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20/11/2014 05:52 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Campanha 'Jovem Negro Vivo' alcança 15 mil assinaturas, ganha apoios de peso e destaca ótica racial da violência no Brasil

Montagem/Anistia Internacional

Este Dia Nacional da Consciência Negra é mais uma ocasião para refletirmos sobre a violência contra os jovens negros. No Brasil, quatro em cada cinco rapazes de 15 a 29 anos assassinados são pretos ou pardos.

Em dez anos, o número de homicídios de jovens negros avançou 32,4%. O de brancos, nesse mesmo período, foi em sentido contrário: caiu 32,3%.

Por que a juventude negra é ceifada — em maior grau de intensidade e em maior número que a branca?

A Anistia Internacional avalia que "as consequências do preconceito e dos estereótipos negativos associados a estes jovens e aos territórios das favelas e das periferias" contribuem com esses dados alarmantes.

Por isso, a ONG lançou a campanha “Jovem Negro Vivo”. Em dez dias, o manifesto alçancou 15 mil assinaturas (assine você também).

Alguns nomes de peso foram fundamentais para espalhar a ação pró-vida. Entre eles, a atriz Zezé Motta e a cartunista Laerte Coutinho.

Com essa ação, uma das tentativas da Anistia Internacional é alertar para o racismo institucional vigente no País. Isto é, o conjunto de práticas culturais e mecanismos sociais que excluem os negros, seja por negar-lhes direitos, garanti-los de forma mais precária ou oferecer-lhes menos oportunidades.

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A cor da pobreza e a manutenção de preconceitos relacionados a fenótipo ajudam a explicar esse pano de fundo. As desigualdades raciais perpassam a esfera pública, seja no mercado de trabalho, seja na partida de futebol no estádio, seja na cena da (in)segurança pública.

Estudo concluído em abril deste ano mostra que a Polícia Militar de São Paulo mata três vezes mais negros do que brancos.

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) detectou que o número de abordagens a pessoas negras é bem superior ao de brancas.

A taxa de flagrantes chega a ser o dobro — o que deixa o negro "no centro de uma vigilância mais ostensiva por parte dos policiais militares", diz a pesquisa.

Esse racismo institucional, que arregaça as mangas, deve ser reconhecido e repudiado. Hoje, menos 8% dos assassinatos de jovens negros vão para o tribunal, segundo a Anistia Internacional.

É a evidência de que a impunidade resiste e, por isso, o alerta para a violência contra a juventude negra deve ser pleno.