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11/11/2014 20:47 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Demissão de Marta Suplicy revela insatisfação com rumos de Dilma Rousseff na economia e ferida aberta dentro do próprio PT

Montagem/Estadão Conteúdo

Se o PMDB com seu fogo amigo já está dando dor de cabeça para a presidente reeleita Dilma Rousseff, imagine um segundo mandato sem coesão interna do próprio PT. A saída antecipada da ministra da Cultura, Marta Suplicy, com críticas e doses de ironia endereçadas à Dilma, indica que a petista pode ficar sem o apoio de nomes fortes do partido, descontentes com os rumos do atual governo.

Acelerando sua saída, Marta não poderia ter sido mais direta ao expressar insatisfação com a política econômica de Dilma na carta de demissão. "Todos nós, brasileiros, desejamos, neste momento que a senhora seja iluminada ao escolher sua nova equipe de trabalho, a começar por uma equipe econômica independente, experiente e comprovada", alfinetou.

Para a ex-prefeita de São Paulo, Dilma deve escolher um novo quadro do Ministério da Fazenda "que resgate a confiança e credibilidade ao seu governo e que, acima de tudo, esteja comprometido com uma nova agenda de estabilidade e crescimento" para o Brasil.

Ao contrário do coro dos petistas que reelegeram a presidente, Marta adota o discurso do mercado.

Não, o País não está crescendo.

Sim, medidas adotadas pelo governo Dilma abalaram a confiança dos investidores, sobretudo o descumprimento da política de responsabilidade fiscal e a maquiagem das contas públicas.

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A ministra demissionária era uma das porta-vozes do movimento "Volta, Lula" para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse o candidato à Presidência neste ano, no lugar de Dilma.

Marta coloca as garras da independência de fora e, por isso, o Palácio do Planalto teme como será sua postura de volta ao assento no Senado.

Fator Gilberto Carvalho

Além de Marta Suplicy, outro crítico da presidente na Esplanada é o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que nesta semana afirmou à BBC que Dilma dialogou menos que Lula.

A presidente não engoliu as afirmações de Carvalho de que o governo "avançou pouco" no atendimento às demandas dos movimentos sociais e de que "deu tiro no pé" ao tratar da questão indígena.

Ele também deve deixar o cargo, onde foi colocado por Lula.

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Muitos petistas também vão exigir cargos de Dilma na reforma ministerial. E o choro é alto, uma vez que o partido teme ficar mais uma vez sem a presidência da Câmara dos Deputados.

O PMDB quer emplacar novamente o cargo, com o líder do partido na Casa, Eduardo Cunha (RJ), uma das pedras no sapato do Planalto e um dos principais pesadelos daqueles petistas que realmente estão com Dilma.