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12/11/2014 19:04 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Crise da água em SP: Após Levy Fidelix, agora é o Consórcio PCJ quem sugere buscar água do mar para abastecer o Cantareira

Montagem/Estadão Conteúdo e Divulgação

O ex-candidato à Presidência da República Levy Fidelix (PRTB) chegou a gravar um vídeo para sugerir a medida, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que a questão estava em estudo, mas agora a ideia de buscar água no mar para o abastecimento da população de São Paulo ganhou um novo impulso. Na verdade, um projeto, orçado em R$ 6,1 bilhões.

A ideia partiu do Consórcio PCJ, associação de usuários da água das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí que conglomera 43 prefeituras e 30 empresas, e já foi enviada para a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que analisa o assunto.

A proposta aborda a possibilidade da construção de uma usina de dessalinização em Bertioga, no litoral paulista, e a construção de adutoras que trariam a água até o Reservatório Jaguari/Jacareí do Sistema Cantareira. De acordo com o secretário executivo da entidade e coordenador do projeto, Francisco Lahóz, o alto custo é um entrave, mas a situação atual, bastante caótica, pode trazer prejuízos ainda maiores do que o investimento.

“Ela é viável economicamente quando o que está sendo observado é a garantia de uma economia de um País”, disse Lahóz à Rádio CBN de Campinas. “Contando com as chuvas naturais também, poderia manter durante 365 dias por ano o reservatório com 80% da capacidade, deixando 20% no caso de eventos chuvosos. Conseguiríamos manter um Cantareira durante todo um período, mantendo todas as bacias, e nos daria um fôlego”, emendou.

O projeto prevê ainda o uso de duas tecnologias para o processo de dessanilização: por osmose reversa, utilizada em Israel, e a de evaporação. As duas formas são eficientes, sendo necessários estudos mais detalhados de viabilidade técnica e econômica de acordo com a realidade da região que será implantado.

Na semana passada, durante agenda em Santos, Alckmin disse que um estudo já realizado pelo governo paulista mostrou ser “praticamente inviável” o reaproveitamento da água do mar para o abastecimento da população, em razão do alto custo e a complexidade da operação. Todavia, ele disse ainda que todas as hipóteses estão sendo estudadas. Dias depois, o tucano pediu R$ 3,5 bilhões para a presidente Dilma Rousseff (PT) para oito obras para combater a crise da água em SP.

Ao G1, o mestre em Saneamento pela USP, Renato Ramos, corroborou que o tema é complicado, mas que buscar cada vez mais longe água doce também encarece o custo do abastecimento. De Bertioga até o Cantareira, segundo o Consórcio PCJ, seria um trajeto de 99,9 km de adutoras, tendo de vencer um desnível de 663 metros de altitude – aqui usando energia eólica para alimentar o bombeamento desta água.

Se um dia a ideia vai vingar, só o tempo – e a falta de chuvas – dirão.

Segunda cota do volume morto a partir do dia 15, diz DAEE

O superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) de São Paulo, Alceu Segamarchi Junior, afirmou que os reservatórios do Estado devem atingir a segunda cota da reserva estratégica em 15 de novembro e destacou que a Agência Nacional de Águas (ANA) já concordou com a utilização dessa parcela do volume morto.

“A expectativa é de que no dia 15 já estejamos aptos a bombear a segunda cota. A ANA já tinha concordado com a utilização da segunda reserva, o que falta definir são quais os limites para o mês de novembro. Isso estamos definindo agora ao longo desta semana, mas está legalmente autorizado”, afirmou, depois de depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de São Paulo que investiga o contrato entre a Prefeitura e a Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp).

Segamarchi afirmou ainda que não é possível para o DAEE se comprometer com a meta pedida pela ANA de chegar ao final de abril de 2015 - fim do período chuvoso - com 10% de volume útil. “Estamos buscando a meta de 10%, mas, para definir quanto vai ser extraído daqui para frente do sistema Cantareira precisamos ver como ele se comporta. Estamos observando e vamos definir isso em conjunto com a ANA nos próximos dias”, disse.

A agência federal recomendou que a utilização da segunda cota do volume morto ocorra por meio de regras que visem a maior segurança dos reservatórios, mediante a autorização de parcelas sucessivas, que considerem um volume meta mínimo nos reservatórios a ser garantido em 30 de abril de 2015, da ordem de 10% do volume útil do Sistema.

Mais cedo, o secretário de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, Mauro Arce, afirmou que é “uma questão de tempo, de dias” para que haja uma resolução conjunta autorizando o uso dessa água. Considerando o volume útil mais a reserva técnica, segundo a Sabesp, o Cantareira apresenta nesta quarta-feira 11% de volume armazenado.

(Com Estadão Conteúdo)

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