NOTÍCIAS
21/11/2014 09:56 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Sete mudanças que viagens de avião provocam no organismo

ThinkStock

Sabemos que voar mexe com o organismo – essa mudança fica evidente no cabelo bagunçado depois de um voo e no tremendo “jet lag”.

Mas voar leva o corpo a reagir de algumas maneiras não tão óbvias. Veja os sinais de seu corpo dentro de um avião... conheça seu lado aéreo, e sinta-se melhor preparado para enfrentar seu próximo voo de longa duração.

1.No avião, o paladar adormece

Você não pode culpar totalmente a comida de avião pelo sabor desagradável – porque nossas papilas gustativas adormecem durante um voo, de acordo com um estudo de 2010 encomendado pela Lufthansa.

O motivo? O ar seco do avião pode evaporar o muco nasal, e a pressurização da cabine tende a inchar as membranas; as duas coisas impedem uma total identificação dos aromas dos alimentos, tão cruciais para o paladar. Por isso, no ar, você provavelmente não desfrutará das refeições em seu total potencial.

Isso significa uma má notícia para os chefs de companhias aéreas: o estudo da Lufthansa revelou que nossas percepções para salgados e doces são reduzidas em até 30% em altitudes elevadas.

É por isso que companhias aéreas testam os pratos durante os voos ou em simuladores pressurizados de alta tecnologia – e por que vão carregar nos temperos fortes, como cardamomo, capim-limão e curry.

2. O nível de oxigênio do sangue cai, causando sonolência

Certamente os “confortáveis” assentos dos aviões não são os responsáveis por isso – os menores níveis de oxigênio contribuem para a sensação de cansaço. As cabines das aeronaves são pressurizadas para simular uma altitude de 6 mil a 8 mil pés (1.800 a 2.400 metros) na Terra, e o sangue absorve menos oxigênio nessas alturas. Como qualquer esquiador sabe, isso pode causar tontura, sonolência e prejudicar a agilidade mental.

E o que é pior, o sangue não está circulando muito enquanto você está sentado há horas, diz Jeffrey Sventek, diretor executivo da Associação Médica Aeroespacial.

“Em um voo de longa distância, ocorre uma estagnação significativa do fluxo sanguíneo”, diz. “O sangue não está circulando tão bem como deveria, o que reduz ligeiramente os níveis de oxigênio.” Preste atenção nos sinais de cansaço.

3.O sangue se acumula nas pernas e pés.

Quando você está sentado por um longo período de tempo, o sangue se acumula nas pernas e pés. E quando migra das veias para os tecidos ao redor, ocorre o desagradável inchaço dos pés durante o voo.

Em casos extremos e raros, isso pode resultar em coágulos sanguíneos.

O objetivo é direcionar esse sangue de volta ao coração, diz Sventek. Flexione os pés, estique as pernas ou contraia os músculos da panturrilha para que o sangue circule para cima, o que também aumentará os níveis de oxigênio, combatendo a fadiga.

4. E os gases intestinais ficam presos, bem, por todos os lados

À medida que o avião sobe e a pressão da cabine diminui, os gases intestinais se expandem.

Você pode sentir o estômago cheio ou contraído – pense naquela garrafa de água que se expandiu e vaza um pouco quando é aberta em pleno voo.

Então se você tem que soltar gases, deixe-os sair. Ao não fazer isso, pode começar a sentir dor, inchaço ou coisa pior.

O aumento de gases também afeta os ouvidos – durante o pouso do avião, o tubo que permite a entrada e saída de ar para manter a pressão não reage na velocidade necessária, com isso o ar não consegue entrar e pressurizar os ouvidos corretamente. Por isso que engolir seco, movimentar a mandíbula ou bocejar ajuda – isso pode abrir o tubo, deixar o ar fluir e permitir que o ouvido volte à pressão normal.

Os gases podem ficar presos em outras cavidades também, como dentes (causando dor) e sinusite.

5. Seu cérebro não consegue perceber imediatamente a mudança de horário

Toda vez que você cruza dois ou mais fusos horários em um voo, diz Sventek, pode ocorrer o “jet lag”, enquanto seu cérebro se adapta ao novo padrão de luz do dia e escuridão.

Mas os efeitos são menores quando você está voando do leste para o oeste.

O corpo prefere naturalmente um ciclo circadiano (ou uma programação para acordar e dormir) de cerca de 25 horas em vez de 24, Sventek destaca.

Quando você viaja do leste para o oeste, está adicionando horas do dia à sua programação, elevando o total de exposição à luz próximo à marca de 25 horas. Por isso que “pessoas que voam na direção (oeste) regularmente não têm muitos problemas para funcionar bem na Costa Oeste”, diz Sventek.

6.Sua pele perde a umidade

A pressão da cabine e o ar seco circulando removem a umidade da pele. Mas não se preocupe – existem vários bálsamos, loções e poções para trazer sua pele de volta à vida. A regra número um de um comissário de bordo, enquanto isso, é beber água para manter a pele naturalmente hidratada.

Um problema mais sério, no entanto, é que uma pesquisa científica recente constatou que pilotos e comissários de bordo correm o dobro do risco de desenvolver melanoma do que a população em geral, possivelmente porque as janelas dos aviões não bloqueiam suficientemente os prejudiciais raios UV, que são mais fortes em altitudes de cruzeiro.

7. E pode haver uma razão científica pela qual você sempre pede suco de tomate

O ar bombeado dentro de uma cabine de avião é incrivelmente seco, explica Sventek.

E, naturalmente, a umidade quer saltar de lugares com alta concentração (como boca e trato respiratório), para onde há pouca concentração (como a cabine à sua volta).

Exalar todo esse ar úmido resulta em perda de água. Portanto, você fica desidratado, aumentando a vontade de beber alguma coisa. E suco de tomate, tipicamente muito salgado em terra firme, pode ter um sabor menos intenso em altitudes elevadas, onde nossas papilas gustativas têm dificuldade em detectar sabores salgados.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.