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10/11/2014 13:31 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Anistia Internacional lança campanha pela preservação da vida de jovens negros no Brasil (VÍDEO)

A violência no Brasil tirou a vida de 56 mil pessoas no País em 2012, dos quais 30 mil eram jovens entre 15 e 29 anos. Destes, quatro em cada cinco jovens eram negros, o que corresponde a 77% do total. Às vésperas do Dia da Consciência Negra, a Anistia Internacional lançou uma campanha intitulada “Jovem Negro Vivo”.

“Apesar dos altíssimos índices de homicídio de jovens negros, o tema é em geral tratado com indiferença na agenda pública nacional. As consequências do preconceito e dos estereótipos negativos associados a estes jovens e aos territórios das favelas e das periferias devem ser amplamente debatidas e repudiadas”, diz o comunicado da organização.

Segundo a organização, a maioria dos homicídios é praticada por armas de fogo, e menos de 8% dos casos chegam a ser julgados. O lançamento oficial da campanha aconteceu no último domingo (9), no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.

“É razoável que lidemos com normalidade com a execução de adolescentes? Não se trata de apontar o dedo para a imprensa. Apontemos para nós todos. Convivemos com normalidade com esses fatos. Convivemos com normalidade com a morte de 1 milhão de brasileiros em pouco mais de duas décadas. É a maior tragédia da nossa história desde a escravidão”, escreveu o diretor executivo da Anistia Internacional Brasil, Atila Roque, em coluna no jornal O Globo.

O vídeo da campanha, que busca colher assinaturas e apoios em favor de políticas públicas para a juventude negra brasileira, contou com a colaboração do rapper Criolo, que cedeu a música Duas de cinco para ilustrar o tema.

A alta mortalidade de negros no Brasil não é novidade. Em estudo lançado em abril deste ano, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) apontaram que, em São Paulo, a Polícia Militar mata três vezes mais negros do que brancos, o que caracteriza, de acordo com o levantamento, um “racismo institucional”. Na mesma ocasião, a corporação criticou o estudo e negou qualquer tipo de preconceito.

Nesta segunda-feira (10), dados adiantados pelo jornal Folha de S. Paulo mostram que a polícia brasileira mata seis pessoas por dia, um número considerado alarmante em comparação com outras forças policiais do mundo.

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