NOTÍCIAS
15/11/2014 10:09 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Vinte presos na 7ª fase da Operação Lava Jato, entre eles ex-diretor da Petrobras e executivos de 9 empreiteiras, prestam depoimento à PF neste feriado

HUGO HARADA/AGÊNCIA DE NOTÍCIAS GAZETA DO POVO/EST

Vinte pessoas presas durante a sétima fase da Operação Lava Jato nesta sexta-feira (14), entre eles Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, e presidentes e executivos das 9 maiores empreiteiras do país começam a prestar depoimento ainda nesta manhã de 15 de novembro, dia da Proclamação da República, na sede da Polícia Federal no Paraná.

Segundo a Globo News, 16 presos foram transferidos do Rio de Janeiro num avião da PF que, devido a um problema mecânico, atrasou e só chegou a Curitiba por volta de 5h30 da manhã de sábado. Outras quatro pessoas com mandado de prisão decretado se entregaram diretamente no Paraná.

Como a Justiça expediu 31 mandados de prisão preventiva ou temporária na sétima fase da Lava Jato, 11 pessoas ainda devem ser detidas pela PF nas próximas horas.

Segundo a Globo News, o clima diante da sede da PF em Curitiba era tranquilo, sem nenhum esquema especial de segurança aparente, a não ser pela presença de vários advogados, que não quiseram falar.

A PF quer iniciar os depoimentos o quanto antes para evitar que algum preso obtenha uma medida judicial de relaxamento de prisão, o que prejudicaria a investigação.

LEIA MAIS:

- Polícia Federal prende mais um ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, em nova fase da Operação Lava Jato

- Veja a lista dos executivos presos ou com mandado de prisão e outros detidos na 7ª fase da Operação Lava Jato

A Lava Jato investiga uma quadrilha que teria desviado bilhões de reais dos cofres da Petrobras para abastecer o caixa de três partidos políticos governistas: PT, PP e PMDB. As empreiteiras conseguiam obras na Petrobras mediante pagamento de propina.

Nove das maiores empreiteiras do país tiveram seus presidentes e/ou alto executivos presos nesta sexta, entre elas Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht, UTC, Queiroz Galvão, Engevix, Mendes Júnior, Galvão Engenharia e Iesa Óleo e Gás.

A operação é considerada pela Polícia Federal como histórica por ser a primeira vez que há uma ação envolvendo as maiores empreiteiras do País num só escândalo.

Também foi detido Renato Duque, que agora é o segundo ex-diretor da Petrobras detido na Operação Lava Jato desde março deste ano. O outro é Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento, que assinou acordo de delação premiada com a Justiça Federal no qual se compromete a contar tudo o que sabe sobre o esquema de corrupção e a indicar provas.

Costa também já esteve preso na sede da PF no Paraná, onde prestou vários depoimentos, mas atualmente cumpre prisão domiciliar no Rio.

Os 20 presos nesta sexta-feira vão fazer companhia na carceragem da PF ao doleiro Alberto Yousseff, preso desde março quando a Operação Lava Jato veio a público. Yousseff também fez acordo de delação premiada com a Justiça e tem prestado diversos depoimentos, ainda sigilosos, nas últimas semanas.

De acordo com o relatório que embasou as prisões e investigações deflagradas pela PF nesta sexta, as investigações indicaram que "as maiores empreiteiras do país formariam uma espécie de cartel, definindo previamente as vencedoras das licitações da Petrobras, o que lhes permitia cobrar o preço máximo da empresa estatal, e que pagavam um porcentual, de 3% ou 2%, sobre o valor dos contratos a agentes públicos". O relatório é assinado pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná, responsável pelo caso.

A Justiça Federal de Curitiba identificou pagamentos de R$ 90 milhões das empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato às empresas controladas pelo doleiro Alberto Youssef. O doleiro seria o responsável por repassar os recursos desviados da Petrobras a partidos políticos, empresários e outros beneficiados do esquema de corrupção. Os pagamentos eram justificados como pagamento a serviços terceirizados de consultoria financeira e técnica mas, de acordo com as investigações, as empresas controladas por Youssef não exerciam qualquer atividade econômica e funcionavam apenas como fachada para a lavagem do dinheiro.

LEIA MAIS:

- Veja: "Dilma e Lula 'sabiam tudo' sobre corrupção na Petrobras, disse Youssef à PF"; capa da revista domina redes sociais

- Propina na Petrobras: Paulo Roberto Costa afirma que PT, PMDB e PP foram beneficiados na campanha de 2010