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10/11/2014 19:56 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Crise da água em SP: Em encontro com Dilma Rousseff, Geraldo Alckmin apresenta plano de obras de R$ 3,5 bilhões

JOEL RODRIGUES/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), encontrou-se com a presidente Dilma Rousseff (PT) nesta segunda-feira (10), no Palácio do Planalto, e levou consigo um conjunto de obras para enfrentar a crise hídrica que atinge o Estado. Os investimentos totalizam R$ 3,5 bilhões, mas ainda não há garantias de que toda a verba será liberada, já que faltam detalhes de todas as obras solicitadas pelo governo paulista.

Em conversa com os jornalistas, Alckmin voltou a afirmar que o Estado não passa por racionamento e que não há risco de abastecimento para a população, São Paulo tem enfrentado a maior seca dos últimos 84 anos com “planejamento’ e “uso racional da água”. “São Paulo não tem racionamento de água, o abastecimento está garantido, estará garantido em novembro, dezembro, janeiro, fevereiro, primeiro semestre, segundo semestre”, disse.

O governador tucano ainda deu mais detalhes do que foi conversado com Dilma e com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. “O que propusemos foram oito novas obras. O governo de São Paulo precisará do máximo que o governo federal puder dar”, comentou.

Alckmin espera os recursos para as seguintes obras: a interligação dos reservatórios Atibainha e Jaguari; dois novos reservatórios em Campinas e adução dessas estruturas; Estações de Produção de Água de Reúso (EPAR) para reforço dos sistemas Guarapiranga e Baixo Cotia; interligação do rio Jaguari com o Atibaia; interligação do rio Pequeno com a represa Billings; e perfuração de poços artesianos na região do Aquífero Guarani.

Há obras que já podem ficar prontas no ano que vem, como as EPARs, disse Alckmin, e há outras que levam até três anos para ficarem prontas. Ele classificou essas obras como “estruturantes” e citou projetos para minimizar os efeitos da crise hídrica no curto prazo: “vamos entregar neste mês de novembro mais um metro cúbico por segundo no Guarapiranga. São 300 mil pessoas que saem do Cantareira e passam para o Guarapiranga”, alegou.

Durante a reunião de uma hora no Palácio do Planalto, foi acertada a criação de um grupo de trabalho para tratar da questão, sendo que a primeira reunião foi marcada para a próxima semana, no dia 17, no Ministério do Planejamento. Ciente da gravidade do problema, Alckmin ainda negou haver uma “mudança de posição” nas relações entre o Estado e a União, já que a questão da crise da água em SP foi tema da campanha presidencial.

Segundo Miriam Belchior, os projetos para o Estado não tinham detalhamentos. “O governador apresentou um ofício que tem para cada uma das obras três linhas (de explicações). Por isso, que nós desdobramos nesse grupo de trabalho na segunda-feira o atual estágio (dos projetos)”, completou a ministra do Planejamento. Se comprovada a eficácia de todos os projetos, o governo federal deve liberar os recursos, de acordo com ela.

Por ora, o que há de garantido é que na próxima semana deve ser assinado um contrato de financiamento federal com o governo paulista para a construção de uma adutora para o sistema produtor de São Lourenço, que abastece o reservatório da Cantareira. “Deve ser assinado na próxima semana um financiamento de R$ 1,8 bilhão para o sistema produtor São Lourenço, que vai trazer 4,8 metros cúbicos por segundo para o Cantareira. É obra de médio prazo importante”, emendou Miriam.

Cantareira em queda e ministra preocupada

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou na tarde desta segunda-feira (10) que a situação de abastecimento de água em São Paulo é "crítica" e "preocupante". “Em outubro, tivemos 15 dias muito sensíveis de pouca chuva naquela região do Cantareira. Não está chovendo no Sistema Cantareira, agora ainda não está enchendo”, afirmou a ministra.

“Vamos ter de olhar o cenário após 30 de abril do ano que vem. Vamos saber como São Paulo vai comportar a administração desse sistema”, disse. As declarações de Izabella contrastam com a fala de Alckmin justamente por não passarem a mesma confiança do tucano quanto a uma resolução para o problema considerado “pontual” por ele.

Enquanto isso, o Sistema Cantareira registrou nova queda nesta segunda-feira. Dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) indicam que a reserva das represas chega a 11,3%, ante 11,4% no domingo (9). No sábado, havia 11,5%. O Cantareira já está recebendo água do chamado volume morto, aquele que fica abaixo do nível das comportas das represas.

A situação não é melhor em outros sistemas de abastecimento hídrico da Grande São Paulo. No Alto Tietê, por exemplo, também houve queda de 0,1% entre domingo e segunda-feira, quando o volume acumulado de água era de apenas 8,2%. No Sistema Guarapiranga, o patamar de reserva de água baixou, entre um dia e outro, de 36,6% para 36,4%. Já o Alto Cotia teve redução de 30,4% para 30,3%. O Sistema Rio Grande caiu para 66,8%, de um nível de 67,1% no domingo, e o Rio Claro baixou de 39,2% para 38,5%.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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