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18/11/2014 13:51 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Brasil precisa investir mais nos jovens para aproveitar bônus demográfico nos próximos 15 anos, alerta ONU

JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONT

O Brasil tem apenas cerca de 15 anos para aproveitar os benefícios do bônus demográfico, quando a população economicamente ativa ainda é mais de duas vezes maior do que os chamados dependentes - crianças e idosos.

O relatório do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) de 2014, divulgado nesta terça (18), mostra que boa parte dos países em desenvolvimento estão atualmente em condições de transformar esse momento em um impulso ao crescimento, mas precisam investir em educação e saúde e em uma economia estável.

"O potencial (do bônus demográfico) pode ser enorme, desde que haja políticas econômicas de apoio e os investimentos em capital humano, particularmente nos jovens, sejam substanciais e estratégicos", diz o relatório Estado da População Mundial 2014. "Sem uma economia sólida e uma estrutura política para apoiá-la, o dividendo pode não se realizar."

No Brasil, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que, hoje, para cada 100 pessoas economicamente ativas - entre 15 e 64 anos - 52,3 são dependentes, incluindo crianças e idosos. Na década de 70 eram 83 para cada 100. Essa tendência continua até 2020, quando a projeção é de que chegue a 48,8, e então comece a aumentar. Em 2050, a cada 100 pessoas economicamente ativas, 57,8 serão dependentes.

O bônus acontece quando um país consegue diminuir a mortalidade infantil, consequentemente aumentando a expectativa de vida, e reduzir também a taxa de natalidade. Com famílias menores, mais mulheres entram no mercado de trabalho, mais recursos que antes eram usados para criar filhos podem ser dedicado à formação e à saúde das crianças existentes.

Mas, para usar isso em todo seu potencial, os países precisam garantir educação de qualidade e saúde para que essas crianças se transformem em jovens aptos a encontrar empregos de qualidade.

"O bônus demográfico é uma oportunidade que o País tem para se desenvolver economicamente e incluir. O Brasil tem feito progressos, mas ainda tem muitos desafios pela frente", afirma Anna Cunha, oficial de projetos do UNFPA. "Para tirar o melhor proveito possível para que os jovens encontrem um ambiente para adquirir as capacidades exigidas e entrar no mercado de trabalho com qualificação."

Apesar do crescente investimento em educação, o Brasil ainda tem uma população jovem com pouca qualificação, o que se reflete na dificuldade de ocupar vagas de trabalho qualificadas. Apesar dos baixos índices de desemprego registrados até esse momento, o trabalhador brasileiro ainda é pouco qualificado, o que se reflete em uma renda abaixo do possível. Apenas 12% tem curso superior. Em média, os brasileiros tem apenas 7,5 anos de estudo - 33,5% dos brasileiros têm apenas o ensino fundamental incompleto.

O relatório aponta, por exemplo, a Coreia do Sul como um exemplo de um país que foi capaz de usar seu bônus demográfico. De 1950 para cá, o produto interno bruto sul-coreano cresceu 2.200%. O relatório aponta que entre um terço e metade do crescimento do PIB per capita no sudeste asiático pode ser atribuído ao bônus demográfico.

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