Comportamento

Por que você deveria pensar duas vezes antes de 'roubar' o namorado de alguém (PESQUISA)

Se você é um americano solteiro e está de olho numa pessoa do outro lado da sala, as chances de que ela também seja solteira são de cerca de 50%. Mas você está preocupado com isso? Um novo estudo sugere que talvez seja o caso de se preocupar.

Segundo uma pesquisa publicada na última edição do Journal of Research in Personality, indivíduos 'roubados' de um relacionamento tendem a ser “socialmente passivos, não particularmente gentis com os outros, negligentes e narcisistas”. Eles também tendem a procurar sexo fora do relacionamento e a achar que as alternativas românticas têm mais qualidade que seus parceiros atuais.

Em outras palavras, se você roubar o parceiro de alguém são grandes as chances de que seu relacionamento com essa pessoa seja problemático.

“Na média, as pessoas roubadas mostravam disposição e desejo de manter relações sexuais fora do relacionamento”, diz Josh Foster, professor associado de Psicologia da Universidade do Sul do Alabama e um dos autores do estudo.

“Elas tendem a ser menos comprometidas com seus relacionamentos futuros; tendem a estar menos satisfeitas. Em geral, baseado na qualidade das funções do relacionamento que medimos, as pessoas que foram roubadas de outros relacionamentos apresentaram resultados um pouco piores do que as pessoas que não foram roubadas.”

Foster e seus colegas criaram uma definição do “roubo” de parceiros – “quando uma pessoa que está numa relação exclusiva é seduzida a ponto de sair do relacionamento” – antes de realizar seus três estudos. Em todos eles, as pesquisas foram respondidas por um parceiro envolvido em um relacionamento que durava de zero a 36 meses.

Os questionários mediam se o sujeito havia sido 'roubado' pelo parceiro atual, o comprometimento com a relação, a satisfação com o relacionamento, a qualidade percebida nas alternativas, a atenção dada às alternativas e a infidelidade. O primeiro estudo contou com 84 participantes; o segundo, com 138; e o terceiro contou com 219 pessoas, uma amostra cruzada dos dois primeiros estudos.

Nos dois últimos estudos, os pesquisadores acrescentaram variáveis explicativas, como traços de personalidade que explicariam por que uma pessoa teria mais probabilidade (ou mais vontade) de ser roubada do parceiro atual.

Narcisismo e orientação sociossexual – ou seja, “desejo e envolvimento em atividades sexuais fora dos limites das relações estabelecidas” – foram as variáveis mais significativas por trás dos relacionamentos problemáticos resultantes do roubo de parceiros. Em termos leigos, isso significa que os parceiros que foram roubados tendem a ser narcisistas e negligentes quando se trata de sexo monogâmico. Portanto, eles são mais suscetíveis a serem 'roubados' novamente.

“Uma das coisas que observamos com os narcisistas é que, comparados com as outras pessoas, eles têm maior tendência a pular fora e a procurar algo melhor quando as coisas ficam difíceis no relacionamento”, disse Foster.

Mas Foster adverte contra julgamentos apressados baseados unicamente no fato de a pessoa ter sido roubada. O próprio ato do “roubo” pode ser bem nebuloso. O próprio Foster diz não saber com certeza se já roubou ou foi roubado, pois a definição pode encampar vários tipos de comportamentos.

Ele disse que alguém pode achar que está “dando um tempo” do parceiro e que, portanto, pode não se considerar roubada caso comece um novo relacionamento. O mesmo cenário, porém, pode ser considerado roubo por outras pessoas.

Além disso, Foster afirma que a tendência que observou é mais teórica e não deveria ser levada muito a sério em nível pessoal.

“Acredito que esse paper possa ser considerado uma sugestão minha de que toas as pessoas roubadas são, por definição, más pessoas e maus parceiros. Mas não acredito nisso”, diz ele.

“Se tudo o que você me dissesse a respeito de duas pessoas é que uma foi roubada e a outra, não, e depois me perguntasse qual delas teria maior probabilidade de ser infiel, eu apostaria na que foi roubada. Mas seria uma aposta ruim. Seria um pouco mais que um chute, se eu me baseasse apenas nessa informação.”

“As pessoas são muito mais complicadas do que uma única coisa que tenham feito", ele conclui.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.