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21/11/2014 16:55 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Efeito Grécia: Bloomberg pede que credores europeus aliviem dívida da Grécia para evitar que toda a Europa volte à crise

ALKIS KONSTANTINIDIS/REUTERS

O site de notícias do mercado financeiro Bloomberg fez um editorial pedindo que as dívidas da Grécia sejam aliviadas. O texto, intitulado "Dê uma chance à Grécia", é endereçado à Comissão Europeia, ao Banco Central europeu e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que organizaram empréstimos ao governo grego.

"Os credores da Grécia estão testando a resistência do país — novamente", escrevem os editores da Bloomberg. "Se continuarem pressionando, eles podem rachar a área do euro, o que seria um desastre tanto para eles quanto para a Grécia."

A comissão tripartite propôs uma "última injeção de dinheiro e uma linha de crédito emergencial" à Grécia se o primeiro-ministro Antonis Samaras reduzir ainda mais os gastos públicos.

A questão é que a Grécia tem seguido à risca uma política de responsabilidade fiscal há cinco anos, segundo a Bloomberg. Ou seja, o governo está conseguindo arrecadar mais que gastar, justamente para fazer economia e pagar os juros da dívida.

No ano passado, o superávit primário da Grécia foi de 1,5 bilhão de euros. Esse foi o recurso poupado para quitar o efeito dos débitos.

Em 2009, o déficit público da Grécia era de 15,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

"Essa façanha rara sugere uma dedicação impressionante ao controle fiscal, apesar da longa dívida", elogia a Bloomberg. O problema são as consequências da austeridade fiscal, com aumento de impostos e cortes nos gastos públicos.

A produção industrial da Grécia vem caindo e o nível de desemprego hoje atinge os 25%.

A Bloomberg argumenta que uma nova rodada de aperto fiscal pode comprometer a retomada do crescimento da economia grega. E destaca que é gritante a diferença do quanto a Grécia deve apresentar de superávit primário em relação aos países da zona do euro.

O efeito político dessa rigidez fiscal é a ascensão da esquerda radical no país. No ano que vem, o moderado Antonis Samaras pode ser substituído pelo líder do partido Syriza, Alexis Tsipras, adversário da União Europeia.

É nesse ponto que cresce o alerta da Bloomberg:

"Se tanta austeridade botar Syriza no poder, espera o fim da disciplina fiscal. Os danos, entretanto, não vão parar aí: a Europa inteira vai estar em risco. Tsipras pode estar interessado em forçar perdas aos credores unilateralmente. Partidos de oposição em Portugal e Espanha estão inclinados da mesma forma e assistindo tudo de perto. Se mercados começarem a temer uma onda de inadimplência, o caos resultante pode impulsionar a Europa inteira de volta à crise"

O texto pede que Alemanha e França, os principais credores da Grécia, assumam a liderança no reconhecimento de aliviar as dívidas. "Quanto mais cedo [reconhecerem], maiores as chances de saírem de uma calamidade pior", pedem.

Entrevista no Huffington Post Grécia

O teor do editorial da Bloomberg vai ao encontro das declarações do presidente da Grécia, Karolos Papoulias, em entrevista exclusiva à Arianna Huffington, presidente e editora-chefe do The Huffington Post, por ocasião do lançamento Huffington Post Grécia nesta quinta-feira (20).

Karolos Papoulias criticou as posições do FMI, Banco Central europeu e Comissão Europeia e afirmou que as três instituições apresentam às vezes um "espírito ruim", como se "estivessem falando com pedras e não pessoas".