promessa de elevar o efeito de saciedade, porque, ao ser ingerida, absorve água e aumenta de volume no estômago. "O efeito não é intenso a ponto de ajudar a emagrecer", diz Andrea Bottoni, nutrólogo e coordenador da equipe de nutrologia do Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco. Além disso, essa propriedade não é exclusiva da spirulina — alimentos ricos em fibras fazem a mesma coisa.
  • Itokonnyaku
    Itokonnyaku
    crd!/Flickr
    Conhecido da culinária japonesa e chinesa, o Itokonnyaku é um macarrão extraído da raiz de um tipo de batata chamada konjac. Composto basicamente de água e glucomanan, uma fibra alimentar, ele tem teor calórico perto de zero. Ao entrar em contato com a água no processo de digestão, o Itokonnyaku dobra de tamanho e causa uma pequena sensação de saciedade. "Uma pessoa que siga uma dieta à base de Itokonnyaku não emagrecerá. Ela terá muita fome e ficará desnutrida, tornando-se candidata à obesidade no futuro", diz Ana Dâmaso, nutricionista e coordenadora do Grupo de Estudos da Obesidade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
  • Cúrcuma
    Cúrcuma
    Simon A. Eugster/Wikimediacommons
    Também conhecida como açafrão da terra, essa planta tem propriedades antioxidantes, por causa da presença do corante curcumina, e anti-inflamatórias, que ainda estão em estudo. "Mas essas propriedades não têm nenhuma relação com o emagrecimento", diz Camila Gracia, nutricionista do HCor – Hospital do Coração, em São Paulo.
  • Linhaça
    Linhaça
    Sanjay Acharya/Wikimediacommons
    A semente do linho, planta da família das lineáceas, é rica em fibras. Por essa característica, a linhaça ajuda no bom funcionamento do intestino. "Estudos demonstram que a linhaça tem ação antioxidante e auxilia no controle do colesterol e da glicose, não que emagrece", explica Verônica Lima, nutricionista do Hospital Norte D'Or, no Rio de Janeiro.