COMPORTAMENTO
10/11/2014 12:03 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Vamos conversar sobre ‘1989', de Taylor Swift

Kevin Winter via Getty Images
LOS ANGELES, CA - OCTOBER 24: Singer Taylor Swift performs onstage during CBS Radio's We Can Survive at the Hollywood Bowl (presented by 5 Hour Energy) on October 24, 2014 in Los Angeles, California. (Photo by Kevin Winter/Getty Images for CBS Radio Inc.)

Jessica Goodman: Chris, precisamos conversar sobre “1989”.

Christopher Rosen: Que foi, Jess? Não tou te escutando porque estou ouvindo “1989”.

JG: Oh, já volto, só preciso começar “Style” de novo, porque a partir de agora essa é a música que toca quando entro numa sala.

CR: A gente poderia ficar nessa o dia inteiro – “Vou arrumar meu cabelo tipo miss e ouvir ‘Wildest Dream’. Fui!” – mas que tal se a gente falasse sobre o que faz de 1989 o melhor disco pop do ano? Ou será que é mesmo? Todas as músicas batem no estômago.

taylor swift

JG: Sou 100% do time “melhor disco de música pop do ano”. Você tem razão. A cada música, ou o coração doi (Taylor clássica), ou você quer abrir uma pista de dança debaixo de um forte de travesseiros, ou então quer aprender todas as letras pra poder cantar no karaokê. As pessoas falam que ela abandonou o country, que têm saudade da antiga Taylor e suas músicas saídas de um diário. Mas essas músicas novas são demais. Ela poderia ter lançado “Style”, “Blank Space” ou “All You Had to Do Was Stay” como os primeiros singles. Isso, pra mim, é a progressão de uma artista. Ela é uma das melhores compositoras da nossa geração.

CR: Ela deveria ter chamado esse disco de “Bangerz” – desculpa, Miley – e o título seria preciso (ele escreveu ouvindo “How You Get the Girl” e dançando na cadeira). Mas acho bom você mencionar essa coisa country. É isso o que as pessoas vão criticar: “Não é mais a mesma coisa!” E, mesmo assim, acho que foi a maior sacada: diria que ela basicamente deixou de ser uma cantora country em “Speak Now” e abandonou completamente a ideia em “Red”. Essa ideia de que ela “finalmente” gravou um disco pop é pura narrativa. Como escreveu Jon Caramanica em sua resenha de “1989”, também conhecida como nossa pedra de Rosetta: Taylor Swift consegue nos convencer de que ela é o azarão, e a coisa de “virar pop” é só parte dessa história.

JG: Ela também é #abençoada por viver numa época interessante para mulheres estrelas do pop. Ela faz coisas muito diferentes das outras: Katy Perry, Miley e Beyoncé (e diria também da Nicki Minaj). Todas elas fazem coisas incríveis pela música e, sim, pelo feminismo. Mas Taylor, de certa maneira, transcende a ideia clássica de uma “pop star”. É impossível ignorar o fato de que ela também é uma celebridade. Ela fica em casa, faz doces, cuida do jardim e tem amizades bem documentadas com Lena Dunham, Lorde e Karlie Kloss. É uma marca construída para durar. Também é impossível falar desse disco sem mencionar as marcas literais. “Style” foi usada para vender a Target, “How Do You Get the Girl” para a Diet Coke e Nova York acaba de transformá-la numa embaixadora do turismo (por “Welcome to New York”). Ela está ganhando MUITO dinheiro.

taylor swift

CR: Taylor Swift, trazendo conteúdo patrocinado para a música desde 2012. (Será que a gente consegue achar as faixas-bônus que ela acrescentou na versão de “1989” vendida pela Target online? Estou pedindo para um amigo, que sou eu mesmo.) Mas Swift está fazendo praticamente tudo certo: você olha para Miley e Katy –suas maiores contemporâneas, acredito, no cenário do Top 40 --, e Taylor está driblando as duas de tantos jeitos diferentes. Ela é a cantora com que sua mãe, seu pai, sei irmão e seu priminho concordam. Assim, e com a relação que ela tem com Dunham e Lorde, ela parece mais próxima de Beyoncé do que de qualquer outra pessoa na música pop (mesmo que o lançamento desse disco seja o oposto da surpresa de Beyoncé). Não que “1989” seja atemporal – pelo contrário; o tempo está aqui e agora, no título --, mas a marca de Taylor funciona para uma pop star de 25 anos e vai funcionar, um dia, para uma ícone de 45. Mas antes que isso vire um artigo de reflexão, vamos voltar para o disco em si. Já estou obcecado, e ele saiu faz só 12 horas. Você consegue escolher uma música favorita?

JG: “Style”, pra mim, sempre fica em primeiro lugar. Sempre adianto “Shake it Off” porque sou uma mulher adulta e não tenho de escutar música de que não gosto. É o ponto fraco do disco. Adoraria ser uma mosca na parede na reunião em que decidiram qual seria o primeiro single. Outros destaques: “Blank Space”, porque somos todos pesadelos vestidos de devaneios, e “Bad Blood”. Aquele refrão sobreviveria aos Jogos Vorazes.

CR: “Shake it Off” é realmente terrível. Deveria estar num disco de Katy Perry, e olha que sou fã de Katy Perry. Mas pode ter a melhor mensagem para as pobres almas que não gostam de “1989”: Haters gonna hate (quem odeia vai odiar). Podem odiar! Eu vou ouvir durante semanas.

JG: Aliás, acabam de anunciar que Taylor vai ser a atração principal da festa de Ano Novo de Nova York. É o mundo (capitalista) de Taylor.

CR: Taylor para presidente em 2016.

Jessica Goodman é editora de entretenimento do The Huffington Post; Christopher Rosen é o editor executivo de entretenimento. Os dois adoram Taylor Swift.

LEIA MAIS:

- Taylor Swift canta "Someone Like You" de Adele para fã com leucemia (VÍDEO)

- Taylor Swift lidera a lista dos músicos que mais ganharam dinheiro em 2013

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

Os artistas que mais faturaram em 2013, segundo a Billboard