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11/11/2014 10:19 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Rússia lança organização de mídia em "guerra de propaganda" com Ocidente; CNN vai interromper transmissões no país

AP Photo / Mikhail Metzel

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, definitivamente não é homem de sonhar baixo. Já conhecida por impor um rigoroso controle aos veículos de mídia, a Rússia foi palco do lançamento de uma grande organização de mídia nesta segunda-feira (10).

O Sputnik – nome da missão lançada pela URSS em 1957, que enviou o primeiro satélite artificial da Terra – é, segundo seus criadores, uma forma de combater a “a propaganda ocidental agressiva” e reparar danos causados à imagem do país diante da crise da Ucrânia.

Junto com o lançamento, a CNN anunciou que vai interromper suas transmissões no país a partir do dia 1º de janeiro de 2015, após a Rússia aprovar uma lei restringindo a participação de estrangeiros em negócios de mídia.

Segundo o Moscow Times, uma notificação da Time Warner, dona da CNN, afirma que a empresa estuda novas opções para a transmissão, mas que vai interromper seus contratos de retransmissão durante esse processo. A operação da sucursal de Moscou, segundo a nota, permanecerá inalterada.

“Somos contrários à propaganda agressiva que está sendo fornecida ao mundo”, declarou Dmitry Kiselyov, um âncora de televisão conservador que chefia o grupo midiático Rossiya Segodnya, criado por Putin no ano passado para divulgar a imagem de seu país no exterior.

“Ofereceremos uma interpretação alternativa do mundo, claro. Há demanda para isso.”

Seus comentários foram uma cutucada nos Estados Unidos, que Putin acusa de tentarem impor sua vontade ao resto do globo, inclusive no episódio da crise ucraniana, que levou as relações de Moscou com o Ocidente ao seu pior momento desde a Guerra Fria.

Visto por muitos como um dos principais propagandistas de Putin, Kiselyov apresenta um programa semanal de atualidades que destila veneno contra o Ocidente, apoia Putin, mostra a Ucrânia como nação controlada por fascistas e aprova a conduta russa na crise.

Em um palco montado diante de um imenso telão exibindo um céu estrelado, depois substituído por cenas de todo o mundo, Kiselyov disse que o Sputnik terá “centrais de notícias” em 30 cidades como Washington, Londres, Berlim, Paris, Rio de Janeiro e as capitais de uma série de ex-repúblicas soviéticas.

Suas operações incluirão distribuição de notícias, uma emissora de rádio, um site de Internet, aplicativos para smartphones e mídias sociais, além de centros de imprensa em alguns países. Algumas das centrais de notícias poderão ter equipes de mais de cem pessoas, afirmou Kiselyov.

Como a Rádio Moscou, a estação em língua estrangeira da era soviética que era transmitida ao exterior, a Sputnik pretende alcançar 34 nações em 30 idiomas até o fim do ano que vem.

No mês passado, Putin assinou uma lei que limita a participação estrangeira em veículos de comunicação russos em 20%. A norma passa a vigorar em 1º de fevereiro de 2017.

Com informações da Reuters