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19/11/2014 22:27 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Cientistas querem clonar mamute extinto há 43 mil anos

Em maio do ano passado, cientistas da Siberian Northeastern Federal University encontraram uma carcaça de mamute em excelente estado de preservação em uma ilha siberiana chamada Malyi Lyakhovsky (veja no vídeo acima).

Durante um ano de investigações, eles descobriram que a fêmea encontrada, que recebeu o apelido de Buttercup, tinha apenas 2,5 metros de altura -- o tamanho de um elefante asiático comum.

Testes com carbono-14 indicaram que ela tinha nascido há 43.000 anos, e morreu com mais ou menos cinquenta anos. Outras análises indicaram até o número de filhos -- oito -- e o prato favorito de Buttercup: dentes-de-leão.

A descoberta mais surpreendente, porém, foi muito além das expectativas dos pesquisadores.

Durante a inserção de instrumentos no cotovelo da carcaça, um esguicho de sangue saiu da carne do animal milenar.

Foi a primeira vez que cientistas conseguiram obter sangue suficiente de uma carcaça pré-histórica para realizar uma clonagem.

Por ora, os pesquisadores ainda não conseguiram encontrar uma cópia integral do genoma do animal. Mas já acharam bons pedaços do DNA, que podem montar o genoma como um quebra-cabeça. Outra possibilidade seria pegar o DNA de elefantes "contemporâneos" para tapar os buracos do DNA da mamute.

Podemos. Mas será que devemos?

Com todos esses instrumentos à mão, nunca estivemos tão próximos de conseguir clonar um mamute saudável, como relatou o Siberian Times. Bastaria inserir o DNA reconstituído de Buttercup no óvulo de uma elefante comum cujo material genético tivesse sido retirado.

Mas a principal questão é ética. Como aponta o Telegraph, muito provavelmente a elefante responsável pela gestação morreria no processo. E, como clonagens são coisas complexas, a chance de tudo dar certo na primeira tentativa é mínima, o que aumentaria a quantidade de elefantes sacrificadas.

Como discutiu a BBC, criar condições favoráveis para que animais extintos possam viver com dignidade não é algo fácil. E também não há como prever qual será o impacto da introdução de uma "nova velha espécie" na natureza.

Intervenções biológicas são extremamente polêmicas. As contradições entre a curiosidade humana e o respeito ao equilíbrio natural são um dos maiores debates da ciência hoje e dividem intelectuais.

E você, o que acha? É legítimo clonar um animal extinto em nome da ciência? Exponha sua opinião abaixo, nos comentários!

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