NOTÍCIAS
10/11/2014 16:49 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Família Bolsonaro mais do que unida: Pai detona Aécio Neves e filhos atacam acordo do MST e José Mujica nas redes sociais

Wilton Junior/Estadão Conteúdo

A família Bolsonaro promete fazer ainda mais barulho durante os próximos quatro anos de legislatura, seja no Congresso Nacional, seja na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Nesta segunda-feira (10), quase em um ‘esforço concentrado’, ainda que não necessariamente articulado, pai e filhos apontaram a sua artilharia para alguns alvos que estão no noticiário nos últimos dias.

Pré-candidato assumido à Presidência da República em 2018, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) usou a sua página no Facebook para criticar PT e PSDB, os partidos que polarizaram mais uma vez a corrida presidencial neste ano. Compartilhando um post de Olavo de Carvalho, ele não perdeu a chance de citar o senador tucano Aécio Neves (MG), derrotado na corrida pelo Palácio do Planalto.

“’PARA A DIREITA NÃO ADIANTA ME EMPURRAR QUE EU NÃO VOU.’ Aécio Neves, no ‘globo’ de hoje, domingo, 9 de novembro de 2014. Quer dizer que exigir que o sujeito diga a verdade sobre o Foro de São Paulo é ‘empurrá-lo para a direita’? A tradução correta dessa declaração é: Se a verdade vem da direita, prefiro mentir com a esquerda. TODOS os males do Brasil no presente vêm desse princípio (sic)”, escreveu Bolsonaro.

Nunca é demais lembrar que ele declarou apoio a Aécio no segundo turno, mas lamentou ter sido “rejeitado” pelo tucano, que preferia receber abertamente o apoio do “maconheiro” Eduardo Jorge (PV). Como o PP integra a base de governo da presidente Dilma Rousseff (PT), Jair Bolsonaro já declarou que pode mudar de sigla para tornar realidade o seu sonho presidencial – que naufragou neste ano.

Acordo entre Venezuela e MST é alvo de filho de Bolsonaro

Deputado estadual pelo PP, Flavio Bolsonaro deu entrada na última sexta-feira (7) com uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF) para que sejam investigados possíveis crimes na assinatura do convênio entre o governo da Venezuela e o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST).

“Há indícios suficientes para crer que há intenção dos signatários do convênio supracitado em constituir uma associação de caráter paramilitar com a finalidade de instaurar uma revolução socialista”, diz trecho do documento protocolado pelo parlamentar, filho de Jair Bolsonaro.

O polêmico acordo, que já fez inclusive o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, pedir explicações ao encarregado de negócios do venezuelano, Reinaldo Segóvia, trata da visita feita pelo ministro venezuelano para o Poder Popular das Comunas e Movimentos Sociais, Elias Jaua, sem comunicar o Itamaraty.

Em nota divulgada nesta segunda-feira (10), o MST publicou o teor do acordo e defendeu que ele “prevê um intercâmbio bolivariano entre camponeses de ambos os países na área de cooperativismo agrícola e economia solidária, com a finalidade de troca de experiências e conhecimento sobre a produção agroecológica”.

Além disso, o MST atacou o que chamou de “setores conservadores”, os quais, segundo a nota, “demonstram que não admitem qualquer participação popular, condenando iniciativas de criação de conselhos consultivos, convocação de plebiscitos e a realização de acordos na área de cooperativismo e economia solidária”.

Nesta quarta-feira (12), a Comissão Parlamentar de Inquérito da Espionagem do Senado deve apreciar dois requerimentos do deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) que tratam do assunto. Os parlamentares devem questionar o diretor-geral da Abin, Wilson Roberto Trezza, e o ministro de Segurança Institucional da Presidência da República, José Elite, sobre o acordo.

Sobrou até para o presidente do Uruguai

Por fim, o deputado federal eleito por São Paulo Eduardo Bolsonaro (PSC) aproveitou a visita feita pelo presidente uruguaio José ‘Pepe’ Mujica para criticar o que ele chamou de “festa” do Foro de São Paulo, organização que reúne partidos e organizações de esquerda da América Latina e do Caribe.