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15/11/2014 12:14 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Após casos de estupro e violência, promotora vai intimar organizadores de festas na USP a depor

Reprodução/YouTube

Após desistirem de prestar esclarecimentos espontaneamente ao Ministério Público Estadual (MPE) sobre as acusações de estupro em festas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), integrantes do Show Medicina, grupo de estudantes que organiza trotes na unidade, serão intimados pela Promotoria a depor e a entregar documentos sobre o funcionamento da entidade.

De acordo com Paula Figueiredo, promotora de Justiça dos Direitos Humanos que acompanha o caso, integrantes do grupo chegaram a procurar o MPE e agendar para ontem um depoimento informal para esclarecer as acusações. "Hoje (ontem), eles nos ligaram desmarcando o encontro. Disseram que foram orientados a não se manifestar sobre o caso."

Após a decisão do grupo, ela preparou uma intimação para que os integrantes sejam ouvidos formalmente e para que apresentem documentos como o balanço dos últimos cinco anos e autorizações para realizações de eventos, entre outros.

Na terça-feira, duas alunas relataram, em audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), ter sido estupradas em festas do curso de Medicina. Segundo a deputada estadual Beth Sahão (PT), a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia vai agora chamar tanto os alunos quanto os organizadores das festas na USP para depor na Casa. Dois estudantes da faculdade disseram, por meio da ouvidoria da instituição, ter sido vítimas de "acusação falsa e pública de violência sexual", que não teriam cometido. A queixa foi feita neste ano.

Segundo o Estado apurou, a ouvidoria não recebeu queixa sobre nenhum dos dois casos de estupro. "A ouvidoria não foi procurada nos casos que, agora, vieram à luz por meio da imprensa e, embora soubéssemos de sua existência, não pudemos agir", disse o órgão, em nota.

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Os supostos agressores, porém, registraram a reclamação. "Fomos procurados, entretanto, por dois estudantes que denunciaram estar sendo vítimas de acusação falsa e pública de violência sexual, que não teriam cometido."

Pressão. Segundo uma das estudantes, que fez a denúncia na Alesp e preferiu não ser identificada, desde que o caso veio a público na universidade, ela sofre "forte estigmatização". "Teve comissão sobre a regulamentação do álcool em festas e a culpa caiu sobre mim." Um ano após o estupro - que teria acontecido na festa Cervejada, organizada pelo Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (CAOC) na USP -, a jovem disse que se sente mal ao cruzar com os rapazes nos corredores da universidade. "Eles saíram totalmente impunes, os vejo quase semanalmente."

Após o relato na audiência pública, também começaram a surgir ofensas nas redes sociais. A estudante disse que teve o perfil do Facebook denunciado e precisou alterar o nome no site.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Protesto e indignação

Servidores técnico-administrativos de ao menos três setores da Universidade de São Paulo (USO) protestaram contra os casos de estupro e preconceito na instituição na última sexta-feira (14), em audiência na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Segundo o jornal Estado de S. Paulo, trabalhadores do câmpus divulgaram imagens no Facebook com as frases de repúdio. "Chega de estupros e assédio nas faculdades de medicina da USP! Basta de machismo, racismo e homofobia."

Em resposta, o Sindicato dos Trabalhadores da USP divulgou nota pelo Facebook lamentando o caso.

"A reitoria deve imediatamente divulgar os números - e não os nomes das vítimas - para que o conjunto da comunidade universitária conheça a real situação dessa violência".

Em 2013, a USP critou uma comissão para apurar os casos de violência na instituição. De acordo com o professor e presidente da comissão, Paulo Saldiva, que pediu afastamento do cargo nesta semana, os trabalhos foram finalizados e o relatório deve ser entregue em breve. A Fmusp anunciou ainda que criará um centro de defesa dos direitos humanos, que servirá para dar suporte às vítimas e receber denúncias sobre casos de estupro ouo qualquer tipo de preconceito.

(Com Estadão Conteúdo)