COMPORTAMENTO
19/11/2014 13:54 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Como ‘Cinquenta tons de cinza' levou o BDSM até o mainstream

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Em entrevista para o The Guardian, Jamie Dornan revelou ao mundo que não haverá mesmo nenhum pênis em “Cinqüenta tons de cinza”. Ou, usando as palavras do ator, o “todger” dele não aparecerá. A notícia chegou aos fãs como um choque rivalizado apenas pela percepção de que safra anda ruim: de que serve um filme sobre sexo quente sem nudez masculina? Essa reação coletiva abrange a maneira em que E.L. James tornou a aceitação da expressão da sexualidade aceitável. Trazendo o Christian Grey para o nosso consciente, “Cinqüenta tons” tornou a discussão diária sobre BDSM em algo normal.

Existem sites dedicados ao BDSM desde o início dos tempos da Internet. Mas nunca foi algo que nos deixasse especialmente confortáveis. A percepção estigmatizada do fetiche era especialmente verdadeira para o público alvo de E.L. James (provavelmente mulheres reprimidas em clubes de livros). O BDSM era completamente tabu antes do surgimento da deusa interior da Anastásia Steele. Então, o que aconteceu?

Bem, vamos voltar: Chamar todos os grupos que lêem “Cinqüenta tons” de reprimidos não é justo. Mas se fomos falar francamente, o livro de James não é para praticantes do sadismo e masoquismo. O BDSM refletido naquelas páginas não é o BDSM da vida real. Como Roxanne Gay escreveu para o The Rumpus: “Esta analogia pode ajudar a ilustrar a diferença entre o BDSM do mundo real e o BDSM do mundo de E.L. James – Cinqüenta tons de cinza : BDSM :: McDonald’s : Comida.” Isso resume quase tudo. Mas, em algum nível, essa explosão de conteúdo erótico no nível macro ajudou a pessoas que nunca teriam sido expostas de outra forma a comida provarem o Mac.

O poder de “Cinqüenta tons” está na apresentação barata e acessível. É redutivo, simplista e parcialmente incorreto, mas é isso que o fez explodir e tornar-se um fenômeno com 100 milhões de copias vendidas. Ele deu acesso ao tema para pessoas que caso contrario nunca teriam ouvido falar sobre ele, ou talvez pior, teriam tido vergonha. Como a Dra. Audrey Ervin, professora de psicologia no Delaware Valley College, escreveu sobre o tema, “O que o livro com certeza diz é que existem mulheres que desejam explorar temas sexuais fora do mainstream e que livros estão dando a essas mulheres curiosas um caminho para fazer isso”. A palavra chave aqui é “mainstream”. Ao entrar na estratosfera cultural visível, “Cinqüenta tons” tornou acessível a experimentação sexual e abriu os meios de comunicação para fazê-la.

Isso não é tão simples ou bobo quanto uma dona de casa usando panos de chão para restringir de leve o seu marido (isso é uma piada e existe uma discussão inteiramente separada a ser tida sobre se devemos ou não a chamar isso de “mommy porn”). A coisa para refletir aqui é a construção social que rodeia a nossa sexualidade. A idéia de que esses tipos de atividades são vistas como anormais ou fetichistas até serem lançadas ao mainstream revela o quanto as nossas restrições sociais são ridículas para começar. Se as mesmas pessoas que formarão a fila para a sessão da meia-noite de “Cinqüenta tons” tivessem hesitado em participar do dialogo ao redor do BDSM, talvez precisaríamos nos preocupar menos sobre o que outras pessoas acham de nossas preferências relacionadas ao “todger”.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.