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12/11/2014 08:55 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Copa do Brasil 2014: Cruzeiro e Atlético-MG iniciam decisão histórica em competição nacional

Montagem / Estadão Conteúdo

Pela primeira vez na história do clássico mineiro, disputado entre os arquirrivais Cruzeiro e Atlético-MG, uma partida entre os clubes decidirá um torneio nacional.

A partir desta quarta-feira (12), quando o Galo e a Raposa entrarem em campo no Estádio Independência, casa do Atlético, para dar início à decisão da Copa do Brasil, um novo capítulo será escrito na história de uma rivalidade que já dura 93 anos.

O clássico já decidiu dezenas de Campeonatos Mineiros, e registrou goleadas históricas que até hoje servem de combustível para alimentar intensos debates entre as torcidas rivais - em 2011, o Cruzeiro escapou do rebaixamento do Brasileirão ao golear o rival por 6 a 1, mas os atleticanos fazem questão de lembrar que a maior diferença de gols registrado no confronto se deu a favor deles, com um 9 a 2 obtido no longínquo ano de 1927.

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Nestas mais de nove décadas de confronto, que fizeram do dérbi de Belo Horizonte um dos mais acirrados e tradicionais do futebol brasileiro, muitos craques, como Tostão, Reinaldo, Alex e Ronaldinho Gaúcho, estiveram em campo, para delírio dos fanáticos torcedores mineiros.

Nos últimos anos, com as reformas do Mineirão - com vistas à realização da Copa do Mundo - e do Estádio Independência - de propriedade do América-MG, mas que posteriormente passaria a ser utilizado pelo Atlético -, as duas equipes passaram a mandar suas partidas no interior do Estado.

A crescente violência registrada nas partidas entre os arquirrivais, todavia, faria com que os clássicos passassem a ser disputados com apenas a torcida das equipes mandantes nos estádios.

Em 2013, com a reabertura do Mineirão, os clássicos voltaram a contar com a presença da duas torcidas nas arquibancadas, embora já não fosse possível, por motivos de segurança, que elas dividissem "meio a meio" o "Gigante da Pampulha", como é conhecido o Mineirão.

De lá pra cá, os jogos disputados no local contaram com mando do Cruzeiro, ao passo que o Atlético optou por mandar suas partidas no Independência, estádio que tem uma capacidade menor, mas que funciona como um "caldeirão" devido à proximidade das arquibancadas com o campo.

A recente modernização dos dois estádios de Belo Horizonte coincidiu com o fortalecimento dos grandes clubes de Minas Gerais - em 2013, o Atlético sagrou-se campeão da Libertadores da América, ao passo que o Cruzeiro conquistou o Brasileirão, de forma contundente.

Nesta temporada, os cruzeirenses seguiram em ótima fase, conquistando o Campeonato Mineiro e caminhando com firmeza para a conquista de mais um Brasileiro, além de terem alcançado a final da Copa do Brasil. Já os atleticanos puderam celebrar a chegada, pela primeira vez, à final da Copa do Brasil, com uma campanha histórica, que contou com goleadas épicas sobre Corinthians e Flamengo.

O aumento da violência entre as torcidas rivais

O acirramento da rivalidade dos clubes mineiros, entretanto, teve uma consequência negativa: o aumento da violência dentro e fora das arquibancadas. No último duelo no Mineirão, válido pelo 2º turno do Brasileirão, bombas explodiram nas arquibancadas do estádio usado na Copa do Mundo e quatro torcedores atleticanos foram baleados fora dele.

A violência, por consequência, pautou a decisão de a Polícia Militar restringir o número de ingressos que seriam destinados à torcida do Cruzeiro nesta primeira partida da final da Copa do Brasil. Por lei, os cruzeirenses teriam direito a uma cota de 10% do total dos ingressos colocados à venda no jogo que será disputado no Independência, ou seja 2.200 entradas. A PM local, no entanto, optou por destinar apenas 8,37%, o que fez com que o número fosse reduzido para 1.821 bilhetes.

O fato detonou uma nova celeuma entre as duas diretorias. Enquanto os cruzeirenses detonaram os atleticanos por não respeitarem o acordo de destinar 10% dos ingressos à torcida do Cruzeiro, o presidente o Atlético se eximiu da decisão de reduzir o número de ingressos destinados aos rivais, afirmando que fará questão de ter a massa atleticana na segunda final da competição, que será realizada no Mineirão no dia 26 de novembro.

Dentro de campo, motivação é o que não falta. Do lado celeste, a expectativa é repetir a inesquecível temporada de 2003, quando a equipe conquistou a chamada "tríplice coroa" (Campeonato Mineiro, Brasileirão e Copa do Brasil). Já a parte alvinegra de BH quer voltar a celebrar, depois de 43 anos, um título brasileiro - a única conquista do Galo em âmbito nacional foi o Brasileirão de 1971.