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08/11/2014 11:24 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Crise de água: Sabesp tem dúvidas sobre eficiência de medidas; única certeza é que obras não ficam prontas antes de 2015

ASSOCIATED PRESS
People walk around cars that emerged from the Atibainha dam, which is part of the Cantareira System, responsible for providing water to the Sao Paulo metropolitan area, in Nazare Paulista, Brazil, Friday, Oct. 10, 2014. Due to the worst drought in 84 years, the Basic Sanitation Company of the State of Sao Paulo has offered discounts to consumers who reduce monthly consumption by 20 percent, among other measures. (AP Photo/Andre Penner)

Em depoimento prestado na tarde de ontem (7) ao Ministério Público Estadual, a presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Dilma Pena, declarou que "não tem como afirmar se as medidas [adotadas diante da seca] serão suficientes para evitar problemas no abastecimento de água caso o regime de chuvas persista da maneira anômala atualmente vivida".

A resposta foi dada ao promotor de Justiça Otávio Ferreira Garcia, que conduz um inquérito apurando as ações da Sabesp diante da crise hídrica. Garcia quis saber se a empresa tem um plano de ações para garantir o abastecimento em 2015 diante do cenário de poucas chuvas.

As medidas a que ela se referia são o programa de bônus para quem economiza água, a redução da captação do Sistema Cantareira e outras obras.

Arraste a seta e veja o Sistema Cantareira antes e depois da seca:

 

Obras não ficam prontas antes de 2015

De acordo com reportagem de hoje da Folha de S.Paulo, nenhuma das principais obras previstas pelo governo paulista para ampliar a capacidade de armazenamento de água da Grande São Paulo estará pronta no período de estiagem do ano que vem. Entre as obras que ficarão prontas apenas em 2015, está a transposição da água do rio Paraíba do Sul para o sistema Cantareira, que agora conta com aval da Agência Nacional de Águas.

Segundo o cronograma da Sabesp, a única obra que deve ficar pronta neste ano é a ampliação de uma estação de tratamento de água — que seria suficiente para abastecer só 300 mil pessoas, de um total de 20 milhões na região.

O governo paulista prevê que, até 2018, as obras terão capacidade de atender 4,9 milhões de pessoas, número similar aos atendidos hoje pelo sistema Guarapiranga. Isso representaria um aumento de 23% da capacidade atual.

Áudio vazado

Ainda durante depoimento, Dilma Pena se negou a dar explicações diretas ao promotor sobre o vazamento de uma gravação em que ela diz, durante uma reunião de diretoria, que era "um erro" a falta de comunicação da empresa para com a sociedade diante da crise. Na ocasião, ela teria afirmado que a empresa não tinha uma presença maciça na mídia por "ordem superior".

Ouça a gravação vazada

No lugar das explicações, ela apresentou uma nota escrita. O documento é cópia de uma carta apresentada nesta sexta à Câmara Municipal de São Paulo, que também havia questionado a presidente da Sabesp por meio da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os contratos da empresa com a Prefeitura.

No texto, Dilma Pena argumenta que era vontade dos funcionários estarem na mídia, mas ela os lembrou que a comunicação da Sabesp deve obedecer orientação da diretoria da empresa. "Naquele momento, entendi o justo anseio de os funcionários estarem diretamente na mídia, mas tive oportunidade de relembrá-los de que a comunicação institucional da empresa obedece a diretriz superior constituída pela Diretoria Colegiada, sempre no sentido de preservar a unicidade da administração", disse.

Em nenhum momento ela explica a avaliação sobre o "erro" a que ela se referia na gravação. "Hoje vejo patente o acerto da orientação, de vez que a estratégia de comunicação da empresa atingiu plenamente sua finalidade", afirma, ao mencionar a economia de água feita pela população mediante o pagamento de bônus por parte do governo. "Houve adesão de 50% da população", sendo que "80% dos consumidores economizaram água". Dilma Pena apresentou também números sobre a estratégia de comunicação da empresa.

Dilma Rousseff chama Geraldo Alckmin para discutir a crise

Na próxima segunda-feira (10), a presidente reeleita Dilma Rousseff deve se encontrar com o governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, para discutir propostas encaminhadas por ele para evitar o desabastecimento de água no Estado. A informação é da Folha de S.Paulo.

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(Com Estadão Conteúdo)