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14/11/2014 16:51 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:47 -02

Missão Rosetta: bateria do robô pode acabar nesta noite

Divulgação/ESA/ATG medialab

Os cientistas da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) estão correndo contra o tempo para coletar o máximo de dados possíveis do módulo Philae, que pousou na quarta-feira no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, a 509 milhões de quilômetros da Terra.

Depois de tocar a superfície do cometa, o robô quicou duas vezes, e sua localização final ainda não foi descoberta pelos pesquisadores. A mudança de posição fez com que Philae deixasse de receber a quantidade de luz solar necessária para recarregar suas baterias. Sem energia, o robô pode deixar de funcionar já nesta noite.

O Philae foi lançado ao espaço com uma bateria que o manteria funcionando por 60 horas. Essa quantidade seria adequada caso o robô tivesse pousado no local escolhido pelos cientistas, onde contaria com seis a sete horas de exposição solar a cada doze horas, suficientes para encher suas baterias. No lugar onde estacionou, no entanto, seus painéis recebem uma hora e meia de luz do Sol. É muito pouco.

De acordo com os cientistas, existe uma possibilidade — ainda que pequena — de que as baterias voltem a ser carregadas quando o cometa se aproximar do Sol. O problema é que, até lá, os painéis solares já podem estar cobertos de poeira liberada pelo 67P, impedindo a recepção da luz.

Na última noite, o robô coletou dados que começaram a chegar à ESA nesta manhã. O Mupus (Measurements of surface and subsurface properties ou Medições de propriedades da superfície e subsuperfície, em tradução livre) foi ativado, fazendo leituras de temperatura na superfície do cometa, assim como o APXS (Alpha-p-X-ray spectrometer), cujo objetivo é determinar composições químicas.

Operação arriscada

O módulo recebeu nesta sexta-feira o comando de perfurar o solo do 67P, a fim de recolher amostras para análise. Essa é uma das tarefas do Philae aguardadas com mais expectativa, porque pode ajudar a determinar se a água e as partículas necessárias à formação da vida na Terra vieram dos cometas. O procedimento é arriscado, pois pode fazer o robô, que não está firmemente preso ao chão, tombar, inviabilizando a continuidade da pesquisa.

A câmera Osiris, a bordo da sonda Rosetta, continua sendo utilizada para tentar localizar o robô, mas sem sucesso. Os cientistas checaram uma cratera na qual acreditavam que o robô estaria, mas não o encontraram.

Caso o contato seja reestabelecido com o Philae esta noite, após receber os dados restantes, inclusive os da perfuração, a equipe pode tentar movê-lo, na esperança de que ele pare em um local onde receba mais luz solar e possa continuar operando.