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17/11/2014 20:25 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Petrobras sabia de propina paga pela empresa holandesa SBM a funcionários da estatal brasileira, revela Graça Foster

Renato Costa/Estadão Conteúdo

A presidente da Petrobras, Graça Foster, afirmou nesta segunda-feira (17) que a empresa holandesa SBM relatou a ela o pagamento de propina a seus funcionários. No entanto, não soube dizer os nomes dos funcionários envolvidos e o valor da propina paga.

A Petrobras não vai interromper os contratos já em curso com a holandesa SBM ou com as empreiteiras acusadas de atuar no esquema de corrupção investigado no âmbito da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

"A SBM tem tido uma performance excepcional na operação de oito (plataformas) FPSO, sempre acima da média. Não vamos interromper os contratos com ela nem com outras empreiteiras que trabalham conosco até que tenhamos informações tão avassaladoras a ponto de encerrar os contratos com elas", disse a presidente da estatal.

Antes, a executiva afirmara que a participação da SBM em novas licitações da Petrobras estava vetada. Segundo ela, o caso da companhia holandesa é distinto porque ela admitiu ter agido com corrupção. "Ela (SBM) oficializou para nós que corrompeu empregados da Petrobras, então não tem menor chance de continuar trabalhando conosco até que tudo esteja esclarecido", afirmou.

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O diretor de Engenharia, Tecnologia e Materiais da Petrobras, José Antonio Figueiredo, explicou que sempre que se identifica uma não conformidade contratual com uma companhia a Petrobras pode suspendê-la por um período de seis meses a dois anos.

Isso pode ocorrer por mau desempenho ou postura inadequada no relacionamento comercial.

"Toda vez que o jurídico nos comunica, abrimos uma comissão especial para analisar. Os contratos em andamento continuam, mas relações futuras vão depender das investigações", disse Figueiredo.