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14/11/2014 18:02 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:47 -02

Por que coçar só aumenta a coceira? A ciência tem uma resposta

nebari/Thinkstock

De pele ressecada a picada de mosquito, existem milhões de razões pelas quais sentimos coceira. Mas às vezes, quando nos coçamos, acabamos sentindo ainda mais coceira – e um grupo de cientistas descobriram uma possível explicação para esse fenômeno.

Pesquisadores da Washington University School of Medicine da cidade de St. Louis, EUA, publicaram um estudo que mostrou que coçar uma região da pele onde sentimos coceira pode causar dor, causando a liberação de serotonina pelo cérebro – o elemento químico da “felicidade” que ajuda a regular o humor – que muitas vezes pode fazer com que a sensação da coceira se intensifique.

"O problema é que quando o cérebro recebe esses sinais de dor, ele reage produzindo a serotonina, o neurotransmissor que ajuda a controlar essa dor”, explicou o pesquisador chefe Zhou-Feng Chen, PhD, que também é o diretor do Centro de Estudos da Coceira da Washington University (Center for the Study of Itch), em um comunicado recente. “Mas à medida que a serotonina se espalha do cérebro pela medula espinhal, descobrimos que ela consegue ‘sair dos trilhos’, saindo dos neurônios que detectam a dor para células nervosas que influenciam a intensidade da coceira”.

(o texto continua abaixo)

itching and scratching

Os cientistas que conduziram o estudo criaram uma espécie de rato geneticamente modificado que não possuía serotonina. Quando receberam injeções de produtos químicos que causam coceira, esses ratos não se coçavam tanto quanto os que produziam serotonina. Mas assim que os ratos geneticamente modificados receberam a injeção de serotonina, a coceira começou.

No entanto, essa descoberta não representa uma “cura” para coceiras. Em primeiro lugar, viver sem serotonina não é possível para os seres humanos, já que esse elemento químico é essencial para a nossa felicidade, nosso sono e nosso relaxamento, além de ser necessário também para o crescimento e para o metabolismo ósseo.

Além desses fatores, também é preciso que mais pesquisas sejam feitas sobre como os seres humanos sentem coceiras. “Queremos saber se a mesma coisa acontece ou não com os seres humanos” disse o Dr. Zhou-Feng Chen ao The Huffington Post. "Sabemos que acontece nos ratos, mas ainda não sabemos ao certo se acontece em humanos, apesar de suspeitarmos que isso é provável”.

Dr. Gil Yosipovitch, chefe do departamento de dermatologia do curso de medicina da Temple University e diretor do Temple Itch Center (Centro de Estudo da Coceira), também opinou sobre a pesquisa.

“A grande questão é que ratos e humanos são bem diferentes em vários aspectos”, ele disse ao HuffPost. "É um modelo interessante, mas ainda estamos longe de solucionar a complexidade dos casos de coçar e sentir coceira. Existem vários outros componentes do problema, e não vai resultar na criação de um medicamento imediatamente. O problema é que esses estudos são publicados e as pessoas pensam ‘Ei, mas não resolve se você me receitar um inibidor de serotonina?’ Mas a verdade é que ainda estamos muito longe disso”.

Então, por enquanto, na próxima vez que sentir vontade de se coçar, você terá que resistir a esse impulso – se conseguir.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.