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14/11/2014 12:26 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:47 -02

Mais café filosófico, menos violência: Comandante interino da Polícia Militar no Rio faz convite surpreendente a oficiais

Montagem/Agência O Dia/Estadão Conteúdo/Thinkstock

O comandante interino da Polícia Militar no Rio de Janeiro, Ibis Silva Pereira, mal chegou e já está surpreendendo os oficiais. Empossado há uma semana, ele marcou um café filosófico com todos os comandantes das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs). A informação é do site do Globo.

Os cafés filosóficos são encontros informais para debates de ideias, de tradição francesa. Um professor com formação em Filosofia é geralmente o mediador das conversas.

Ibis Silva tem pós-graduação em Filosofia e está concluindo mestrado em História na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

A formação humanística aliada à "fala mansa" e "jeito didático", características dele apontadas pelo Globo, provoca curiosidade dos críticos às UPPs e à violência policial no Rio de Janeiro. Será que Ibis conseguirá imprimir um olhar mais humano à PM do Rio, que vive uma de suas maiores crises neste momento?

O interino assumiu depois que o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, exonerou o coronel José Luís Castro, em meio às revelações de envolvimento de PMs com traficantes ou em extorsão de comerciantes. Dois oficiais em funções estratégicas acabaram presos.

Ibis está preparando o terreno para o novo comandante, Alberto Pinheiro Neto, que já tomou posse, mas está se recuperando de uma cirurgia. Até o fim deste ano, Ibis vai responder pela PM do Rio. Ele se comprometeu a combater a corrupção na polícia.

Além de dar prioridade a punir infrações dos policiais, Ibis quer deixar uma marca na sua gestão — ainda que o período seja curto, menor que dois meses.

“É evidente que o combate ao desvio de conduta será prioridade, mas o princípio da dignidade humana tem que ser o maior valor da polícia”, afirmou.

Segundo o jornal O Dia, ele sempre tratou de questões de formação e ensino da tropa. Antes de assumir interinamente o comando, ele era sub-chefe da Diretoria Geral de Ensino e Instrução.

Antes, ele chefiava a Academia da Polícia Militar Dom João VI, de formação de cadetes. Quando deixou esse cargo, revelou ao portal Público, de Portugal, que acredita na "pedagogia do amor".

“Confesso que demorou a cair a ficha. Tenho uma ligação muito afetuosa com os meus alunos. Acredito numa pedagogia do amor. Cuido daqueles meninos como se fossem meus filhos, então o meu coração ficou estremecido. Senti como um pai que se vai separar dos filhos. (...) É uma chance que o comando está dando de a gente transformar a polícia militar, implementar esse processo de pacificação [nas favelas]”

É essa preocupação com o aspecto humano que pode ser um diferencial em uma corporação marcada por denúncias de corrupção e de abusos e violência contra inocentes, como o emblemático caso Amarildo.